Crítica | Doctor Who: Dimensions in Time (Children in Need 1993)

estrelas 1

Imagine você, por um minuto apenas, uma espécie de “Criança Esperança” que, no lugar do Didi Mocó, tem não um, não dois, não três, não quatro, mas CINCO Doutores e algo como 13 de seus companions (e aqui eu conto, só para simplificar, o Brigadeiro Lethbridge Stewart nessa lista) como centro das atenções. Imaginou? Pois bem, não é só isso. Imagine agora essa mixórdia misturada com sua novela preferida, digamos, Em Família, só para ficar com uma que está passando no momento em que escrevo a presente crítica. Consegue visualizar?

Agora pegue tudo isso e misture novamente com boas doses de efeitos especiais do mesmo naipe do Star Wars Holiday Special, aquela atrocidade de 1978 que até o George Lucas (veja bem: até ele, que nos trouxe Jar Jar Binks depois e ainda por cima quis nos convencer que o Greedo atirou antes) renegou e se recusa a admitir que um dia ele autorizou sua produção. Mas vocês acham que é só? Isso aqui é que nem canal de venda das facas Ginsu e meias Vivarina: tem mais! Esse especial foi filmado com tecnologia estereoscópica, ou seja, em 3D (!!!) e a audiência original teve que assistir a esse suplício com aqueles tenebrosos óculos de papel celofane azul e vermelho na cara. Se não fosse tão engraçado, seria trágico… Ou seria o contrário?

Isso é mais ou menos o que é Dimensions in Time, um crossover de misericordiosos – mas mesmo assim longos – 17 minutos que foi ao ar em duas partes em 26 e 27 de novembro de 1993, como parte do Children in Need, o “Criança Esperança” da Inglaterra.

Crossover com o que, vocês perguntarão? Com a novela de época EastEnders, famosíssima na Inglaterra, que continua no ar até hoje, tendo mais de 4.800 episódios (sim, isso mesmo que você leu). O resultado dessa sandice? A maior audiência de alguma coisa relacionada com Doctor Who desde 1979 e, até hoje, uma das maiores audiências whovianas e ponto. E sim, 1993 foi a época em que a série estava em seu “hiato”, que começou em 1989 e, portanto, havia um quê nostálgico nessa coisa toda.

A história é extremamente complexa se levarmos em consideração as citações da série – todas perfeitas – e, também, à novela. Mas sou bonzinho e vou simplificar: os Rani abriram um buraco no tempo e conseguiram entrar na linha temporal do Doutor, passando a capturar cada um deles através do tempo. O 4º Doutor avisa aos demais que eles estão em perigo e, a partir daí, uma sucessão de Doutores começa a aparecer para lidar com a ameaça. Quer mais detalhes? Bom, não vai ser aqui que você vai achar, pois meus neurônios fritaram para captar 2% do que eu vi em 17 minutos. Procure assistir esse horror, para entender o que quero dizer.

Se existe um mérito em Dimensions in Time é o de reunir 5 Doutores (o , o , o , o e o , além das cabeças voadoras – sim! – do e do , já falecidos) em uma época em que Doctor Who, para a BBC, era sinônimo de dor de cabeça. E isso sem contar com os companions, incluindo Elisabeth Sladen como Sarah Jane Smith. E é claro, com apenas 17 minutos e uma trama boba, mas galgada no cânone whoviano, dá para perdoar os vilões com máscaras de borracha compradas para o Halloween, as falas escritas por macacos em máquinas de escrever e atuações que os respectivos atores – especialmente os que fazem os Doutores – claramente estão levando a sério demais, o que, para mim, depõe seriamente contra a sanidade mental deles.

Há mais dois elementos que tornam Dimensions in Time razoavelmente importante: é a última aparição de Jon Pertwee como o 3º Doutor, já que ele viria a falecer em 1996 (resta saber se ele não morreu POR CAUSA de Dimensions in Time) e é, até agora, a última aparição de Colin Baker como o 6º Doutor (que deve estar escondido em um canto escuro de sua casa em posição fetal desde então). Ah, e antes que alguém venha me perguntar, Dimensions in Time é canônico. Bom, pelo menos em parte. É que em First Frontier, romance com o 7º Doutor escrito por David A. McIntee e lançado em 1994, o autor explica que Dimensions in Time foi um sonho que o Doutor teve. Sonho é bondade de McIntee, talvez para não ferir os sentimentos da produção do episódio, pois a coisa está muito mais para pesadelo, daqueles que você acorda suado gritando pela sua mãe.

Se você é fã de Doctor Who, mas daqueles que decoram o quarto com tudo sobre o universo whoviano, se veste como os Doutores e já viu absolutamente todos os episódios de toda a cinquentenária série pelo menos três vezes cada um, então, talvez  – só talvez – valha a pena caçar Dimension in Time para assistir.  Ah, e se você fizer isso conscientemente, depois de tudo que escrevi, por favor procure o Luiz Santiago, nosso outro editor-chefe e mestre em tudo que existe sobre Doctor Who e pergunte para ele se você pode partilhar a cela acolchoada dele no Asilo Arkham… Talvez ele até empreste a camisa de força sobressalente dele na cor azul-TARDIS…

Doctor Who: Dimensions in Time – Children in Need 1993 (Idem, Reino Unido – 1993)
Direção: Stuart McDonald
Roteiro: John Nathan-Turner
Elenco: Sylvester McCoy, Jon Pertwee, Tom Baker, Peter Davison, Colin Baker, Sophie Aldred, Carole Ann Ford, Deborah Watling, Nicholas Courtney, Elisabeth Sladen, Kate O’Mara, Samuel West
Duração: 17 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.