Crítica | Doctor Who: O Olhar da Medusa

Tendo assumido os direitos de publicação de quadrinhos de Doctor Who em 2013, a Titan Comics naturalmente se concentrou em projetos envolvendo Doutores da Nova Série, os Décimo, Décimo Primeiro, e Décimo Segundo para ser mais exato. Foi somente em 2016 que a editora decidiu investir também nos Doutores da Série Clássica, começando com a minissérie O Olhar da Medusa, protagonizada pelo Quarto Doutor.

Escrito pela dupla Gordon Rennie e Emma Beeby, com desenhos de Brian Williamson, O Olhar da Medusa acompanha o 4º Doutor e Sarah Jane na Londres de 1887, onde acabam chamando a atenção de uma mulher misteriosa, que tem criaturas semelhantes aos Ciclopes mitológicos como servos. Quando Sarah é sequestrada, o Doutor se une a um velho cientista com teorias sobre viagens no tempo, e à sua filha, para resgatá-lo, ao mesmo tempo em que a companion encontra uma estátua de si mesma na mansão de sua captora, o que pode ser um terrível presságio para o futuro.

Situada durante a 13ª Temporada da Série Clássica, a trama da minissérie capta com perfeição o espírito da era de Philip Hinchcliffe e Robert Holmes à frente do show, ao conferir à narrativa uma atmosfera gótica, usando monstros típicos do imaginário popular, no caso os mitológicos Ciclope e Medusa. A arte de Brian Williamson é competente em acompanhar a proposta gótica do roteiro, especialmente no que diz respeito à ilustração dos cenários, como a caverna na Grécia e a mansão da vilã.

O roteiro de Rennie e Beeby é razoavelmente simples a princípio, mas com alguns pontos de virada bem pensados, envolvendo a petrificação e a ação paralela em dois tempos e espaços diferentes: a Inglaterra vitoriana e uma caverna na Grécia Antiga que serve como o lar do monstro do título. Não chega a ser nada extremamente original dentro das histórias contadas na série, mas é relativamente bem executado. O velho cientista, o Doutor Odiseu e a sua filha Athena (sim, nomes que referenciam figuras míticas gregas) formam uma parceria interessante com o Doutor, com Athena chegando a roubar os holofotes de Sarah Jane como principal personagem feminina da história. O mais interessante desta dupla de pai e filha são como eles estão à frente de seu tempo em suas teorias de viagem temporal (a reação do Time Lord ao ouvir o termo “Crononauta” é impagável). O texto também possui algumas referências à Nova Série, como forma de familiarizar os leitores habituados às histórias de Doctor Who na Titan Comics, com citações aos Weeping Angels, que o Quarto Doutor acredita que sejam apenas uma lenda, e o uso da já célebre frase The Long Way Around.

Voltando à arte de Brian Williamson, além da ótima ilustração dos cenários, o autor consegue representar bem os traços de Tom Baker e Elisabeth Sladen nas páginas. Seu traço com os personagens não é tão detalhista quanto com os cenários, mas cumpre seu papel, sendo bem fluído. Vale ainda destacar as capas variantes de cada edição da minissérie, bonitas e com estilos diferenciados.

O Olhar da Medusa não chega a ser uma grande minissérie, pois se torna um pouco enrolada a certa altura, dando sinais de que cinco edições pode ter sido um exagero. Mas ainda assim é uma história muito divertida, trazendo elementos típicos das aventuras do 4º Doutor, especialmente em seus anos iniciais. Depois de muito tempo sem ter um quadrinho pra chamar de seu, foi bom ver um Doutor da Série Clássica ganhar os holofotes na Nona Arte novamente.

Doctor Who: O Olhar da Medusa (The Gaze of The Medusa) — Estados Unidos, Reino Unido, 2016.
Roteiro: Gordon Rennie, Emma Beeby.
Arte: Brian Williamson.
Arte Final: Rob Farmer.
Cores: Hi-Fi.
Letras: Richard Starkings, Jimmy Betancourt.
Editora: Titan Comics.
Editoria: Andrew James.
120 páginas.

RAFAEL LIMA . . . Sou Um Time Lord renegado, ex-morador de Castle Rock. Deixei a cidade após a chegada de Leland Gaunt. Passei algum tempo como biógrafo da Srta. Sidney Prescott, função que abandonei após me custar algumas regenerações. Enquanto procurava os manuscritos perdidos do Dr. John Watson, fiz o curso de boas maneiras do Dr. Hannibal Lecter, que me ensinou sobre a importância de ser gentil, e os perigos de ser rude. Com minha TARDIS, fui ao Velho Oeste jogar cartas com um Homem Sem Nome, e estive nos anos 40, onde fui convidado para o casamento da filha de Don Corleone. Ao tentar descobrir os segredos da CTU, fui internado no Asilo Arkham, onde conheci Norman Bates. Felizmente o Sr. Matt Murdock me tirou de lá. Em minhas viagens, me apaixonei pela literatura, cinema e séries de TV da Terra, o que acabou me rendendo um impulso incontrolável de expor e ouvir ideias sobre meus conteúdos favoritos.