Crítica | Doctor Who: O Olho do Escorpião e Outras Histórias (Big Finish Mensal #21 a 27)

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As histórias presentes nessa crítica compreendem os episódios #21 a 27 da série Big Finish – Main Range, além de diversos contos da série, originados de diferentes coletâneas.

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Methuselah, do livro Short Trips: Transmissions, é uma aventura longa demais para o pouco que tem para oferecer. Ela fala sobre a chegada do 5º Doutor e Peri na cidade de Constantinopla, o encontro com Matusalém, um homem meio louco que conseguia ver, de alguma forma, o futuro, e a posterior ajuda dada pelo Doutor, que envolve uma viagem para o fim do Universo e um final com uma interessante surpresa, talvez apontando para algo a acontecer no final dessa encarnação do Time Lord. Poderia ser um enredo menos megalomaníaco e muito mais interessante, embora a história não seja descartável [George Mann. 3/5]

Dust Breeding

BF #21

estrelas 3,5

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Equipe: 7º Doutor, Ace
Espaço: Planeta Duchamp 331
Tempo: 5257

O Grito (1893), de Edvard Munch, é uma das pinturas mais famosas do mundo. Nesta aventura com Ace e o 7º Doutor, temos uma versão diferente para a inspiração do pintor e como esta pintura ainda teria uma importante história em um Planeta-de-Artes, milênios depois.

Duchamp 331 é um lugar empoeirado e que exala artes. A maioria dos personagens dessa aventura, além do próprio nome do planeta, referindo-se a Marcel Duchamp, tem nomes ou variações de artistas famosos, como Madam Salvadori (Salvador Dali), Klemp (Gustav Klimt) e Damien Pierson (Damien Hirst). O Doutor e Ace não esperavam chegar lá e, ao chegarem, não esperavam encontrar uma outra versão do Mestre, agora novamente desfigurado (lembrando que esta aventura se passa depois de Survival). Mais cuidadoso e sempre um estrategista pendendo para o desastrado, o Time Lord usa aqui no nome de Mr. Seta (um anagrama de Master) e é maravilhosamente interpretado por Geoffrey Beevers, que já vivera o papel, em outra versão desfigurada do personagem, no arco The Keeper of Traken.

Como quase sempre acontece em arcos com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, o início e a primeira parte do desenvolvimento funcionam muito melhor do que o desfecho da aventura, cheia de gritos, falas megalomaníacas e pouca força narrativa. Vemos novamente [a ladra] Bev Tarrant, que encontrara o Doutor e Ace lá em The Genocide Machine, e ela serve como um bom ponto de ligação do local com os recém-chegados. Depois, o Mestre começa a revelar os planos e surge a tentativa de um artista louco em transformar o planeta numa escultura senciente de areia (tem a ver com a criatura que “possuía” O Grito). Alguns outros pequenos conflitos tomam conta da história, deixando o final cheio demais, sem, de fato, apresentar muita coisa nova.

Dust Breeding (Reino Unido, junho de 2001)
Direção:
Gary Russell
Roteiro: Mike Tucker
Elenco: Sylvester McCoy, Sophie Aldred, Louise Falkner, Geoffrey Beevers, Caroline John, Mark Donovan, Ian Ricketts, Johnson Willis, Alistair Lock, Jane Goddard, Jez Fielder, Gareth Jenkins, Jacqueline Rayner, Mark Wyman

Tweaker, do livro Short Trips: Transmissions, fala sobre uma arma cruel, disfarçada em um vinil raro que, se tocado em uma vitrola, tornar-se-ia um vírus. O primeiro que ouvisse a gravação passaria para outro, que passaria para outro e assim o vírus seria disseminado rapidamente. No casso da Terra, seria uma arma contra a cultura do planeta. A ideia do conto é boa, mas o que funciona muito bem mesmo é a sequência do 5º Doutor, Nyssa e o colecionador de discos. É um dos diálogos mais interessantes e instigantes dessas pequenas viagens do Doutor. Principalmente por esta parte, vale muito a pena a leitura. [Dan Abnett. 3,5/5]

Bloodtide

BF #22

estrelas 4

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Equipe: 6º Doutor, Evelyn
Espaço: Baquerizo Moreno, Ilhas Galápagos
Tempo: 19 de setembro de 1835

Uma aventura relativamente histórica do 6º Doutor e Evelyn (essa dupla é maravilhosa!), que chegam às Ilhas Galápagos no momento em que um jovem chamado Charles Darwin está fazendo suas pesquisas no local. Inicialmente bem recebidos, eles vão conhecendo a rica fauna de uma das ilhas do arquipélago e em pouco tempo entram em contato com a notícia de desaparecimento e prisões arbitrárias de diversas pessoas. Então o Doutor reencontra os Silurians, que nesta específica parte o mundo não tem noção de que outras câmaras e locais de estabelecimento de sua antiga sociedade ainda dormem, esperando o momento certo para acordar.

Só o fato de ter Darwin em cena discutindo elementos de sua teoria, considerando o impasse de suas propostas, pesquisas e descobertas com a visão religiosa imperante e, principalmente, estabelecendo critérios rígidos para classificação e avanço de sua ciência já valeria a história. Aliado a esse problema, temos a civilização dos Silurians novamente mostrada em seu viés de conflito entre os que não apoiam o extermínio da humanidade (na verdade não é no plural, trata-se de apenas um Silurian), as comparações que podemos fazer disso e o comportamento dos humanos contra qualquer coisa que considere estranha e da qual tenha medo. Há muita coisa em jogo nas entrelinhas dessa aventura.

Para uma historiadora, até que Evelyn se comportou muito bem. Ela não sugeriu nada a Darwin e nem atropelou momentos da História que ainda estava para acontecer, apenas fez perguntas, deixou o naturalista falando a respeito do seu trabalho enquanto genuinamente aprendia coisas novas sobre o processo de descobertas dele. Quando os Silurinas cruzam com esse bloco da trama, novas formas de olhar a evolução – e principalmente, a do homem – aparecem. Este é um dos arcos que certamente irá ofender (ou não? Penso que os mais centrados, não) os ouvintes criacionistas. A história é boa, sugere algumas respostas para eventos relacionados a Darwin e tem uma ótima produção técnica. A colocação de uma nativa gritando por qualquer coisa talvez seja a parte mais chatinha da história, mas isso é facilmente superado diante de todo o resto.

Bloodtide (Reino Unido, julho de 2001)
Direção:
Gary Russell
Roteiro: Jonathan Morris
Elenco: Colin Baker, Maggie Stables, Daniel Hogarth, Helen Goldwyn, Julian Harries, Jez Fielder, Jane Goddard, Miles Richardson, George Telfer, Jez Fielder

A Room With No View é um conto curioso, baseado na vida de um homem que perdera a esposa e, por isso, começou a fazer uma pesquisa que desse a ele longevidade. O utópico sonho de viver para sempre. O que o homem não percebia, é que chegara a um resultado parecido com de uma máquina do tempo, cuja energia atraíra o 5º Doutor e Peri, ambos afetados pela ação do lugar, que se alimentava da energia vital de seus ocupantes, fazendo-os envelhecer de maneira acelerada. A história é uma exposição de um vilão maluco, com alguma atitude nobre, mas que acaba cego, ao final, e cruza a linha moral de não respeitar a escolha ou a vida do outro para conseguir seu objetivo. Aí não tem como defender, independente da motivação. [David Bartlett. 3/5]

Project: Twilight

BF #23

estrelas 3,5

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Equipe: 6º Doutor, Evelyn
Espaço: Bermondsey, Londres / Noruega
Tempo: 2001

De alguma forma, eu sempre acho estranho ver o Doutor enfrentando vampiros. Depois de assistir ao medíocre State of Decay, essa sensação ficou ainda mais forte. Por isso, foi com certo pé atrás que eu entrei nesta saga do 6º Doutor e Evelyn aparecendo em Londres, em 2001, e encontrando, sem querer, uma trama de vampiros que tem origem ainda na Primeira Guerra Mundial e avança com testes e contaminações até o século XXI, através do projeto governamental The Forge, que faz aqui a sua estreia nos áudios da BF.

A história mescla muito bem elementos de terror com a presença do Doutor investigando o por quê alguns animais aparecem mortos em um beco escondido da cidade ou por que o corpo de um jovem explodiu, após super-aquecer. Como o próprio Time Lord diz, muitos sinais estavam lá, mas ele simplesmente não prestou atenção. A consequência disso é a prisão dele e de Evelyn, que acaba entrando em um processo de investigação praticamente sozinha e corre muito mais perigos que o Doutor.

A passagem do tempo, a criação de uma certa “hierarquia de vampiros” (lembra um pouco a estreia de Anne Rice), o conceito de vírus e a apresentação de um projeto que voltaria a atormentar o Doutor no futuro são ótimas pedidas da história. Porém, pesa contra ela a construção dos personagens. Alguns estão o tempo inteiro em cena e recebem caracterização correta dentro da proposta da história. Outros sustentam a postura de “lenda” e aparecem rapidamente, revelam algo e depois somem. Talvez fosse mais interessante focar em um único tempo e desenvolver bem todos os personagens do que abraçar tantos anos do projeto e deixar personagens mais reticentes do que deveria.

Project: Twilight (Reino Unido, agosto de 2001)
Direção:
Gary Russell
Roteiro: Cavan Scott, Mark Wright
Elenco: Colin Baker, Maggie Stables, Rupert Booth, Kate Hadley, Holly De Jong, Rob Dixon, Rosie Cavaliero, Mark Wright, Daniel Wilson, Daniel Wilson, Rupert Booth

Intuition é uma das mais engenhosas formas de se trabalhar dimensões temporais, relação entre passado, presente e futuro, e, claro, um exercício onde a intuição é a grande e inteligente sacada. O 6º Doutor está sozinho, enquanto Mel segue dormindo no hotel. Eles estão na Suíça. O Doutor percebe que sem ele mesmo pedir o café da manhã, o garçom trouxe exatamente o que ele havia imaginado pedir, gerando uma grande desconfiança no Doutor e o início de uma investigação que o colocará diante da criatura que causou (ou causará?) todo o processo de intuição agora percebido. É preciso estar atento à explicação (que é boa e bem feita, mas requer atenção) e aproveitar esse inteligentíssimo conto triste e ao mesmo tempo cheio de vitalidade. [Rob Nisbet. 5/5]

The Eye of the Scorpion

BF #24

estrelas 4

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Equipe: 5º Doutor, Peri
Espaço: Tebas e Gizé, Egito
Tempo: 1400 a.C.

Um breve passeio não programado pelo Egito coloca o 5º Doutor e Peri diante de um cenário histórico bastante peculiar, a complicada sucessão do faraó Amenófis II, que deveria ir para a sua historicamente desconhecida filha Erimemushinteperem (ou Erimem), mas devido aos muitos impasses palacianos e clara rejeição à figura da mulher no governo – a despeito de já terem tido faraós mulheres –, acabou indo parar nas mãos de Tutmés IV. O que intriga o Doutor e também o espectador que conhece o mínimo de História Antiga, é o silêncio da História sobre a existência de Erimem. Isso, porém, será justificado ao final do arco.

The Eye of the Scorpion é sobre a chegada de uma nova companion. Aproveitando a deixa de Planet of Fire, a BF teve a sábia decisão de colocar mais uma companheira para viajar com o Doutor e Peri, em um intervalo que antecede a aventura final do 5º Doutor na TV. E que escolha fantástica, não é mesmo? Uma princesa egípcia, faraó não coroada, cuja mentalidade investigativa dizia que ela não era uma deusa coisa nenhuma, viajando pelo tempo e espaço, comprovando aquilo que seus estudos e convicções diziam que era verdade. Todo o cenário de guerra civil e mortes que envolvem a sua escalada ao trono, sua renúncia em favor do meio irmão, a criação de um paradoxo pelo próprio Doutor e a forma como as coisas se resolvem são realmente muito boas.

O texto de Iain McLaughlin poderia dar maiores detalhes sobre Erimem, já que ela seria a pessoa mais importante, a longo prazo, na linha do tempo do Doutor e Peri. Com isso, ficam algumas dúvidas básicas sobre ela, mas não grandes o bastante para que não possamos ter uma visão clara de sua personalidade. De qualquer forma, o bom estabelecimento do comportamento dela já serve ao propósito de contexto para a introdução de uma companion e cria aquela vontade no espectador de ver mais viagens desse trio pelo Universo.

The Eye of the Scorpion (Reino Unido, setembro de 2001)
Direção:
Gary Russell
Roteiro: Iain McLaughlin
Elenco: Peter Davison, Nicola Bryant, Caroline Morris, Harry Myers, Jack Galagher, Jonathan Owen, Daniel Brennan, Stephen Perring, Mark Wright, Alistair Lock

Crystal Ball traz o 7º Doutor e Ace em disfarce (ela é orientada para dizer que é filha do Doutor) , investigando um certo achado arqueológico que logo se revela um mecanismo de sugestão e domínio de ideias bastante poderoso. O impasse da história é que ela vai mudando de tom constantemente, começando com uma linha de drama, depois partindo para outra e, no fim, estabelecendo um ovo que precisa ser levado para um lugar distante do Universo, onde não possa fazer mal. É forçoso demais para se levar a sério. [Rob Nisbet. 2/5]

Colditz

BF #25

estrelas 4

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Equipe: 7º Doutor, Ace
Espaço: Castelo de Colditz, Alemanha
Tempo: Outubro de 1944

Mais uma face da Segunda Guerra Mundial que ganhou as graças de uma produção da Big Finish, com direito a David Tennant como vilão e tudo! A história começa com a chegada do 7º Doutor e Ace nos arredores do Castelo de Colditz, Alemanha, em outubro de 1944, e em poucos minutos já estão atrás de um caminhão, seguindo para a base nazista do castelo, onde são interrogados e onde o Doutor começa a perceber que sua chegada ali não fora assim tão aleatória.

O maior atrativo desse arco é a aplicação de um paradoxo temporal e a fixação de uma linha do tempo divergente, em um futuro onde os alemães venceram a Segunda Guerra. O cenário no castelo é calmo demais para os padrões da Segunda Guerra e marcado por oficiais que não estava tão interessados em seguir os padrões do Partido. Na verdade, o lugar parece mais uma fuga das linhas de frente de batalha ou de refúgio para aqueles que não queriam estar perto das decisões e horrores do Reich. Levando isso em consideração, a notícia de que em um futuro alternativo eles realmente venceram a guerra, causa um grande impacto no espectador.

O Doutor e Ace são vistos em blocos diferentes de ação, tentando fugir da prisão, convencendo este ou aquele militar a não matá-los e, principalmente, tentando fazer com que coisas já estabelecidas nesse futuro onde o Nazismo saiu vitorioso falhassem em acontecer. A história é boa, um pouco confusa nas explicações sobre a interação entre os tempos (principalmente a personagem Elizabeth Klein), mas nada tão cifrado que o público não possa entender. Mas existe, principalmente, Tennant como um militar nazi perseguindo Ace e o Doutor, e isso tem um significado e um impacto imensos, já que sabemos que o ator interpretaria o Doutor, alguns anos depois. Uma aventura imperdível.

Colditz (Reino Unido, outubro de 2001)
Direção:
Gary Russell
Roteiro: Steve Lyons
Elenco: Sylvester McCoy, Sophie Aldred, David Tennant, Tracey Childs, Toby Longworth, Nicholas Young, Peter Rae, Neil Corry

Twilight’s End, do livro Short Trips: Defining Patterns, coloca o 7º Doutor, jà no final de sua linha do tempo, encontrando-se com Nimrod, em um arranha-céu de enorme tecnologia. A história se passa no século XXII e toda a base do roteiro é a de um conto de terror, algo que depois passa para um conto de dilema moral, onde Nimrod precisa escolher algo que ele não imaginava mais ser possível. Alguns encontros anteriores, com outras encarnações do Doutor, são lembrados e a tecnologia fria e solitária do prédio da The Forge oferece uma ótima atmosfera de ação, que vai crescendo e terminando em uma reticência perfeita, pronta para ser finalizada ou continuada, dependendo da intenção do próximo autor. Exceto pelos primeiros momentos aleatórios do conto, trata-se de uma aventura irretocável. Seria este o fim do vampirismo de Nimrod? [: Cavan Scott e Mark Wright. 4,5/5]

Primeval

BF #26

estrelas 3,5

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Equipe: 5º Doutor, Nyssa
Espaço: Planeta Traken
Tempo: 1000 a.C

Essa aventura serve tanto como prequel quanto sequência de The Keeper of Traken. No primeiro caso, temos Nyssa e o 5º Doutor de volta ao planeta, em 1000 a.C.. No segundo caso, temos o resultado final das tonturas e desmaios de Nyssa a partir de Four to Doomsday. Agora bastante doente por conta de sua exposição ao mal (é importante destacar o caráter de Traken na época de Nyssa, o que justifica essa influência maligna oprimindo-a), o Doutor viu como última saída retornar ao planeta de origem da companion e buscar uma cura. Mas como sempre, nada é tão fácil.

O roteirista Lance Parkin fez uso de inúmeras caraterísticas medievais como nomes e modelos de organização social para colocar o Doutor diante de uma sociedade em transição. Nos bastidores, a adoração a um deus se choca com a visão da ciência de alguns cidadãos. O poder militar, normalmente ligado à religião, faz valer a palavra do controlador das terras e pessoas, cobrando obediência cega, reverência e explorando a todos da forma que melhor lhe apraz. Traken, a esta época, tinha sim algumas coisas muito boas, mas essas incoerências sociais tornam o lugar um berço de conflitos, tornando a busca pela cura de Nyssa ainda mais difícil, pois está em cena um dos Great Old Ones, Kwundaar, criador da ciência local, agora cobrando a adoração que lhe era devida, aos poucos minada para a importância dada à ciência.

É estranho que alguém de um poder tão grande quanto Kwundaar tenha precisado de artifícios bem mundanos para retomar o poder. Do lado para a criação narrativa, entendemos que sem isso, o arco precisava seguir para outro caminho, mas mesmo assim. Seria algo que ele conseguiria sem muito esforço. Mas tudo bem, isso não é tão grave, embora tire alguns pontos do texto. Ao final, com a cura de Nyssa e a decisão dela em seguir acompanhando o Doutor, mesmo estado em seu planeta natal, é algo bonito e cheio de gratidão, encerrando de maneira fraterna uma saga cheia de urgências, ameças e um crítico estado de saúde da companion. Ah, se ela soubesse do futuro…

Primeval (Reino Unido, novembro de 2001)
Direção:
Gary Russell
Roteiro: Lance Parkin
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Susan Penhaligon, Stephen Greif, Ian Hallard, Romy Tennant, Rita Davies, Mark Woolgar, Billy Miller, Alistair Lock

From Eternity é um conto de Jim Mortimore para o livro Short Trips: Monsters. Ele mostra o 1º Doutor interrogando um ser, provavelmente a pedido dos Time Lords. Um ser responsável por incontáveis mortes. O conto toma como padrão de narrativa o monólogo do interrogado, contando para o Doutor que achava que era a primeiríssima criatura nascida no Universo. Do nada para um Universo cheio de estrelas e corpos ou eventos celestes das mais diversas formas, o Ser viu vidas inteligentes, inicialmente muitíssimo desenvolvidas e depois, como se estivessem infectadas por um vírus, cada vez mais selvagem, algo também percebido pelas “outras mentes” dos “outros Universos” com quem este Ser teve contato. Depois de um certo tempo, o Ser percebe, através do processo de interrogatório, que ele não foi a PRIMEIRA criatura do Universo, mas sim a ÚLTIMA a nascer, de modo que ele estava presenciando o Universo de sua morte para o seu nascimento, à medida que o próprio ser envelhecia. Um conto de aprendizado, solidão e remissão. No início é um pouco chatinho, mas o final é simplesmente brilhante. [Jim Mortimore. 4/5]

The One Doctor

BF #27

estrelas 4,5

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Equipe: 6º Doutor, Mel
Espaço: Planetas Generios 1, 8, 14 e 15 (Sistema Generios, West Galaxy)
Tempo: Fim dos Tempos (depois do ano 10 milhões)

Divertidíssima aventura de Natal do 7º Doutor ao lado de Mel, que aparecem em um planeta do Sistema Generios e descobrem, para surpresa deles, que o povo ali está fazendo festa para o grande salvador galático, aquele que livrou o mundo inteiro de um ataque mortal há pouquíssimo tempo: o Doutor e sua linda companion Sally-Anne Stubbins. Consternado, o 6º Doutor se empenha imediatamente em procurar pelo “farsante” e desmascará-lo. Ele até começa a fazer isto, mas o planeta é novamente invadido e recebe um ultimato: se até tanto tempo não entregar um dos grandes tesouros daquele sistema, todos serão exterminados.

A grande atração dessa história é a quantidade de coisas inesperadas que ela nos traz. Primeiro, a relação do 6º Doutor com Banto Zame, o falso Doutor. Além da comicidade que o encontro traz, existe uma curiosa semelhança de comportamento resmungão em ambos os casos, o que é ótimo. Mas existem também ideais diferentes, pois Banto é um oportunista que usa das “lendas” sobre um “viajante no tempo chamado Doutor” para conseguir dinheiro dos lugares que salva de ataques que ele mesmo cria. Nessa jogada, a presença das companions torna tudo ainda melhor, pois quando eles seguem para caminhos — e planetas diferentes daquele sistema, com um dos lugares sendo praticamente idêntico ao cenário do arco The Long Game, com o 9º Doutor – cada Doutor é acompanhado pela companion do outro, forçando-os se comportarem de uma maneira defensiva e tentando aceitar as diferenças que possuem, tudo isso por um bem maior. Quando Sally-Anne se declara apaixonada pelo Doutor, o espectador não consegue segurar uma gostosa gargalhada. Do segundo episódio em diante, essas pinceladas pessoais serão ainda mais fortes. E hilárias.

A despeito de invasões, engano e destino não muito simpático para um dos personagens da história, The One Doctor é divertido e traz uma bela noção de companheirismo e paz para todos, o grande clichê do Natal que gostamos tanto. Talvez o roteiro se beneficiasse mais se a passagem do primeiro planeta para o restante daquele Universo fosse feita de maneira mais compassada. Todavia, este detalhe não atrapalha o aproveitamento de todo o restante da história. Uma clássica aventura de Natal de Doctor Who.

The One Doctor (Reino Unido, dezembro de 2001)
Direção:
Gary Russell
Roteiro: Gareth Roberts, Clayton Hickman
Elenco: Colin Baker, Bonnie Langford, Nicholas Pegg, Stephen Fewell, Christopher Biggins, Clare Buckfield, Mark Wright, Jane Goddard, Matt Lucas, Adam Buxton, Stephen Fewell, Matt Lucas

Model Train Set: Aventura solo do 8º Doutor, dentro da TARDIS, observando insatisfeito o gigantesco modelo de trem que sua encarnação anterior havia construído. O nível de perfeição, a disposição dos trabalhadores mecânicos, tudo parece “perfeito demais” para o Doutor, que queria algo um pouco diferente. Após deixar o modelo funcionando e se ausentar um pouco, ele percebe que houve um acidente de reação em cadeia que acabou fazendo os trabalhadores mecânicos arrumarem, a seu modo, tudo o que era possível. Um conto divertido sobre um momento do Doutor brincando sozinho e reafirmando a sua constante paixão por trens. [Jonathan Blum. 3,5/5]

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.