Crítica | Doctor Who: A Invasão dos Homens-Gato, de Gary Russell

a-invasao-dos-homens-gatos-doctor-who-plano-critico

estrelas 2,5

Equipe: 2º Doutor, Ben, Polly
Espaço: Cumbria, Inglaterra / Bagdá, Iraque / Queensland, Austrália
Tempo: 1994 (referências a um evento com os aborígenes, em 40.000 a.C.)

A minha primeira reclamação a fazer sobre este negócio originalmente chamado de Invasion of the Cat-People (a espécie também é chamada de Felinetta) é o fato de que não se trata de um livro sobre os tais Homens-Gato. E isso é imediatamente frustrante, porque o conceito de gatos bípedes e sencientes é incrível. Lembrem-se de abordagens na série com espécies afins, como os Cheetah, de Survival e as Irmãs da Plenitude — e sua espécie — de New Earth e Gridlocke vão concordar comigo que isso de meio-gato/meio-humano traz uma mistura interessante na forma física e principalmente no temperamento. Mas o escritor Gary Russell resolveu que nomearia o livro e aprovaria uma capa com os Cat-People em destaque, mas não os destacaria na trama. Vai entender.

A história começa exatamente 3 semanas após a regeneração do 2º Doutor, estando depois do arco The Power of the Daleks e, obviamente, antes da chegada de Jamie ao grupo, em The Highlanders. Só por este fator, o livro merece a leitura. Sim, porque a despeito da história medíocre, é possível que o whovian se divirta um pouco e tenha a oportunidade de ver mais alguma viagem do Doutor com Ben e Polly. Essa viagem tem dois momentos engraçados e mais ou menos reflexivos sobre o momento que o Senhor do Tempo e seus companheiros viviam. Os companions conversam, um pouco desconfiados sobre este “novo Doutor”, e depois há uma excelente discussão onde Ben acusa o Doutor de ter deixado Polly para trás, dizendo algo como “o seu eu antigo não faria isso“, ouvindo imediatamente uma resposta espinhosa do Doutor, na linha popular de “você não sabe o que está falando Ben, fica quietinho“.

Da chegada do grupo com a TARDIS na Inglaterra, em 1994, até começarem a ocorrer coisas estranhas, temos um prólogo e um início de livro lentos, mas capazes de entreter. Quase é possível fazer uma leitura de “ciência versus misticismo” na primeira parte, quando os viajantes se juntam aos estudantes caçadores de fantasmas em uma casa suspeita; mas o conceito se dissipa no decorrer do livro, à medida que os Homens-Gato e os Euterpians são apresentados. Desse momento em diante, é preciso ter bastante paciência, porque o autor irá introduzir nomes, personagens e coisas esquisitas como manipular a realidade cantando (pois é…) até o ponto em que o leitor se perde e tem dificuldade de mentalizar as viagens de um lugar para outro (a ida para Bagdá é a mais grave nesse sentido, mas a estadia no local acaba sendo instigante e divertida pela ação, com direito ao Doutor se disfarçando de uma velha cega para conseguir roubar um certo dispositivo).

invasion-of-the-cat-people-invasao-dos-homens-gato-doctor-who-plano-criticoSinceramente, não consegui entender como Polly alcançou poderes telepáticos tão rapidamente nessa história, a ponto de ser usada duas vezes para um plano não muito interessante para o planeta — um extermínio, em outras palavras. Isso não é, a rigor, um problema, pois pode, com um pouco de suspensão da descrença, ser justificado. Mas mesmo assim é abrupto. Assim como abruptas são as mortes a rodo que ocorrem na parte final do volume, algumas simplesmente estúpidas para a inteligência sugerida de alguns personagens. Fora o Doutor e Polly (Ben é meio esquecido ou minimizado na trama) e Tim, ou Atimkos, nós não nos importamos muito com o restante do pessoal que aparece, de forma que o final acaba tendo um papel de alívio em meio à raiva para o leitor.

A Invasão dos Homens-Gato é um livro sem foco. Ele não destaca o Cat-People do título (isso é imperdoável) e fala de tudo e mais um pouco sem chegar exatamente a um lugar exato, com uma trama que não traz exatamente coisas inesquecíveis para a linha do tempo do 2º Doutor ou para o cânone da série. Ainda assim, penso que é uma saga que vale a leitura pelo time em campo. Mas não espere nenhuma maravilha. O livro é, com muito esforço, apenas mediano.

Doctor Who: A Invasão dos Homens-Gato (Invasion of the Cat-People) — Reino Unido, 17 de agosto de 1995
Autor: Gary Russell
Editora original: Virgin Books
256 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.