Crítica | Doctor Who Annual – Quadrinhos (1974 e 1975)

Na sequência dos Anuários de Doctor Who, trazemos aqui os quadrinhos para as edições de 1974 e 1975. Mas antes, é preciso uma explicação para o salto temporal que demos em relação à sequência anterior.

Como já foi dito antes, as histórias em quadrinhos só começaram a ser publicadas no Anuário de Doctor Who na edição de 1967, contendo uma única história, protagonizada pelo 1º Doutor. As edições de 1968 a 1970, trouxeram seis aventuras, todas elas protagonizadas pelo 2º Doutor (sendo duas histórias com Ben e Polly; duas histórias com Jamie e Victoria e duas histórias com Jamie e Zoe).

No ano de 1971, o Anuário não trouxe nenhuma história em quadrinhos e no ano de 1972 ele não foi publicado. Em 1973 só houveram contos, matérias e puzzles no anuário. As HQs só voltaram em 1974, com duas aventuras protagonizadas pelo 3º Doutor, que também aparece nas duas histórias do anuário de 1975, o último dele como protagonista.

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The Time Thief

DW Annual 1974

estrelas 3

Equipe: 3º Doutor, Jo Grant, Brigadeiro Lethbridge-Stewart
Espaço-tempo: Londres, Ártico Sul e Planeta Ekaypia, anos 70

Com excelente arte de Steve Livesey – inclusive na criativa diagramação dos quadros de toda a história – temos aqui uma alteração estranha da linha temporal da Terra. A história tem início quando alguns cargueiros das Nações Unidas são atacados, no Ártico Sul, por armas e guerreiros de outros séculos! A U.N.I.T. assume o comando da operação de investigação do caso e o Doutor e Jo, a pedido do Brigadeiro Lethbridge-Stewart, viajam para o local.

Como há pouco tempo para descobrir o que está acontecendo, o Doutor já na viagem passa a cogitar possibilidades. O que ele encontrará no local das aparições é uma espécie de portal temporal criado pelo Mestre, com ajuda dos nativos de Ekaypia.

A parte ruim dessa história está justamente quando o Mestre aparece. Isso não significa que a história era uma obra-prima até então, mas pelo menos o roteiro seguia um ritmo aceitável no andamento das coisas, o que infelizmente não acontece posteriormente, e, para piorar, existe hipnose na história, algo que raramente é bem utilizado em uma história do Doutor sem parecer algo muito estúpido. A sorte é que a premissa é tão interessante e uma parte da história tão bem contada, que o leitor consegue ter uma visão positiva do todo após o último quadro.

Publicação: Setembro de 1973

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Menace of the Molags

DW Annual 1974

estrelas 3

Equipe: 3º Doutor, Jo Grant, Brigadeiro Lethbridge-Stewart
Espaço-tempo: Londres, anos 70

Situada entre os arcos The Time Monster e The Three Doctors, esta história traz uma espécie de alien pacífica e outra vilã para o Reino Unido dos anos 70. A ameaça à humanidade aqui aparentemente vem de dois lados: dos vilões aliens e o dos humanos. Só o Doutor e o pessoal da U.N.I.T. sabe que os ‘homens-diabo’ estão ali para ajudar o planeta Terra a sobreviver a uma invasão, não para destruí-lo.

A coisa fica ainda mais interessante quando o diplomata da espécie pacífica recebe o Doutor e diz que eles estiveram na Terra antes, e que fazem parte de nossos mitos — algo difícil de se esquecer.

A arte de Steve Livesey para essa história não é tão boa quanto a da aventura anterior, mas ainda assim chama muito a atenção, especialmente no uso criativo do espaço das páginas a favor da história. O elo mais fraco é mesmo o roteiro, que peca bastante no início lento e complica demais a explicação geral dos fatos, que, na verdade, é bastante simples.

O quadro final traz Jo e o Doutor conversando após os fatos ocorridos e o problema resolvido. O tema da conversa é sobre como os seres humanos não são nada receptivos a algo estranho (isso porque fazem o maior estardalhaço quando a espécie de ‘homens-diabo’ se apresenta, em Londres), uma preocupação que sempre esteve em pauta nos enredos protagonizados pelo Doutor. Afinal, há sempre horror humano ao desconhecido, especialmente se esse horror az parte de algo culturalmente entranhado nas mentes humanas.

Publicação: Setembro de 1973

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Dead on Arrival

DW Annual 1975

estrelas 3

Equipe: 3º Doutor, Jo Grant (com cameo do Brigadeiro Lethbridge-Stewart)
Espaço-tempo: TARDIS / Terra alternativa, tempo indeterminado / Terra, anos 70

O Doutor e Joe estão voltando do Planeta Mezlob, cuja gravidade é 27 vezes maior que a da Terra, quando a TARDIS atravessa uma nuvem de poeira molecular. Isso traria um problema bem menor se Jo não estivesse, exatamente nesse momento, dentro de uma máquina de ajuste molecular, um processo necessário antes de entrarem na Terra depois de visitarem um planeta com gravidade tão intensa.

Nesse processo, Jo é transformada em nível molecular e vai parar em um reflexo do nosso planeta, uma Terra alternativa onde ela está morta e o Doutor (também alternativo) leva-lhe flores no velório. Paralelo a essa questão, temos uma espécie alien, os Breelian, que querem invadir a Terra alternativa. O problema em questão é que Jo precisa avisar ao Doutor, pois, a única forma de ela sair do nível molecular em que se encontra depende de uma transformação do próprio Doutor, algo que jamais poderia acontecer se a Terra alternativa fosse invadida naquele momento.

A parte mais legal da aventura é o trabalho com a outra realidade, algo que se perde quando a TARDIS materializa-se na nossa Terra. Bem que a história poderia terminar com eles ainda no espaço!

Publicação: Setembro de 1974

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After the Revolution

DW Annual 1975

estrelas 2

Equipe: 3º Doutor, Jo Grant
Espaço-tempo: Planeta Freedonia, tempo indeterminado

After the Revolution traz um misto de filosofia barata com interessantíssima visão política obre uma Revolução e o estabelecimento de uma ditadura. O Doutor estivera antes no planeta Freedonia e tinha ajudado uma Revolução acontecer. Ao voltar ao local, anos depois e na companhia de Jo Grant, o Time Lord encontra uma situação bastante suspeita.

No início, os viajantes são recebidos efusivamente, mas são observados nos bastidores por um circuito de câmeras. Não demora para que o Doutor tente alguma coisa e para que a complicada situação do planeta se revele de verdade. O que se segue é uma verborrágica sequência de explicações, justificativas e ameaças que jamais deveriam constar na aventura. O pior de tudo é a fala que o roteirista dá ao Doutor no final, uma espécie de reflexão gratuita com citação bíblica para analisar a situação em questão. Infelizmente, a fase do 3º Doutor nos Anuários da série termina de maneira vergonhosa.

Publicação: Setembro de 1974

 

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.