Crítica | Divergente

estrelas 3

Obs: Crítica originalmente publicada em 16 de abril de 2014.

Filmes baseados em livros são sempre complicados. Além de precisar serem bem adaptados, é necessário agradar ao público fiel dos livros e também cativar novos espectadores que são, porque não, futuros leitores. O que convenhamos, não é uma tarefa das mais fáceis.

Há tempos, Hollywood encontrou na literatura uma forma de transportar para a telona histórias que antes apenas povoavam a nossa imaginação. Desde então, esse casamento tem rendido bons e péssimos frutos, pois como disse, não é fácil. Leitores tendem a ser bastante exigentes quanto à fidelização do conteúdo e não aceitam bem a menor modificação que seja, pois para eles, fazer isso é estar violando a história original. O que é compreensível, mas se esquecem que são mídias diferentes. Aquilo que funciona nos livros, grande parte devido ao poder de nossa imaginação, pode não funcionar tão bem no cinema, ou mesmo, não ser algo viável.

Poderia citar inúmeros exemplos, como o F.A.L.E criado pela Hermione no quarto livro de Harry Potter. É um ponto interessante nos livros, mas que nos filmes serviria apenas para tapar buraco e acabaria não rendendo tanto quanto o esperado. Justamente por isso há sempre aquela dúvida no ar quando um filme que é oriundo de um livro de grande sucesso chega aos cinemas. Será que vai ficar bom? Quem serão os atores? Quem vai dirigir? Terá tal cena marcante? E por aí vai.

O grande burburinho da vez é Divergente, uma nova distopia que provém do livro de mesmo nome que é best-seller nos Estados Unidos. O filme conta a história de Beatrice ou Tris, que ao completar 16 anos precisa fazer uma escolha que irá mudar sua vida para sempre. Ao optar por um novo caminho, Tris vai descobrindo verdades sobre si mesma, assim como revelando podres da sociedade em que vive – que é dividida em cinco facções – o que acaba culminando em uma guerra, onde se destacar pode ser a salvação ou a morte.

Dirigido por Neil Burger – o mesmo de Sem Limites com Bradley Cooper – Divergente deve agradar aos fãs e também aqueles que desconhecem os livros. Burger soube explorar bem certos elementos da história , como a cidade de Chicago meio destruída, que serviu para ditar o tom que o filme precisava. Assim como os figurinos chave das facções que são divididos em cores, os cenários, apetrechos e demais artigos cenográficos são essenciais para situar o espectador no tempo da trama. A trilha sonora, produzida por ninguém menos que Hans Zimmer em parceria com Junkie XL (ouviremos falar dele mais para frente) e Ellie Goulding é simplesmente sensacional e se encaixa muito bem com todas as cenas. Infelizmente, as atuações deixam um pouco a desejar. O casal principal Quatro e Tris, interpretados respectivamente por Theo James e Shailene Woodley não possuem muita química e seus diálogos e ações são pontuados demais, algumas vezes até forçado. Shailene se sai melhor atuando com outros colegas como Ashley Judd, que dá vida a sua mãe, do que com o ator que será seu par romântico nos próximos três filmes (apesar de ser uma trilogia, o último filme será dividido em dois). Há aqueles que conseguem se salvar, como Kate Winslet que faz a Janine, representante de uma das facções. Mas, essa daí, consegue tirar leite de pedra…não duvido.

Neil ainda mudou um pouco o final do filme, diferenciando-o da versão original (mas não muito) o que acabou criando um desfecho deveras interessante.

No mais, Divergente possui todos os elementos que o classifica como uma boa adaptação, pois investe bem na cenografia, assim como na caracterização de seus personagens, mesmo que algumas atuações não tenham sido tão excepcionais.  A nós, resta esperar mais dedicação dos atores para o próximo filme, Insurgente, que deverá ser lançado em 2015.

E caso você não tenha gostado do filme, leia os livros, é sempre uma experiência válida.

Divergente (EUA – 2014)
Direção: Neil Burguer
Roteiro: Evan Daughtry e Vanessa Taylor
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Ashley Judd, Jai Courtney, Ray Stevenson, Zoe Kravitz, Miles Teller, Tony Goldwyn, Ansel Egort, Maggie Q, Mekhi Phifer, Kate Winslet, Ben Lloyd-Hughes, Christian Madsen e Amy Newbold
Duração: 139 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.