Crítica | Doctor Who – O Senhor do Tempo

estrelas 2

Produzido pela BBC e pela FOX, Doctor Who (o filme) foi uma tentativa fracassada de retomar a série que havia sido interrompida em 1989, ainda na encarnação do 7º Doutor. Aproveitando o hype encabeçado pela nova geração de whovians e principalmente a recente divulgação de informações pela internet, pareceu uma boa ideia para as produtoras tentarem reviver Doctor Who, mas… não deu certo. Ainda bem.

E o fato de não ter dado certo deveu-se muito à tenebrosa qualidade do filme, que infelizmente foi adicionado ao cânone do Universo whovian. Por um lado, há dois pontos positivos: o fato de ter tido Paul McGann como 8º Doutor e o fato de não ter se distanciado muito desde a interrupção oficial da série para vermos a regeneração de Sylvester McCoy. O ator não aceitaria participar do filme caso estivesse bem mais velho do que era quando foi filmado pela última vez, em 89, então o filme pelo menos serviu para mostrar o (ótimo, diga-se de passagem) fim de sua encarnação.

A história se passa em São Francisco, em 31 de dezembro de 1999. A data foi sabiamente escolhida para a época, uma vez que já se falava e se temia o “bug do milênio” e inúmeras profecias se espalhavam sobre o que ia acontecer com a humanidade… Localizar o Doutor nesse período da História da foi uma das poucas coisas inteligentes que o roteirista Matthew Jacobs concebeu.

Mas dada a localização e a excelente parte inicial do filme, onde vemos uma TARDIS com um design bem interessante e o Doutor lendo The Time Machine, de H. G. Wells, pouca coisa sobra. A própria concepção do Mestre, que escapa milagrosamente de seus restos mortais e de dentro de uma caixa selada pelo Doutor é um assalto à inteligência e uma falta de imaginação do roteirista. O Mestre não precisava ter aquele período de adequação, de roubar um corpo e de agir dependendo de um humano para conseguir sobreviver. Parecia o prenúncio de um Lord Voldemort.

O estilo Exterminador do Futuro adotado como premissa do filme dá muito certo na concepção técnica (fotografia e direção de arte principalmente), mas detona completamente a história na pessoa do vilão (nesse caso, o Mestre) e a premissa que o move (conseguir o corpo do Doutor porque ele, o Mestre, havia gastado todas as suas vidas). Parece que o roteirista se esqueceu que o Mestre também é um Time Lord e o rebaixou à categoria de vilãozinho de quinta, daqueles que destila maldade gratuitamente. É tenebroso de se ver.

Por sorte temos Paul McGann no papel do Doutor, e é preciso ressaltar que ele faz um trabalho simplesmente fantástico. Desde os primeiros momentos de sua pós-regeneração – uma das melhores já vistas, deva-se dizer –, com montagem paralela mostrando o filme Frankenstein, de 1931, temos um crescimento progressivo, primeiro a perda da memória e depois a lenta recuperação até que tudo se ajusta e ele se vê como 8º Doutor. Sua inocência, inteligência e modo de lidar com o conflito estabelecido pelo Mestre é incrível, o que mostra que pelo menos uma personagem foi bem desenvolvida no roteiro.

Aqui, o Doutor tem Grace como companion, e também a presença antipática e odiosa de Chang Lee, personagem para o qual só tive um pouco mais de simpatia quando li a novelização do filme, que nos mostra um pouco mais sobre ele e sua família e explica decentemente o que foi aquilo que vimos no início do longa.

Doctor Who – O Senho do Tempo, é o patinho feio do material canônico em audiovisual relacionado à série. Não se trata de algo totalmente execrável, até porque tem um ótimo trabalho técnico e dois Doutores muitíssimo bem colocados, mas por outro lado traz uma história insossa, que mais erra do que acerta. É algo que todo whovian precisa ver, até porque só há esse e mais outro registro em tela do 8º Doutor (quem quiser vê-lo mais em ação é só ler os inúmeros livros por ele protagonizados – tem uma série só dele – e ouvir os audiodramas), mas que está longe de ser uma produção que algum fã da série vá se orgulhar.

Doctor Who – O Senhor do Tempo (Doctor Who, EUA, UK, 1996)
Direção: Geoffrey Sax
Roteiro: Matthew Jacobs
Elenco: Paul McGann, Eric Roberts, Daphne Ashbrook, Sylvester McCoy, Yee Jee Tso, John Novak, Michael David Simms, Catherine Lough Haggquist, Dolores Drake, Will Sasso
Duração: 89 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.