Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Arc of Infinity (Arco #123)

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estrelas 3,5

Equipe: 5º Doutor, Nyssa
Espaço: Amsterdã / Gallifrey
Tempo: Janeiro de 1983

Depois do estranho cliffhanger de Time-Flight, a sensação de “despedida ingrata” voltou à série, trazendo lembranças da partida de Dodo em The War Machines e, mais uma vez, a pergunta do por quê a produção permitiu esse tipo de coisa. Para uma personagem regular da série, uma saída dessas é também um desrespeito para com o público. Mas esta foi apenas mais uma das partidas de Tegan (ela colecionou mais algumas outras no Universo Expandido), que retornou neste Arc of Infinity com um visual novo e praticamente… uma nova pessoa. Eu que apontei várias vezes a qualidade dramatúrgica de Janet Fielding e a chatice imensa que era a Tegan comissária de bordo, vi aqui uma mulher diferente, alguém carregando a bagagem de já ter viajado com o Doutor e mudou, se tornou mais ativa, mais simpática e certamente veio contrastar com Nyssa, que a esta altura já deveria ter amadurecido e, por todos os deuses e todos os universos, trocado de figurino regular.

Com roteiro de Johnny Byrne, Arc of Infinity mostra dois cenários, um em Amsterdã e outro em Gallifrey. O vilão inicialmente parece ser o Mestre, mas acaba se revelando Ômega, o louco Time Lord expulso do planeta natal dos Senhores do Tempo e encerrado em um lugar do qual não deveria sair. Depois de ter sido derrotado por três versões do Doutor em The Three Doctors, o renegado aparece agora com outra armadura e um plano bem mais inteligente. Ele pretende controlar a Matriz de Gallifrey e para isso, tem ajuda interna e vai usar o Doutor para conseguir atingir seu objetivo.

Um fato interessante é que temos aqui a participação de Colin Baker, pouco mais de um ano antes dele mesmo se tornar o protagonista da série, como o 6º Doutor. Ele interpreta aqui o infame Comandante Maxil, um homem cego pelo código militar e que obedece a qualquer ordem sem questionar ou pensar nos impactos morais que ela tem. É, assim como um número bem grande dos Time Lords egoístas, o perfeito exemplo do tipo de “bom homem” que não se importa em exterminar alguém, comprovando a banalidade do mal, segundo Hannah Arendt.

Mas existe ainda o lado daqueles que apoiam o Doutor, como no caso de Damon. Ou um certo “amigo” que possui outras intenções em sua agenda. Nesse ponto, o roteiro cria uma ótima cadeia de revelações, acusações e suspeitas. Embora nem todas funcionem bem até o final e algumas acabem dando espaço para resoluções ruins, elas servem para nos manter engajados, investigando comportamentos, tentando entender quem, na verdade, está por trás da liberação dos dados biológicos do Doutor e o que isso permitiu o inimigo fazer. No outro lado do drama, as sequências em Amsterdã funcionam em sua maioria, desde o princípio de horror dos jovens mochileiros até a entrada de Tegan em cena.

Colocar a versão final de Ômega como o Doutor é o tipo de exagero que podemos esperar da era de John Nathan-Turner, que na maioria das vezes primava pelo capricho, não necessariamente pela validade dramática ou coerência narrativa de alguma mudança ou escolha de personagem — o que também vale para os títulos dos arcos que ele mudava para nomes dúbios, difusos, apontando para coisas que têm apenas o mínimo de impacto dentro de todo o cenário, como é o presente caso.

O espectador não deixa de rir da cara do Doutor ao final, tendo que “aturar” Tegan por mais uma rodada. Pelo menos agora ela parece outra pessoa e deverá tirar da TARDIS o marasmo meio orgulhoso de Nyssa. É o que veremos daqui para frente.

Arc of Infinity (Arco #123) — 20ª Temporada
Direção: Ron Jones
Roteiro: Johnny Byrne
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Janet Fielding, Leonard Sachs, Elspet Gray, Michael Gough, Paul Jerricho, Max Harvey, Colin Baker, Ian Collier, Neil Daglish, John D. Collins, Alastair Cumming, Andrew Boxer
Audiência média: 7,15 milhões
4 episódios (exibidos entre 03 e 12 de janeiro de 1983)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.