Crítica | Doctor Who – Big Finish Mensal #1 a 3

The Sirens of Time

A série mensal de Doctor Who na Big Finish é conhecida como Doctor Who Main Range ou Doctor Who Monthly Releases ou Big Finish Mensal ou ainda, Doctor Who Mensal: Big Finish e traz, como o próprio nome diz, audiodramas mensais e inéditos com algum Doutor e algum companion. Não há nenhuma critério — fora a agenda dos atores — que defina qual Doutor deverá aparecer na aventura seguinte.

Dessas publicações mensais excluem-se qualquer aventura não protagonizada por um Doutor (ou seja, todos os spin-offs de DW na Big Finish) e as séries temáticas ou destinadas a um Doutor específico, como The Lost Stories, The Companion Chronicles, The New Eighth Doctor Adventures ou The Fourth Doctor Adventures. Também não incluímos na série mensal as publicações Especiais como The Light at the End ou Destiny of the Doctors, por exemplo. Ou ainda, as aventuras gravadas para acompanharem a Doctor Who Magazine. Cada uma dessas séries possuem classificação específica.

A Doctor Who Mensal começou a ser publicada em julho de 1999, e não tinha a nomenclatura de mensal à época. Sua edição #01, The Sirens of Time, um episódio protagonizados pelos Doutores 5, 6 e 7, foi um sucesso tremendo (não pela qualidade, porque a massa whovian não gosta muito do episódio, mas pela promessa que fazia surgir no horizonte), o que impulsionou a Big Finish a tornar Doctor Who o foco principal de suas produções em áudio (embora não seja o único, é o mais vendido e o que mais possui spin-offs, séries temáticas e lançamentos especiais na produtora).

A presente publicação traz críticas para as 3 primeiras aventuras dessa principal série em áudio de DW. A publicação das edições aqui comentadas ocorreu entre julho e dezembro de 1999.

Como as capas originais para as primeiras venturas da Big Finish são terrivelmente feias, busquei alternativas entre fanarts da série e as que mais gostei foram as criadas por theDoctorWHO2 e Simon Hodges, disponibilizadas no Deviantart. São essas capas que utilizei para fazer a montagem em destaque e colocar como ilustração das aventuras abaixo.

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The Sirens of Time

BF #001
Series Premiere
estrelas 3

The Sirens of Time

Equipe: 5º Doutor, 6º Doutor, 7º Doutor
Espaço-tempo: Capitólio de Gallifrey (os três Doutores) / Submarino alemão U-20, Oceano Atlântico, 7 de maio de 1915, (segmento do 5º Doutor) / Planeta não nomeado, 3562 (segmento do 7º Doutor).

Aqui começa toda a longa jornada da Big Finish em sua série principal de DW e devo dizer que este primeiro passo é ambicioso demais para o momento de estruturação que a produtora vivia. Com roteiro de Nicholas Briggs, a trama nos apresenta uma série de eventos organizados de maneira confusa, com personagens (como a cigana ou bruxa do início) que, de repente, somem de cena e sequer são explicados depois ou durante a história. Junte-se a isso o fato de a história ser dividida em alguns segmentos, do Capitólio de Gallifrey a um submarino alemão em plena I Guerra Mundial, uma TARDIS que tranca o 5º Doutor para fora e o separa de Turlough e Tegan, e, para mostrar que a trama também tem algo bom, a participação quase divina de Colin Baker na história, sensacional da primeira à última sílaba que pronuncia.

A ameaça aqui é direta a Gallifrey, e coloca em cena um inimigo difícil de ser percebido ou preso no início. Há todo um jogo de “captura” dos Doutores e algumas revelações que são interessantes a partir do terceiro capítulo. A fábrica do espaço-tempo ameaçada e três Doutores diferentes com problemas em três distintas linhas temporais são os pontos críticos da história, que distende um pouco a tensão quando os Time Lords se encontram e unem forças para enfrentar o inimigo. Também há momentos engraçados e de piadas internas com encarnações que sempre são interessantes em Doctor Who.

Com citações a aventuras passadas e diante de uma ameaça temporal de peso, The Sirens of Time é um bom começo para uma série, mas não é nem de perto aquilo que as produções da Big Finish ou suas melhores histórias iriam se tornar. Funciona como abertura e diverte o espectador, mas está longe de ser uma grande história.

The Sirens of Time (Reino Unido, julho, 1999)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: Peter Davison, Colin Baker, Sylvester McCoy, Andrew Fettes, Anthony Keetch, Michael Wade, Sarah Mowat, Maggie Stables, Colin McIntyre, John Wadmore, Mark Gatiss, Nicholas Briggs, Nicholas Pegg
Duração: 4 episódios de 30 min.

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Phantasmagoria

BF #002
estrelas 2

Equipe: 5º Doutor, Turlough
Espaço-tempo: Londres, 1702

Sinceramente, não consigo entender por quê os fãs gostam tanto dessa história e simplesmente desprezam The Sirens of Time. Fora a contextualização interessantíssima do local, não consegui me divertir quase nada com essa história, cuja principal linha de ação é de um jogador alienígena que está reconstruindo a energia de sua nave na Terra através de downloads de informações e energia das pessoas que tocam em suas cartas de baralho. Daí a sua frase clássica para o Doutor, quando, enfim, se encontram: “Eu nunca perco um jogo, Doutor“.

O roteiro de Mark Gatiss constrói uma atmosfera macabra com eficiência, mas isso vai se perdendo ainda no final do primeiro episódio. A história não conseguiu, pelo menos para mim, alcançar sequer um nível aceitável de diversão. Não ri uma única vez, não consegui entender as motivações principais de tudo o que estava acontecendo na história e, principalmente, achei errônea a opção de Gatiss em separar Turlough do Doutor e o colocar ao lado de uns londrinos que em nada acrescentam à história e que mais nos chateiam do que qualquer outra coisa.

O que se salva, e com bastante louvor, é a excelente produção técnica da Big Finish, que acerta na ambientação perfeita para o tipo de história passada no século XVIII. É possível se transportar tranquilamente para o local, com todos os barulhos de cascos de cavalos, carruagens, cães latindo, relógios com um tic-tac aterrador. Em relação ao elenco, Peter Davison e Mark Strickson são os destaques do arco, especialmente o companion.

Phantasmagoria tem um motivo dramático interessante, brinca com a questão da conversa com os mortos e coisas do tipo, mas não consegue se segurar bem como história. Definitivamente este não é um dos roteiros memoráveis escritos por Mark Gatiss.

Phantasmagoria (Reino Unido, outubro, 1999)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Mark Gatiss
Elenco: Peter Davison, Mark Strickson, David Ryall, Steven Wickham, David Walliams, Jonathan Rigby, Mark Gatiss, Jez Fielder, Julia Dalkin, Nicholas Briggs
Duração: 4 episódios de 22 min.

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Whispers of Terror

BF #003
estrelas 4

Equipe: 6º Doutor, Peri
Espaço-tempo: Museum of Aural Antiquities (Planeta não nomeado), c. 2295

Esta história fecha o ano de 1999 para a Big Finish e sua série principal de Doctor Who. A média do ano foi bastante positiva, apesar de as duas primeiras histórias, especialmente a de Mark Gatiss, não terem sido tão boas quanto esta. A produtora lançou, em suas três primeiras publicações, a semente daquilo que seria a partir de 2000, a maior referência de publicações extra-TV de Doctor Who, um título nada fácil de se conquistar mas que a BF alcançou e conseguiu manter, com progressivos índices de melhora e novidade, nos anos seguintes.

Whispers of Terror é uma espécie de A Conversação para o 6º Doutor, e acredito que Justin Richards pegou muitos elementos emprestados do filme de Francis Ford Coppola para escrever o roteiro. É claro que não se trata de uma situação tal e qual à obra cinematográfica, mas a dinâmica é exatamente a mesma e todo o caminho de investigação percorrido, os assassinatos e as ameaças estão aqui, contando ainda com um perigoso adendo: a ambição política.

O início da trama é uma excelente comédia do Doutor ao lado de Peri e a chegada da TARDIS ao Museum of Aural Antiquities. A pesquisa e a manipulação de som realizada e armazenada no local é o ponto de partida para a manifestação de uma criatura que consegue se fazer presente em qualquer manifestação sonora. A isso somam-se a intenção de manipulação de um discurso político a ser exibido para a população de uma cidade, a tentativa de fraudar eleições através de tal atitude e, a partir daí, instaurar um governo de “mão forte”.

A reflexão é interessantíssima e traz discussões de peso como a frequente escolha política estúpida da população, a impossibilidade de melhora obedecendo a roda comum do sistema democrático básico e todo o jogo de ascensão e intenção de poder que pode marcar a vida de alguém. Whispers of Terror é um excelente conto político com ótima incursão de um alienígena “diferente”. Além disso, temos Colin Baker atuando e isso quer dizer: “uma performance louvável, como sempre”. Nicola Bryant não faz feio e também realiza um ótimo trabalho ao lado de Baker, marcando de maneira bastante forte, cômica e parceira a relação de sua personagem com o Doutor.

Com Whispers of Terror, a Big Finish fechou o ano de 1999 com chave de ouro e já fundia uma outra chave do mesmo material para utilizar no ano seguinte.

Whispers of Terror (Reino Unido, novembro, 1999)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Justin Richards
Elenco: Colin Baker, Nicola Bryant, Lisa Bowerman, Peter Miles, Rebecca Jenkins, Hylton Collins, Matthew Brenher, Mark Trotman, Steffan Boje, Nick Scovell, Harvey Summers, Justin Richards, Jacqueline Rayner
Duração: 4 episódios de 30 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.