Crítica | Doctor Who: As Aventuras do 4º Doutor – 1ª Temporada

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A base desse texto são os episódios da 1ª Temporada da série The Fourth Doctor Adventures, lançada em 2012 pela Big Finish, com Tom Baker revivendo o papel icônico que interpretou na Série Clássica de Doctor Who. Entre esses episódios (indicados abaixo pela sequência numérica), existem histórias que não fazem parte dessa temporada, mas sim de outras séries e lançamentos. Todas, porém, estão no meio ou na sequência dos presentes capítulos, então eu os critiquei como um adendo para essas aventuras. As críticas trazem, logo abaixo do título, uma indicação de origem. Se estão com indicações de ordem por episódio, são as aventuras oficiais dessa temporada das TFDA. Caso contrário, são tramas adicionais, ocorridas durante ou logo depois dessa sequência.
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Destination: Nerva

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estrelas 4

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Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Londres / Kent / Doca Espacial Nerva, na órbita de Júpiter
Tempo: 1889 / 1895 / Futuro

Duas aventuras da 12ª Temporada da Série Clássica elencam a base espacial de Nerva e sua missão de inicialmente servir de farol para as naves que transitavam próximo ao planeta Júpiter, e depois, para abrigar humanos escolhidos e dar continuidade à espécie, visto que o planeta Terra estava em estado de destruição natural. Na ordem dos eventos, temos, até aqui, a seguinte sequência:

  1. O Doutor e Leela visitam a Doca Nerva e sua população de técnicos (Destination: Nerva, pré-2875);
  2. O Doutor, Sarah Jane e Harry visitam a Doca Nerva no começo de seus experimentos em Luas locais (Revenge of the Cybermen: 2875);
  3. O Doutor, Sarah Jane e Harry visitam a Arca Nerva, quando já servia de abrigo criogênico para continuação da espécie humana, em fuga da Terra, então inabitável (The Ark: 16.087).

Com roteiro e direção do grande Nicholas Briggs, esta aventura é uma sólida inserção do Doutor e Leela em uma série solo, que tende a continuar os eventos da TV. E que bom trabalho ele fez aqui! Os eventos acontecem imediatamente após The Talons of Weng-Chiang e o ano e o local em que as coisas ocorrem, inicialmente na Inglaterra, depois na Doca Nerva, nos são ditos várias vezes. Jago e Litefoot são citados logo no início e o Doutor e Leela passam toda a aventura com suas roupas vitorianas, contando, em alguns momentos, com a adição de trajes espaciais.

A trama de salvação dos técnicos da Doca, que enfrentam uma infecção mortal causada por um vírus capaz de fazer o corpo humano entrar em mutação e se juntar a uma “única mente”, é ligada a um ideal imperialista cego do militar Jack Corrigan, que domina, na Terra, uma raça chamada Drellerans, e depois, infectados e com vida alongada, ganham o espaço (na nave dos que dominaram), chegando a Nerva, no futuro.

Entender e digerir esse espaço de dominação e viagem é menos interessante do que as ações em si. Há uma certa confusão desnecessária no roteiro, é verdade, mas não é impossível chegar a um retrato completo ao final. E claro, o excelente contexto da trama, as atuações, a trilha sonora e o caráter simpático de início de série fazem tudo valer a pena. Um ótimo início de mais uma parte da jornada do 4º Doutor.

Destination: Nerva (Reino Unido, janeiro de 2012)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Raquel Cassidy, Tim Bentinck, Sam Graham, Tilly Gaunt, Kim Wall, Tim Treloar
Duração: 60 min.

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Sound the Siren And I’ll Come To You Comrade

Bônus: Short Trips

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: URSS
Tempo: Anos 1950

Lançado como bônus das Short Trips em 2014, essa história traz a sempre interessante ameaça da Guerra Fria, colocando o Doutor e Leela em plena União Soviética, em uma região onde se fazia um poderoso experimento nuclear. Historicamente falando, sabemos que a URSS teve a sua primeira fase de produção de armas de destruição em massa em 1949, então imagine o porte desse novo projeto a que o Doutor e Leela são apresentados, sem querer, quando a TARDIS se materializa no meio da área proibida, pulsante de radiação. A aventura é ótima, e por algum motivo, me lembrou uma das missões da fase dos anos 80 do Esquadrão Suicida, com o inverno russo fazendo o seu papel ameaçador e a intriga de aprisionamento militar acontecendo. O bom é que o roteiro de John Pritchard não demora muito tempo para nos entregar as partes interessantes da história. Isso funciona bem, embora o “salvamento” final seja um pouco menos louvável do que todo o restante da história. Mais um capítulo da luta do Doutor contra armas, em um conto de caráter moral e humanista, apelando para humanidade em meio a uma guerra que poderia ter saído dos eixos e acabado com a humanidade.

Sound the Siren And I’ll Come To You Comrade (Reino Unido, dezembro de 2014)
Direção: Não informado
Roteiro: John Pritchard
Elenco: Stephen Critchlow
Duração: 35 min.

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The Renaissance Man

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estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Morovanian Museum, Mansão Morovania
Tempo: Indeterminado

Eis aqui uma aventura que poderia trazer muito mais coisas interessantes, mas perde pontos porque se dobra à megalomania do roteirista, que ao não se decidir se faria um suspense ou um tipo de terror que mistura naturalismo, lepidopterologia e mortes misteriosas em uma mansão que abriga um importante Museu, onde o Doutor prometeu a Leela que a levaria para continuar a sua educação [terráquea].

A primeira parte do episódio nos coloca em um ambiente de conhecimento e curiosidades, alternando cenas internas e externas, adicionando pitadas de comédia — especialmente por parte de Leela e seu frágil equilíbrio entre a convivência e a selvageria — e nos preparando para uma possível intromissão alienígena ou de alguém mau nesse lugar. De forma indireta, o espectador se lembra de The Marian Conspiracy, soberba aventura do 6º Doutor que apresenta uma nova companion, a historiadora Evelyn Smythe. Talvez por se tratarem de tramas com princípios históricos, essa semelhança apareça em algum momento no início, mas depois de dissipa, dando espaço para algo mais próximo do arco The Space Museum, da era do 1º Doutor.

Aventuras que se passam no passado da Terra, principalmente em lugares não tão conhecidos do grande público, normalmente ganham o encanto da surpresa. Por não dominar o espaço e personagens históricos (se houverem), o espectador se torna um pouco menos exigente em relação à retratação e foca apenas na qualidade da trama, que no caso deste The Renaissance Man, começa bem, mas não termina com igual força ou encanto.

As mortes, a presença misteriosa do Curador Jephson, o domínio mental e a manipulação de objetos artísticos e históricos em um museu de grande importância “renascentista” (não vou estragar a pequena surpresa e brincadeirinha do Doutor ao fazer a relação, embora os entendedores já tenham imaginado) são ótimos motivos dramáticos e recebem de Tom Baker e Louise Jameson uma boa atuação. Não se trata de uma aventura toda amarradinha e coesa, mas com certeza diverte e adiciona mais um capítulo nas andanças educacionais do Doutor e Leela.

The Renaissance Man (Reino Unido, fevereiro de 2012)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Justin Richards
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Ian McNeice, Gareth Armstrong, Anthony Howell, Daisy Ashford, Laura Molyneux, John Dorney
Duração: 60 min.

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The Wrath of the Iceni

1X03

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Bretanha Romana
Tempo: 60 d.C.

Esta é a primeira aventura totalmente histórica vivida pelo 4º Doutor, mais uma vez apresentando a Leela momentos da História da Terra, como parte da educação da selvagem, que queria conhecer mais sobre os seus antepassados. Particularmente gosto muito do tom desse tipo de saga, da qual já tivéramos um gosto em The Renaissance Man, também parte do processo de “educação in loco” empreendido por um dos piores (e ao mesmo tempo, melhores) professores de todos os tempos: o Doutor.

Desta vez, estamos em Norfolk e Camulodunum, na antiga Bretanha Romana, provavelmente no início do ano 60 da nossa era. O Doutor e Leela conhecem Boadiceia, a rainha celta que liderou os icenos, juntamente com outras tribos, como os trinovantes, em um levante contra as forças romanas que ocupavam a Grã-Bretanha, em 60 ou 61 d.C., durante o reinado do imperador Nero. Às vésperas de um momento importante da História Antiga (a primeira ofensiva romana, massacrada por Boadiceia) o Doutor encontra em Leela uma tremenda oposição. A companion simpatiza com a força e ideias de guerreira da rainha e escolhe ficar com ela, quando o Doutor, decidido, resolve partir do local imediatamente.

A maior parte do tempo vemos a ação mudar de um bloco em conflito (bélico, emocional ou ideológico) para outro, lembrando bastante The Romans, pela forma como elenca o Doutor, seus companheiros e uma figura de autoridade daquele tempo. Há um certo exagero na construção de Boadiceia e o início e no final da trama, que nos apresenta o evento como uma crônica de Bragnar, a cozinheira salva pelo Doutor, não ajuda muito a dar um bom término para o episódio, embora seja uma aventura realmente muito boa. Talvez seja difícil não ter um pouco de raiva de Leela, na primeira parte, mas depois nós entendemos o tamanho da fidelidade, amizade e senso de justiça que ela possui, mesmo com sua personalidade e ações majoritariamente selvagens.

The Wrath of the Iceni (Reino Unido, março de 2012)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: John Dorney
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Ella Kenion, Nia Roberts, Michael Rouse, Daniel Hawksford
Duração: 73 min.

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Energy of the Daleks

1X04

estrelas 3

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Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: The GlobeSphere e Base Lunar
Tempo: 30 de Janeiro de 2025

Certo. História com os Daleks. Como sempre, grandes expectativas e como sempre, épicos planos de dominação. Também, como sempre, chegamos à conclusão de que seria mais interessante termos histórias na linha de O Efeito de Propagação ou Into the Dalek do que essa megalomania típica deles, da qual já estamos cansados. E penso que aí reside o principal problema dessa aventura. Embora o roteiro de Nicholas Briggs não seja ruim, ele não fez nada de diferente para tornar essa dominação mais interessante para o espectador. O resultado é um bom momento de Leela conhecendo os Daleks, um encontro do 4º Doutor com esses vilões (eles se encontraram pouco na TV) e um pouco sobre o futuro da Terra e seu sempre presente problema de geração de energia.

Por se tratar de um futuro próximo da Terra, é claro que muitos elementos de nosso tempo apareceriam na jogada, e este é um dos lados mais interessantes do texto. Hologramas, computadores e centros e pesquisa fazendo vir à tona a raiva popular, que enche as ruas com gigantescos protestos, é algo que conhecemos bem (não de hoje) e que certamente nos dá um curioso senso de pertencimento.

Considerando as aventuras que o Doutor e Leela estavam tendo antes desse encontro, é muito bom ver como a dinâmica dos dois muda quando temos um espaço de maior ameaça e um tempo onde é mais difícil encontrar meios para combater um inimigo do porte dos Daleks. A tortura de Leela, a busca dos saleiros de Skaro pelo Doutor, o “companheiro temporário”, a pequena “guerra de instituições”… tudo isso se aglutina em um cenário crível para a invasão dos Daleks à Terra (mais uma), porém, como apontei antes, apesar da construção majoritariamente válida, há pouca coisa nova e instigante aqui, daí a sensação de já termos visto essa história antes, ou nos arcosa da TV ou no Universo Expandido.

Energy of the Daleks (Reino Unido, abril de 2012)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Alex Lowe, Mark Benton, Caroline Keiff, Dan Starkey, John Dorney, Nicholas Briggs
Duração: 73 min.

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Trail of the White Worm

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estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Derbyshire
Tempo: 1979

Mais um encontro do 4º Doutor com o Mestre e, desta vez, depois do arco The Deadly Assassin. Naquela ocasião, víramos o nêmesis do Doutor em um “corpo cadáver”, mas de alguma forma, ainda reconhecível. Aqui há uma explicação inicial (que se complementaria na aventura seguinte) sobre o por quê ele parece tão diferente da versão que veríamos na TV em The Keeper of Traken.

O ambiente de conspirações típicas da Guerra Fria é muito bem explorado pelo roteiro, que mescla lendas populares de cidades pequenas do interior e uma real ameaça, encabeçada pelo Mestre, utilizando a tal minhoca do título. A ação se passa no Reino Unido, no final dos anos 70, e até a UNIT é citada no final, o que faz com que lembremos bastante do início da era do 4º Doutor ou dos áureos tempos do 3º Doutor e sua relação de amor birra com o Brigadeiro e todo o pessoal da UNIT.

Leela faz um ótimo papel de assistência ao Doutor — tomando iniciativas que salvam a todos e fazendo coisas que fogem ao simples “acompanhar” o Time Lord” — e também de criadora de sua própria trama, assumindo as rédeas de situações em que aparece sozinha lutando contra algum inimigo, questionando coisas ou sendo questionada. É interessante a forma como o Mestre se apresenta para ela e como ela entende e lida com ele até o fim dessa jornada, que, na verdade, não termina, pois a trama se liga imediatamente ao arco seguinte, The Oseidon Adventure.

Jogando com o cânone da série, dando interessantes explicações e trazendo um excelente desenho sonoro, com ótimas edição e mixagem, esse episódio reintroduz o Mestre na série a partir de um plano que parece batido demais, mas que tem sua graça por todo o contexto em que nos é apresentado. Uma história meio nojenta e com um ótimo cliffhanger.

Trail of the White Worm (Reino Unido, maio de 2012)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Alan Barnes
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Geoffrey Beevers, Michael Cochrane, Rachael Stirling, John Banks, Becci Gemmell, Mark Field
Duração: 57 min.

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The Oseidon Adventure

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estrelas 4,5

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Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Derbyshire / Planeta Oseidon
Tempo: 1979

Maravilhosa, esta aventura escrita por Alan Barnes e dirigida por Nicholas Briggs! Aliás, parece que os Kraals possibilitam esse impulso para grandes roteiros, vide o excelente arco The Android Invasion e todo o instigante jogo de crise de identidade que ele nos sugere. Aqui acontece exatamente a mesma coisa, com muitas ações do Doutor e do Mestre para evitar que um e outro sejam pegos no meio dessa criação de cópias de si mesmos. O problema é que ainda segue o drama da minhoca de Trail of the White Worm e o Mestre, que já estava mais desgastado no arco anterior, tem aqui a sua aparência formalmente definida para aquela versão que conheceríamos em Traken.

Como é comum em grandes histórias, o texto não se fixa em um ponto só e não se recusa a explorar com profundidade os personagens, dando a eles todos os motivos para agirem de maneira “X” dentro de determinadas situações e mostrando que é possível fazer uma aventura com grandes vilões em jogo e ainda assim conseguir resultados impressionantes para os dois lados, não escanteando os inimigos, nem o Doutor e nem sua companheira.

Leela parece muitíssimo mais madura e, como já havíamos observado antes, há muito mais ações individuais para ela nessas histórias do que de fato tínhamos na TV. Como o objetivo central do Mestre aqui é arranjar um meio para se regenerar — visto que seu ciclo se esgotara — a partir de um buraco gerado pela minhoca até o inabitável planeta Oseidon (lar original dos Kraals), o espectador volta e meia se depara com o plano atrás do plano, mostrando variações de como isso seria possível mas nunca tirando o modo desajeitado e desastroso que o Mestre tinha na Série Clássica (ou, na verdade, que sempre teve?).

Não havia melhor forma de terminar a temporada do que com um drama de crise de identidade, protagonizado pelo grande espelho contrário do Doutor e por um vilão que dá a abertura para excelentes truques de verdade e mentira sobre personalidades ou androides-cópia de alguém. Além de tudo isso, terminamos a jornada com uma cômica cena de Leela e o Doutor com um cavalo, digna dos pequenos mistérios do Doutor, para espanto de sua selvagem companion. Que fantástico fim de temporada!

The Oseidon Adventure (Reino Unido, junho de 2012)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Alan Barnes
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Geoffrey Beevers, Michael Cochrane, Dan Starkey, John Banks
Duração: 57 min.

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Night of the Stormcrow

Bônus: Lançamentos Especiais

estrelas 4

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Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Monte McKerry, Ilha St. Alban, no Oceano Pacífico
Tempo: 5 de Junho de 2014

Ilhas — ainda mais as pequenas — são lugares que sempre causam algum receio ou abrem as portas para bons dramas claustrofóbicos e mergulhados (ou próximos) ao terror. Nessa história, o Doutor e Leela chegam a uma ilha do Pacífico onde experimentos científicos estavam sendo feitos. A entidade Corvo da Tempestade (ou ‘No Things’, como o Doutor as chama) é o vilão da vez e tem uma concepção assustadora, dominando as pessoas e devorando o tempo, fazendo a hora passar mais rápido que o normal e tornando os ambientes onde está, bem mais frios.

Tenho grande apreço por roteiros que conseguem criar algo coerente com personagens em um pequeno espaço para mobilidade. Escrever coisas assim é difícil, porque o fator do medo precisa ser bem inserido, os personagens em cena não podem ficar ociosos, senão o texto despenca, e todo o cenário, por menor que seja, precisa ser explorado a contento. Aqui, quase todos esses critérios são atendidos. Há uma pequena brecha no desfecho da aventura, que desacelera o ritmo; e um pouco de estranheza na condução dos destinos das pessoas possuídas, mas nada que diminua drasticamente a qualidade do episódio.

Um lugar com um observatório; cientista e investidor de um projeto brigando pelo domínio das descobertas; funcionário covarde que faz de tudo para se livrar do medo que tem e, claro, Leela exercendo com muita braveza a sua identidade — que vem bem a calhar nessa aventura — são os destaques aqui. O final não é feliz, mas de alguma forma, há um ganho para “os que ficaram”. Isso, até que o Corvo resolva voltar…

Night of the Stormcrow (Reino Unido, dezembro de 2012)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Marc Platt
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Chase Masterson, Ann Bell, Jonathan Forbes, Mandi Symonds
Duração: 77 min.

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String Theory

Short Trips: Bônus

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Nova York / Cremona / Connecticut
Tempo: 1936 / Século XVIII / 1985

Quem diria que em algum momento das viagens do Doutor e Leela, o “Bolsa Educa-Selvagem” funcionaria! E que bom momento para esse projeto funcionar! Em uma história que se passa após os eventos de Night of the Stormcrow, o espectador vê o Senhor do Tempo e sua companheira assistirem a um belo concerto para violino, de Bach, tocado pela Filarmônica de Nova Iorque, no Carnegie Hall, tendo o músico polonês Bronisław Huberman como solista. Para quem conhece a história real, sabe que existe o roubo de um violino Stradivarius em cena e que a história da revelação do ladrão é ainda mais interessante. Não vou me estender com isso, pois os dados são facilmente encontrados na internet. Mas é interessante perceber como um bom roteiro consegue tirar desses fatos históricos elementos, brechas e relações que não tínhamos percebido para encaixar o Doutor. Depois de uma sequência de histórias com muitos aliens, é ótimo ter algo na linha de investigação terráquea, com problemas terráqueos, para variar. Uma aventura sobre música, sobre violinos históricos e um roubo musical histórico. Não fosse pela pequena confusão que o autor faz com a TARDIS antes da visita ao Sr. Antonio Stradivari, esta seria uma Short Trip ainda melhor.

String Theory (Reino Unido, fevereiro de 2015)
Direção: Não informado
Roteiro: Kini Brown
Elenco: Stephen Critchlow
Duração: 35 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.