Crítica | Doctor Who – 2X03: School Reunion

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A importância de School Reunion para o cânone de Doctor Who é indiscutível. Só para começar, o episódio marca a estreia de Toby Whithouse, um dos melhores autores da Série Nova, responsável por alguns dos novos clássicos do show, como The God Complex e A Town Called Marcy. Além disso, o roteiro também marca o final definitivo de uma das grandes dúvidas dos fãs de longa data ao confirmar que essa nova série era de fato uma continuação direta da Série Clássica e não um reboot.

O destaque maior do episódio com certeza vai para a participação de Elisabeth Sladen no papel da jornalista Sarah Jane Smith. A atriz consegue fazer um trabalho brilhante ao trazer uma personagem que não era vista em tela há mais de 20 anos com tamanha leveza e transmitir de forma orgânica a mistura de sentimentos que invade a personagem com o reencontro com o Doutor. David Tennant, por sua vez, continua com uma maravilhosa interpretação, entregando cenas distintas que demonstram desde a genuína felicidade no primeiro encontro do Doutor com Sarah Jane até a tristeza presente no discurso melancólico sobre a maldição da vida longa dos Time Lords.

A associação imediata que é estabelecida entre a ex-companion e a atual é um dos melhores elementos do episódio. O modo como o autor debate sobre o que acontece com os companions depois da saída da TARDIS e a forma como Rose vê seu futuro refletido em Sarah Jane foi uma excelente forma de iniciar a preparação do público para fim de temporada e a para a inescapável despedida de amada companion. Outro elemento para a construção da temporada presente no roteiro é a maior participação de Mickey e a sua chagada como companheiro que, finalmente, iniciam o processo de desenvolvimento e amadurecimento do personagem, algo que se torna muito mais visível no decorrer da temporada.

Em termos técnicos, o episódio não apresenta grandes problemas, conseguindo criar um design de bom gosto para os Krillitanes. O cuidado que James Hawes trouxe nas cenas de diálogo foi algo essencial para o sucesso de uma história tão focada nos personagens, porém o diretor não esquece da ação, conseguindo apresentar também eficientes sequências de perseguição. Pode ser um problema pessoal, mas eu não deixo de me incomodar com o uso do ponto de vista do monstro nesse episódio. Em outras situações, como em histórias dos Daleks, é possível perceber uma importância no uso da visão subjetiva, mas aqui o recurso carece de utilidade e passa a ser meramente estético.

Entretanto, o principal problema de School Reunion reside no plot simplista e paradoxalmente complexo. Ao mesmo tempo que Toby Whithouse investe no diálogo e nos personagens, ele acaba nos entregando uma trama confusa que à primeira vista parece uma simples invasão, mas que acaba ganhando uma explicação complexa demais somente para justificar o pano de fundo escolar e então voltar com a simplicidade de uma resolução corrida. Outro problema do episódio é a subutilização dos vilões, que demonstram uma personalidade quase nula e acabam tendo sua principal característica, a heterogenia, utilizada apenas para que o Doutor não os reconhecesse em um primeiro momento (eu reconheço que a homogeneidade dos monstros deve ter sido utilizada para a economia em prol de outros episódios, mas isso ainda não justifica a absoluta semelhança entre todos os Krillitanes).

Quanto às referências e citações, o episódio presta diversas homenagens a Buffy, The Vampire Slayer, série que serviu como principal modelo para a Série Nova e o esquema de arcos por temporada. Uma das primeiras referências é o ambiente do episódio, uma escola misteriosa com eventos estranhos e assustadores que simula o ambiente principal da série americana. Outra citação vem no personagem Mr. Finch, interpretado pelo ator Anthony Head, que também deu vida ao personagem Rupert Giles, mentor da protagonista Buffy, de modo que ambos os personagens são professores/figuras de autoridade. Talvez a referência mais óbvia a Buffy seja a forma assumida pelos Krillitanes, que se baseia principalmente em morcegos.

As citações internas também não poderiam faltar, sendo as principais referentes ao debate sobre a nomenclatura correta dos acompanhantes do Doutor (companion ou assistant), sobre os diversos inimigos presentes na época de Sarah Jane na TARDIS, além do lugar errado onde o Doutor deixou a Sarah em The Hand of Fear. Apesar de seus razoáveis problemas, o saldo geral de School Reunion é extremamente positivo, sendo uma história que não se sustenta somente da nostalgia, marcada pelos diálogos e que seria a base para um spin-off de sucesso estrelando a amada jornalista Sarah Jane Smith.

Doctor Who – 2X03: School Reunion (Reino Unido, 2006)
Direção: James Hawes
Roteiro: Toby Whithouse
Elenco: David Tennant, Billie Piper, Noel Clarke, Anthony Head, Elisabeth Sladen, Rod Arthur, Eugene Washington, Heather Cameron, Joe Pickley, Benjamin Smith, Clem Tibber, Lucinda Dryzek, Caroline Berry, John Leeson
Duração: 45 min.

DENILSON AMARAL . . . Whovian, potterhead, trekker em treinamento e nerd por maioria de votos. Assisto, leio e jogo o que o tempo permite e o que o orçamento possibilita, aliás, você já agradeceu à internet por permitir que você assista sua série favorita hoje? Nintendista de coração (mais especificamente o direito), adoro jogos antigos e seus pixels destacados. Sustos são legais, mas prefiro evitar o gênero terror. Na verdade, sou a segunda figura mais medrosa que você vai conhecer nesse universo (terceira se você contar o Scooby-doo). Não sou o melhor reviewer, mas me esforço para chegar lá, se quiser me acompanhar nessa empreitada, é só começar a ler.