Crítica | Doctor Who: Ninho de Vespas e Questão do Demônio

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A série Ninho de Vespas (Hornets’ Nest) foi produzida pela BBC Audio em setembro de 2009 e contou com 5 episódios. O título marcou o retorno de Tom Baker aos áudios originais de Doctor Who. Suas primeiras (e últimas) participações nessa mídia da série haviam sido em Doctor Who and the PescatonsExploration Earth, ambas de 1976. Também temos o retorno de Richard Franklin, como o Capitão Mike Yates, em parceria pela primeira vez com o 4º Doutor, ao menos de seu ponto de vista. Aqui também trago outras aventuras da BBC Audio, dentre elas, todos os 5 episódios do arco Questão do Demônio (Demon Quest), a sequência desse Ninho de Vespas, mais alguns outros contos do 4º Doutor.
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The Stuff of Nightmares

Hornets’ Nest #1

estrelas 4

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Equipe: 4º Doutor, Mike Yates
Espaço: Sussex, Inglaterra
Tempo: 2008

Mike Yates viaja até Sussex, para atender a um anúncio de jornal muitíssimo específico, que só poderia ser direcionado a ele, pois procurava “um Capitão do Exército aposentado, tolerante a excentricidades e a fortes opiniões científicas; além de conhecimento de larvas gigantes [referência a The Green Death], aranhas inteligentes [referência a Planet of the Spiders] e monstros pré-históricos [referência a Invasion of the Dinosaurs]”. Como não vestir a carapuça, depois dessa? Na mansão Nest Cottage, Mike Yates encontra o Doutor e uma raivosa empregada, Mrs. Wibbsey, que o leva até o Doutor.

Após uma longa conversa sobre momentos do passado e atualizações sobre o presente — mais a notável presença de Captain, um cachorro selvagem medieval, acompanhando o Doutor –, o Time Lord diz a Mike que precisa de ajuda para lidar com algo “diferente”, mas não dá detalhes. As coisas começam a mudar no jantar, quando uma doninha empalhada ataca o Doutor e Mike dá um tiro nela, começando uma cadeia de eventos que trará à tona as vespas, que então possuíam o corpo/cérebro desses bichos inanimados.

O Doutor explica a Mike o que aconteceu até aquele momento, como as vespas foram parar dentro dos animais empalhados — um acordo que elas fizeram com o Doutor: ficavam dentro dos animais empalhados, que ficavam dentro da casa e eram controladas mentalmente pelo Time Lord –, mas a atitude de Mike despertou a ira do enxame, que passa a perseguir a dupla pela casa, até que eles se trancam no porão e o Doutor começa a contar histórias que o levaram até ali, enquanto ele pensa em algo que possa ajudá-los a sair daquela situação. Um ótimo início de “jornada oficial de companion” (que não será um companion, pois ele não sai da mansão), se é que podemos colocar nesses termos.

The Stuff of Nightmares (Reino Unido, 3 de setembro de 2009)
Direção:
Kate Thomas
Roteiro: Paul Magrs
Elenco: Tom Baker, Richard Franklin, Susan Jameson, Daniel Hill

Return of the Spiders faz parte da antologia More Short Trips (1999). Para o 4º Doutor, Romana e K9, as coisas sempre são muito complicadas. Essa história começa com uma boa cena de um jantar que dá errado. Entram em cenas terríveis aranhas — que são o pesadelo do Doutor, depois de Planet of the Spiders — e ele e Romana lutam contas as feiosas usando hipnose e, no final, fechando um acordo com duas que sobraram, prometendo levá-las para o planeta Arachnos. No final, o Doutor meio que “rouba” para ganhar a aposta que Romana fez com ele, dizendo que esses coisas sempre aconteciam, por isso não eram “incomuns”, como a companion tinha dito que aconteceria. [Gareth Roberts. 3/5]

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The Dead Shoes

Hornets’ Nest #2

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Mike Yates
Espaço: Sussex, Inglaterra / Cromes, Norfolk, Inglaterra
Tempo: 2008 / 1932

Uma pena que essa história tenha bem menos do Capitão Yates (ou Sr. Yates, como ele gosta de ser chamado — com razão, visto as condições que o colocaram para fora da UNIT, durante o evento dos dinossauros) do que eu esperava. Mesmo assim, trata-se de uma boa história, porque nos apresenta algumas semelhanças com o presente do Doutor e seu mais novo companheiro. O Senhor do Tempo e Mike ainda estão presos no porão, esperando o dia amanhecer, já que à noite é quando os animais empalhados controlados pelas vespas ficam mais ativos, dando uma sensação de continuidade interessante, pois mostra essas mesmas vespas na cidade litorânea de Cromes, na Inglaterra, em 1932. Assim como a atual empregada da Nest Cottage, Mrs. Wibbsey, que é curadora de um museu, nos anos 30.

Existem motivos musicais nessa história, um inclusive citado pelo Doutor (Oh, I Do Like to Be Beside the Seaside) e a Dança da Fada do Açúcar, do balé O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky — que o Doutor afirma que era uma “companhia muito boa”. Quando o Museu das Curiosidades entra em cena e o Doutor faz amizade com Ernestina Stott o tom da história muda um pouco se torna mais ágil, com um pouquinho menos de humor e mais coisas sérias para serem resolvidas, como o fato de estar sendo perseguido por bonecas animadas de uma casa de pesadelos e o familiar som e vespas pelo local, algo ligado a uma de suas investigações que parece ter muito mais conexões do que ele esperava.

The Dead Shoes (Reino Unido, 8 de outubro de 2009)
Direção:
Kate Thomas
Roteiro: Paul Magrs
Elenco: Tom Baker, Richard Franklin, Susan Jameson, Clare Corbett, Christian Rodska

Doctor Who and the Pescatons. Esta história tem um significado importante para o Universo Expandido de Doctor Who. Trata-se do primeiro audiodrama oficial licenciado baseado na série, e uma de duas ocasiões em que Elisabeth Sladen esteve ao lado de Tom Baker nesse tipo de mídia (a outra foi em Exploration Earth). A trama se passa em dois lugares, Londres, do século XX e Planeta Pesca, no século XV. Criaturas semelhantes a tubarões (os Pescatons) chegam à terra em naves que são confundidas com meteoritos, e estão procurando um lugar para morar, pois seu planeta, que há milhares de anos abrigava vida marinha, está se aproximando demais do sol. A trama se desenvolve com luta em duas frentes e tem um final cruel, remetendo ao fato do Doutor saber tocar flauta, e com raízes em Fury From the Deep. Há um grande incômodo moral no final, quando o plano do Doutor e do Professor Emerson dá certo e Zor, o líder dos Pescatons é desintegrado, assim como toda a raça de Pescatons. Pois é. Um genocídio. [Roteiro: Victor Pemberton. 3,5/5]

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The Circus of Doom

Hornets’ Nest #3

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Mike Yates
Espaço: Blandford, Inglaterra
Tempo: 1832

Aventura circense, com toda a pompa e circunstância. Procurando comprar alguns doces em uma época em que ainda não haviam inventado jelly babies (pobre Doutor!) nosso viajante espacial favorito parece preso em uma sequência de eventos envolvendo as vespas, tema principal de todo esse serial. Há referências à trama no Museu de Curiosidades e uma espécie de “fechamento do cerco”, quando o Doutor se vê no circo e deverá também ter o seu papel em um espetáculo comandado por Antonio, um anão que em sua adolescência havia tido uma “visão” (a TARDIS do Doutor, controlada pelas vespas, algo que será melhor desenvolvido no arco a seguir) e foi desde então dominado por esses animais, tendo o seu tempo de vida aumentado e seguindo em trabalho com um circo assustador, criando novas oportunidades de possessão e crescimento da população de vespas. Segue o encontro do Doutor com o enxame e a constatação de que eles voltariam a se encontrar no passado e/ou no futuro.

The Circus of Doom (Reino Unido, 8 de novembro de 2009)
Direção:
Kate Thomas
Roteiro: Paul Magrs
Elenco: Tom Baker, Richard Franklin, Susie Riddell, Michael Maloney, Jilly Bond, Stephen Thorne

Exploration Earth. Bom, basicamente temos aqui uma excelente aula de Geologia e Paleontologia envolvendo o Doutor, Sarah e Megron, denominado… wait for it… “High Lord of Chaos, Chief of the Carions and Lords of Chaos”. Assustador, hein? Bom, pelo menos a brincadeira que a BBC fez para utilizar a série como motor educativo sobre a formação da terra funcionou perfeitamente. Já o drama de Megron é bom, mas não exatamente genial ou inesquecível. Como Senhor do Caos, ele se aproximou e “tomou” o planeta, 45 milhões de anos atrás, porque achava bonito o caos em sua superfície. O Doutor e Sarah viajam constantemente no tempo, para adiante, e tentam mostrar para Megron que o caos estava desaparecendo, que havia vida ali, mas o Senhor do Caos não dá ouvidos, até que aceita a proposta do Doutor para um duelo mental, obviamente perdendo, e sendo banido da Terra pelo Time Lord. [Roteiro: Bernard Venables. 4/5]

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A Sting in the Tale

Hornets’ Nest #4

estrelas 5,0

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Equipe: 4º Doutor, Mike Yates
Espaço: Tilling Abbey, Northumbria, Inglaterra / Veneza
Tempo: 1039 / 1768

Uma sensacional aventura, centrada basicamente em uma Abadia medieval e com um trecho em Veneza, no século XVIII, onde uma série de respostas às perguntas deste longo arco começam a aparecer. Sabemos agora que as vespas encontraram o planeta Terra por acaso e que quando essa história acontece (na fase do século XI), elas estão entre nós a apenas três meses. O Doutor faz uma análise de suas jornadas contra diversos tipos de vilão e cita os Trods (The Trodos Tyranny) e uma galeria de outros vilões como Zygons (Terror of the Zygons), Axons (The Claws of Axos), Nestene Consciousness (Spearhead from Space), Kraals (The Android Invasion), Pescatons (Doctor Who and the Pescatons),  Krynoids (The Seeds of Doom), Mandragora Helix (The Masque of Mandragora) e Sutekh (Pyramids of Mars).

A melhor parte de todo o texto está quando as vespas, enfim, entram na TARDIS e existe tanto comparações quanto reflexões do Doutor a respeito de sua nave, além de exploração de alguns cenário realmente muito interessantes, como bibliotecas, piscinas, cachoeiras e outros lugares. A explicação para o cão que vemos no primeiro episódio da série — ele é selvagem, mas após o Doutor tirar as vespas de seu cérebro, o cachorro fica dócil e completamente devotado ao Senhor do Tempo — é muito bonita e o desfecho, novamente “fechando o círculo” é algo muito, muito bom de se ver. Uma aventura divertida e ao mesmo tempo angustiante, a melhor de todo esse arco.

A Sting in the Tale (Reino Unido, 3 de dezembro de 2009)
Direção:
Kate Thomas
Roteiro: Paul Magrs
Elenco: Tom Baker, Richard Franklin, Clare Corbett, Rula Lenska, Susan Jameson

Special Occasions: 1. The Not-So-Sinister Sponge faz parte da antologia Short Trips and Side Steps (2000). O 4º Doutor e Romana estão em um planeta feito inteiramente de doces. Ao chegar, eles percebem que K9 está de mal humor e a companion então descobre que é o aniversário do cão-robô. Ela faz uma breve viagem, sozinha, ao planeta Barastabon, para encomendar um bolo para K9, algo feito pelos famosos Masterbakers of Barastabon. Depois de uma parada complicada com uma aliança feita com o Mestre, os Daleks e os Cybermen, Romana volta para o Doutor e K9, mas antes de cortar o bolo, ele pede gentilmente para não ser comido. [Gareth Roberts, Clayton Hickman. 4/5]

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Hive of Horror

Hornets’ Nest #5

estrelas 4

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Equipe: 4º Doutor, Mike Yates
Espaço: Sussex, Inglaterra
Tempo: 2008

Realmente agradável a conclusão dessa aventura, com a derrota das vespas a partir de um drama misto de investigação e valorização de diversos detalhes (a construção dos cenários e coisas possíveis para serem usadas em cada cena é simplesmente incrível), terminado em um lugar livre dos insetos alienígenas. O Doutor dá o cão selvagem Captain para Mike, para lhe fazer companhia e para que um cuide do outro. O valor de Mike nessa aventura é enorme… é como se ainda precisássemos de provas de que ele é um grande homem e que fez o que fez na era do 3º Doutor apenas por influência mental… Embora eu ainda preferisse que a série abordasse ele e o Doutor viajando por diversos lugares do tempo e espaço, foi muito bom ter essa aventura claustrofóbica, de um único cenário no presente, mas com diversos outros cenários passados do Doutor perseguindo as vespas de outro lugar do Universo, terminando por batalhar contra mortais animais empalhados.

Hive of Horror (Reino Unido, 3 de dezembro de 2009)
Direção:
Kate Thomas
Roteiro: Paul Magrs
Elenco: Tom Baker, Richard Franklin, Susan Jameson, Rula Lenska

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The Relics of Time

Demon Quest #1

estrelas 3,5

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Essa história acontece um ano depois do último evento do arco Ninho de Vespas. O Doutor retorna a Nest Cottage, mas algo que ele não esperava acontece: um componente importante da TARDIS desaparece e tudo indica que a pessoa que roubou certamente queriam culpar a empregada da casa. A mesma pessoa deixou uma mala com estranhos objetos, cada um deles servindo como uma pista/âncora para um lugar da História e em um tempo distinto. A trama é bem humorada e é muito bom ver Mrs. Wibbsey em um cenário diferente dos zumbidos das vespas. Ela e o Doutor na Bretanha Romana, no ano 64 d.C., tomados por “magos” ou “deuses” e enfrentando um feiticeiro que não é exatamente quem diz, abre as portas para muitas e boas possibilidades. [Roteiro: Paul Magrs]

The Demon of Paris

Demon Quest #2

estrelas 3,5

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Uma aventura com o melhor da Paris da década de 1890. Há passagens pelo Moulin Rouge, pelo cemitério de Montmartre, ligações com o pintor Toulouse-Lautrec e a certeza de que a pintura parecida com o Doutor que levou ele e Mrs. Wibbsey até ali não era apenas uma coincidência. Em uma trama com garotas “da noite” — ou apenas bon vivant — desaparecidas, um pouco do passado de Mrs. Wibbsey e as primeiras ações realmente firmes do Demon, nesse arco (enfim é válida a denominação de Demon Quest) deixa tudo ainda mais intrigante. [Roteiro: Paul Magrs]

A Shard of Ice

Demon Quest #3

estrelas 4

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O Doutor e Mrs. Wibbsey estão de volta a Nest Cottage, contando suas aventuras a Mike Yates em um jantar descontraído. Essa história evoca claramente a tag de contos de fadas e a presença do Demon, antagonista do arco Demon Quest, recebe uma boa dose de dualismo dentro desse Universo de faz-de-conta (ou de bons contadores de história). O Doutor toma como ponto de partida o nosso conhecimento de Colony in Space, de modo que é preciso ter visto esse arco para embarcar com tudo nessa história. Nota: a atmosfera de Murgin Pass, na região dos Alpes, onde tudo acontece, é simplesmente maravilhosa! [Roteiro:Paul Magrs]

Starfall

Demon Quest #4

estrelas 3,5

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Penúltima história do arco Demon Quest, agora com Mrs. Wibbsey e Mike Yates como companions. A trama se passa em 1976, no Central Park, em Nova York, e tanto um meteorito (que dá poderes especiais a Alice Trefusis) quanto a TARDIS chegam à cidade para mudar as coisas. Há referência à Era de Prata dos quadrinhos (eu gostei muito disso), muita narração (me pergunto se realmente todos esses detalhes de cenário e ações correntes são necessárias, já que coisas muito melhores poderiam ser feitas com mais diálogos…) e mais uma ação do Demon puxando o Doutor e seus companheiros para um lugar misterioso, antes do encontro final. [Roteiro: Paul Magrs]

Sepulchre

Demon Quest #5

estrelas 2,5

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Dois cenários. Um em Nest Cottage, no ano de 2010 e outro em Sepulchre, uma casa construída por Demon em um asteroide, no fim do Universo conhecido. Para a forma como foi iniciado, esse arco Demon Quest talvez decepcione um pouco, dependendo da expectativa do espectador. No meu caso, fico no meio entre o “muito barulho por nada” e o “bom”. Eu gosto muito do clima criado na casa do Demon (terror claustrofóbico puro!), mas confesso que a ligação direta com as vespas não me agradou. Eu entendo perfeitamente o conceito da série e o significado disso para o Universo construído por Paul Magrs nessas histórias, mas penso que tudo funcionaria muito melhor como uma aventura independente de Ninho de Vespas. [Roteiro: Paul Magrs]

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.