Crítica | Django Livre # 1

A Vertigo decidiu se aproveitar do lançamento de Django Livre nos cinemas e do interesse de Quentin Tarantino em quadrinhos para embarcar em um projeto muito interessante que, espero, seja replicado na própria editora e, também, pelas demais. E qual seria esse projeto?

Bem, já cansamos de ver adaptações para quadrinhos de diversos filmes famosos. Há muito, muito tempo, em uma galáxia distante, isso aconteceu com Star Wars, com a famosa e prolífica publicação da Marvel, que gerou linhas narrativas que também ligavam os filmes. Depois, vieram diversas outras adaptações, mas sempre com resultados normalmente aquém do filme adaptado. O diferencial da Vertigo foi fazer uma adaptação deDjango Livre usando como base a primeira versão do roteiro de Tarantino e sem a interferência de um roteirista de quadrinhos.

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Ou seja, o que vemos nas páginas da adaptação é a versão nua e crua do filme sem passar pelas eventuais alterações de um escritor especializado em quadrinhos. Tanto é assim que ninguém foi creditado como roteirista no projeto.

E funcionou?

A julgar pelo primeiro número, o único lançado até agora, de um total de cinco, parece que teremos uma divertida minissérie em mãos. Para começar, há a questão da curiosidade. Afinal de contas, há um atrativo extra em se ter o acesso ilustrado ao roteiro original de Tarantino, com todos os diálogos exatamente como criados, muitos deles repetidos palavra a palavra no filme. Além disso, há a questão das possíveis cenas extras que já foram alardeadas – claro – pela Vertigo. Não é exatamente o caso, ainda, do primeiro número, que segue até o momento que antecede a ação na fazenda de Big Daddy (quem já viu o filme saberá o que estou falando e, quem não viu, não precisa se preocupar, pois não é spoiler) e somente apresenta breves flashbacks que não estão no filme..

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E, no topo disso tudo, ainda há a qualidade Vertigo, conhecida por suas séries impecáveis. Só esse aspecto já retiraria Django Livre da vala comum das adaptações de filmes em quadrinhos. A prova disso é o fato que R.M. Guera, da aclamada série Escalpo (publicada no Brasil pela Panini no mix da revista Vertigo) desenha Django Livre.

Guera tem um traço rústico, pesado, muito apropriado para o tom da história sendo contada. E o interessante do trabalho é que não há uma tentativa de usar as feições dos atores do filme (a imagem desse post é da capa alternativa de Jim Lee, essa sim baseada em Jamie Foxx). Guera cria sua visão do roteiro, respeitando-o ao máximo.

As cores de Giulia Brusco são, também, muito apropriadas para o clima da narrativa, ainda que, durante as cenas passadas durante o dia, sejam claras e óbvias demais. O trabalho de Brusco parece funcionar melhor nas cenas interiores ou noturnas, pois apresenta mais nuances.

Para quem não sabe da história, acompanhamos as aventuras de Django, escravo liberto em 1858 pelo Dr. King Schultz, caçador de recompensas alemão. Os dois vagam pelo velho oeste americano matando pessoas procuradas e recebendo as devidas recompensas.

É Tarantino em quadrinhos. Que venham mais adaptações de roteiros dele e de outros diretores!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.