Crítica | Dirk Gently (2010 – 2012)

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estrelas 3,5

O personagem-título desta série criada por Howard Overman para a BBC, em 2010, vem do livro Dirk Gently’s Holistic Detective Agency (1987), de Douglas Adams. Como o próprio autor definiu, trata-se de uma tentativa de juntar uma boa trama detetivesca com histórias de horror, fantasma, “quem matou?“, viagens no tempo, romance, musical e comédia épica. Em se tratando de Douglas Adams, que outra definição possível esse Universo maluco poderia ter?

A série teve o seu Piloto exibido em dezembro de 2010 pela BBC, mas não houve sequência imediata. O hiato durou até março de 2012, quando três episódios foram lançados, encerrando a primeira e única temporada do show que, contanto com o Piloto, possui apenas 4 episódios de uma hora cada um. A aventura se passa no Reino Unido e começa com Dirk sendo contratado por uma senhora para investigar um caso de desaparecimento. Adepto de uma “abordagem holística” (baseada, segundo ele, na “interconexão de todas as coisas“) para resolver casos, Dirk irá encontrar, por acaso (mas neste Universo não existe acaso, então…) um ex-colega de faculdade, Richard MacDuff, que irá se tornar companheiro de Dirk nas investigações.

O humor aqui tem aquela exigência britânica que espectadores acostumados com o “riso fácil” deverão estranhar. Há piadas, por exemplo, com questões lúdicas de organização e limpeza da casa, estrutura policial do Reino Unido, relações de trabalho, tecnologia robótica e caos. Ao mergulhar na série, é preciso ter paciência e esperar que os personagens conquistem o espectador, pois não haverá imediata torrente de informações e pistas a serem decifradas. A bem da verdade, a comédia é o caminho para a investigação holística de Dirk, que brinca o tempo inteiro com o acaso e faz disso o mote da série, tendo os seus melhores momentos no Piloto (da velhinha e o caso de desaparecimento) e no Episódio 2 (de um ex-professor de Dirk e sobre uma certa… pessoa chamada Max).

Stephen Mangan é o tipo de ator de comédia que nos tira o riso pelo seu ar keatoniano, levando a sério todas as bobagens possíveis que se apresentam para ele, trazendo uma figura preocupada e ao mesmo tempo excêntrica, um pouco na linha de como vemos o roteirista que ele interpreta em Episodes. A diferença é que aqui, com menos personagens e uma história que depende mais do roteiro, cabe ao ator um peso maior, algo que nem ele e nem seu parceiro de cena, interpretado por Darren Boyd conseguem levar com graça o tempo todo.

A preparação de diferentes cenários para diferentes casos/histórias é o maior destaque técnico da série, especialmente no Episódio 2, quando se junta a uma boa direção de fotografia e um roteiro que aborda inteligência artificial de maneira humana e com questionamentos morais e éticos bastante relevantes. O único problema deste episódio é que ele (assim como o final do primeiro capítulo) dá a atender que existe um “grupo” observando Dirk em sua dia-a-dia, mas a possível ameaça que surge dessa observação nunca se concretiza. Talvez fosse algo que estava para ganhar asas na temporada seguinte, mas o fato é que a ponta solta incomoda, da mesma forma que o desfecho da aventura final, por mais insana e particularmente curiosa que seja, não nos satisfaz plenamente.

Há bons momentos onde vemos a brincadeira com o “gênio incompreendido” na pessoa de Dirk e sua dificuldade de relacionamento com o “amigo”, que recebe uma mudança de perspectiva no final, o que é bom, porque já era algo que vinha se desenhando antes, mas não deixa de sacolejar as percepções construídas pela série e por nós. Mesmo sem uma passagem muito coesa entre um episódio e outro e algumas questões importantes deixadas em aberto, a série diverte e consegue nos dar ao menos um gostinho das loucuras em uma dramédia de investigação vinda da mente de Douglas Adams, ganhando vida na TV.

NOTA: em 2016, Max Landis criaria uma outra versão da série, com parceria entre Estados Unidos e Reino Unido, distribuída originalmente pela BBC America e no mundo, pela Netflix.

Dirk Gently (Reino Unido, 2010 – 2012)
Criador: Howard Overman
Diretores: Damon Thomas, Tom Shankland
Roteiro: Howard Overman, Matt Jones, Jamie Mathieson (baseado na obra de Douglas Adams)
Elenco: Stephen Mangan, Darren Boyd, Lisa Jackson, Jason Watkins, Helen Baxendale, Neil Grant, Robby Haynes
Duração: 60 min. cada episódio

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.