Crítica | Doctor Who – Big Finish Mensal #4 a 6

The Land of the Dead

Continuamos aqui com a publicação das críticas para a série principal de Doctor Who na Big Finish, desta vez, trazendo os volume #4 a 6 da série. O período de lançamento dessas histórias vai de janeiro a abril de 2000.

A arte das capas é de Simon Hodges.

The Land of the Dead

BF #004
estrelas 2,5

Equipe: 5º Doutor e Nyssa
Espaço-tempo: Alasca, 1964 e 1994

Algumas histórias em Doctor Who são simplesmente incompreensíveis. Por mais que vejamos esforço do roteirista em criar um ambiente aceitável para uma aventura, algumas vezes, essa intenção falha e o resultado pode ser algo muito, muito estranho, como é o caso dessa aventura ambientada no Alasca.

O Doutor e Nyssa chegam ao Estado americano em 1964, quando uma pesquisa arqueológica estava em andamento. Eles presenciam o que seria um acidente mortal e, em seguida, partem com a TARDIS e pousam no mesmo local, só que 30 anos depois. Conforme o roteiro avança, percebemos que reminiscências do passado vêm à tona; dois amigos que perderam os pais na mesma escavação arqueológica agora fazem suas próprias pesquisas e busca de exoesqueletos e uma força sobrenatural também aparecem na história, que, com a chegada do Doutor passa a ter contornos trágicos.

A produção da BF é interessantíssima, especialmente na criação de um ambiente assustador. A ameaça dos dinossauros que voltam à vida tem mais força nos efeitos sonoros do que no próprio roteiro.

O término nos traz uma paz amarga, com a morte de um dos envolvidos já a bastante tempo com esse ambiente “espiritual” e uma partida pouco interessante do Doutor e Nyssa. Pouco sobra de notável do roteiro. Temos uma boa investida nos sentimentos dos personagens em cena, uma estranha relação de amizade, a colocação de tradições e medos dos nativos do Alasca e suas lendas, mas não há charme algum. A ameaça é interessante mas o caminho em que a vemos contextualizada nos deixa, no mínimo, indiferentes.

The Land of the Dead (Reino Unido, janeiro, 2000)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Stephen Cole
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Lucy Campbell, Alistair Lock, Christopher Scott, Neil Roberts, Andrew Fettes
Duração: 4 episódios de 25 min.

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The Fearmonger

BF #005
estrelas 3,5

Equipe: 7º Doutor e Ace
Espaço-tempo: Londres, 2002

Uma candidata ao Parlamento pelo New Britannia Party que defende políticas anti-imigração. Um apresentador de rádio que vê em tudo um motivo interessante para ganhar audiência e “furos de reportagem”. Uma criatura que se hospeda nas pessoas e usa os seus medos, canalizando-os e fazendo-os crescer a tal ponto, que se tornam uma ameaça para a pessoa, que começa a ver o mal e todas as outras quando na verdade o mal está nela. O Doutor e Ace rastreiam essa criatura e vivem momentos de grande tensão em meio a detenções, brigas políticas, publicidade, terroristas e teorias da conspiração.

The Fearmonger é uma intrigante aventura do 7º Doutor, com muitas características marcantes de sua Era na TV e com uma tensão constante em relação ao monstro causador de medo. Jonathan Blum consegue criar uma ótima atmosfera em cada um dos episódios, apresentando-nos uma história urbana e de caráter plural, passando pelo social, pelo poder da mídia, pelo terrorismo político e pelo contato que alguns humanos parecem ter com coisas sobrenaturais.

As interpretações de McCoy e Sophie Aldred são excelentes, assim como a ótima produção da BF. Há uma boa alternância de sons internos e externos ao estúdio do radialista, algo difícil de se fazer em pequenos blocos e com uma ação constante em cena, mas que saiu de forma perfeitamente orgânica e com excelente montagem em toda a aventura. Além disso, o trabalho com a voz do Fearmonger mesclada à voz de suas cobaias é medonho e cai bem à atmosfera que os episódios nos traz, crescendo ou diminuindo em dado ponto da história e chegando ao clímax com uma boa e angustiante surpresa para o espectador.

The Fearmonger (Reino Unido, fevereiro, 2000)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Jonathan Blum
Elenco: Sylvester McCoy, Sophie Aldred, Jacqueline Pearce, Mark Wright, Mark McDonnell, Vince Henderson, Jonathan Clarkson, Hugh Walters, Jack Galagher, John Ainsworth
Duração: 4 episódios de 26 min.

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The Marian Conspiracy

BF #006
estrelas 5

Equipe: 6º Doutor, Dra. Evelyn Smythe
Espaço-tempo: Sheffield (Reino Unido), 2000 / Londres, janeiro de 1555

A apresentação de novos companions pode ser algo complicado em Doctor Who, especialmente com um histórico tão longo do Doutor em relação às suas viagens e companhias ao longo dos anos. Mas uma coisa tem ficado bem clara durante todo esse tempo: arcos de constituição histórica têm sido um caminho bastante seguro para trazer novas pessoas à TARDIS, mesmo que essa constituição histórica comece no tempo presente, como é o caso da maravilhosa Dra. Evelyn Smythe, historiadora e conferencista especialista em Era Tudor e que se torna companion do Doutor nessa aventura.

No começo, o Doutor atrapalha a conferência da Dra. Evelyn, que carrega em si um Temporal Nexus Point. Depois de uma apresentação hilária, calorosa e que captura perfeitamente bem o espírito do 6º Doutor, Evelyn, uma professora de  55 anos, torna-se sua companion, em uma viagem para Londres, em meados do século XVI. Não existem aliens envolvidos na história, apenas uma ruptura temporal que o Doutor vai tentar consertar tendo ao seu lado a pessoa que carrega a ruptura em si mesma: a timeline de Evelyn está desaparecendo, o que pode fazer com que ela também desapareça.

A trama de Gary Russell é rica em referências históricas, demarca muitíssimo bem o conflito entre católicos e protestantes (com direito a prisões, promessas de morte na fogueira e decapitações) e nos dá uma versão diferente da rainha Mary I, ou pelo menos nos convida a vê-la de uma forma diferente.

Divertida e de forte personalidade, Evelyn lembra um pouco Barbara, também historiadora, companion do 1º Doutor e que também tinha ideias sobre mudar o curso da história, tentar fazer algo diferente para as pessoas afetadas pelas ações do Doutor, etc. E de uma forma muito interessante (porque nos lembra uma das principais aventuras com Barbara, Os Astecas), essa história termina com a promessa do Doutor em levá-la até o México ou até Havana, para buscar chocolate a fim de que a doutora faça o seu tão alardeado bolo.

Com excelentes atuações, produção e trilha sonora, The Marian Conspiracy foi a primeira obra-prima da Big Finish, uma história de medo, traição e segundas chances.

The Marian Conspiracy (Reino Unido, março, 2000)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Jacqueline Rayner
Elenco: Colin Baker, Maggie Stables, Nicholas Pegg, Anah Ruddin, Jo Castleton, Barnaby Edwards, Sean Jackson, Gary Russell, Jez Fielder, Alistair Lock
Duração: 4 episódios de 27 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.