Crítica | Doctor Who – 2X11: Fear Her

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Um dos principais novidades para a 2ª Temporada de Doctor Who foi a escolha do ator e comediante Stephen Fry como autor convidado. Planejado como o 11º episódio, o roteiro de Fry, provisoriamente chamado de The 1920s, foi adiado para o ano seguinte por motivações orçamentárias (sempre elas…) e posteriormente acabou sendo cancelado pelas dificuldades do autor em reescrever e adaptar a história. Tendo passado por uma situação semelhante durante a produção da temporada anterior, ironicamente no mesmo 11º episódio, Russell T. Davies já contava com uma salvaguarda e um roteiro extra, escrito por Matthew Graham, criador da renomada série Life On Mars, acabou tomando o lugar da história de Fry.

Inicialmente, Fear Her tenta não fugir dos padrões de um episódio de Doctor Who, apresentando o plot da aventura de forma simples, porém eficiente, possibilitando a compreensão por parte do público dos elementos principais da história: as Olimpíadas, o desaparecimento de crianças e uma figura estranha que observa a todos pela janela, antes mesmo das primeiras falas.

Entretanto, ainda nessas cenas pré-créditos, é possível visualizar os tropeços iniciais do episódio. O exagero na construção de uma rua normal é algo gritante. Sinceramente, acho que nunca vi um lugar tão paradoxalmente perfeito, onde nenhum carro é visto nas ruas, pessoas andam calmamente pelas calçadas e os pais permitem que seus filhos brinquem alegremente fora de suas casas ao mesmo tempo que alguém ou alguma coisa tem sequestrado sucessivamente as crianças da vizinhança.

Sem dúvida, o ponto mais baixo do episódio são as interpretações excepcionalmente fracas do elenco. Com exceção da dupla David Tennant e Billie Piper e da veterana Edna Doré, além de Abisola Agbaje, que apesar dos problemas, parece se esforçar no papel de Chloe, a maioria dos atores não consegue entregar algo minimamente convincente. O destaque negativo vai para Nina Sosanya e sua atuação que simplesmente não consegue transmitir as emoções da personagem para o público, transformando-a em uma figura apática que não faz jus à importância do papel dentro da história.

Um dos temas mais presentes nos últimos episódios é o processo de amadurecimento de Rose. Se nas suas primeiras aventuras ao lado do 9º Doutor, a jovem praticamente só desempenhava a função de companhia, sendo repetidamente salva de situações perigosas e muitas vezes tornando as aventuras ainda mais complicadas, durante essa nova fase com o 10º Doutor, ela vai desenvolvendo posturas mais práticas e conseguindo lidar com as situações que se apresentam à sua frente. Em Fear Her, o autor Matthew Graham fortalece ainda mais essa ideia, apresentando uma Rose investigativa, que descobre rapidamente as singularidades por trás do desaparecimento das crianças, colhe informações com os locais e deduz o culpado como o mínimo de ajuda do Time Lord, conseguindo ainda interpretar as pistas, recuperar o casulo do Isolus e resolver o caso.

No decorrer do episódio, o autor faz uma interessante colocação de um subtexto de abuso doméstico, reforçando o lado de responsabilidade social que Doctor Who carrega desde sua origem como série educativa. A garota que sofreu com a violência cometida pelo pai e acabou se isolando no seu mundo de desenhos, juntamente com a mãe que luta para superar os efeitos dos abusos e tenta quebrar as barreiras que a filha formou ao seu redor, surgem como importantes ferramentas para denunciar e encorajar a luta contra esse tipo de prática, que pode ocorrer até mesmo nas ruas mais comuns de uma grande cidade.

Doctor Who – 2X11: Fear Her (Reino Unido, 2006)
Direção: Euros Lyn
Roteiro: Matthew Graham
Elenco: David Tennant, Billie Piper, Nina Sosanya, Abisola Agbaje, Edna Doré, Tim Faraday, Abdul Salis, Richard Nichols, Erica Eirian, Stephen Marzella, Huw Edwards
Duração: 45 min

DENILSON AMARAL . . . Whovian, potterhead, trekker em treinamento e nerd por maioria de votos. Assisto, leio e jogo o que o tempo permite e o que o orçamento possibilita, aliás, você já agradeceu à internet por permitir que você assista sua série favorita hoje? Nintendista de coração (mais especificamente o direito), adoro jogos antigos e seus pixels destacados. Sustos são legais, mas prefiro evitar o gênero terror. Na verdade, sou a segunda figura mais medrosa que você vai conhecer nesse universo (terceira se você contar o Scooby-doo). Não sou o melhor reviewer, mas me esforço para chegar lá, se quiser me acompanhar nessa empreitada, é só começar a ler.