Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Attack of the Cybermen (Arco #137)

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estrelas 3

Equipe: 6º Doutor, Peri
Espaço: Londres / Planeta Telos
Tempo: 1985 / c.2495

Temos aqui o início das reclamações do público para a produção de Doctor Who, dizendo que a série estava tomando um rumo ‘muito violento’. Embora seja uma reclamação fácil de se perceber e compreender, especialmente comparando com as histórias do plácido 5º Doutor (com uma leve exceção na reta final de sua vida), a legitimidade da fala é que se torna um problema, pois o “muito violento” não é exatamente uma classificação que todos os espectadores da série dariam a Attack of the Cybermen e outros arcos do 6º Doutor isoladamente. Volto ao ponto que levantei em The Twin Dilemma: estamos diante de um novo Time Lord, um muito mais parecido com o seu povo, reagindo diretamente a ameaças. Há mais ação em jogo, e sim, no sentido prático da coisa, há mais violência. Mas isso não é algo negativo para todos os gostos. É só uma condição moral que vai incomodar apenas uma parte do público.

No meu caso, continuarei levantando a bandeira que levanto para qualquer coisa que tenha criação de história e personagens em pauta: os eventos devem ser práticos, devem fazer sentido dentro de seu enredo isolado e dentro de um campo maior, que é a série e o seu cânone. O restante da avaliação vai depender dos outros quesitos técnicos, mas esta é a parte principal. E com isso chegamos ao roteiro de Paula Moore, que estabelece uma tentativa dos Cybermen em apagar da história o que aconteceu em The Tenth Planet, durante as ações do 1º Doutor no ano de 1986. Ao mesmo tempo, esta história serve como uma continuação ao que vimos em The Tomb of the Cybermen, também ambientado no Planeta Telos (nove anos antes, considerando a linha do tempo local).

Neste arco, assim como na aventura seguinte, temos um tempo destinado à exploração da relação entre o Doutor e Peri. A companheira se revela alguém de forte personalidade, que não tem medo de encarar o Doutor, gritar com ele e o colocar em seu lugar, mas ela não faz isso de maneira chata, como Tegan, e nem o Doutor é colocado em uma situação de “perder o respeito”, como muitas vezes víamos na relação do 5º Doutor com Adric. A relação entre os dois é complexa, mas ao menos para mim, não se mostra abusiva, como alguns whovians veem.

A ideia mais marcante do arco, além de colocar o Doutor matando Cybermen, foi o fato de o Time Lord conseguir (ou tentar, pelo menos) consertar o Circuito Camaleão da TARDIS. A cena garante boas risadas e os disfarces da nave, desacostumada com o circuito, não poderiam ser mais aleatórios. Sabemos que Paula Moore escreveu o roteiro com contribuições de Eric Saward e Ian Levine, e que os três roteiristas tinham um “norte” dado pelo pavão-produtor JNT para o que fazer com a TARDIS e com o Doutor na história. Ressurgiu, por exemplo, a lança sônica (que vimos como uma das partes da chave de fenda sônica em Robot), agora em uma versão menor e individual, depois da criminosa abolição da chave de fenda sônica por JNT, em seu poleiro de ego e questionáveis decisões.

Há também um elemento de nostalgia quando percebemos que estamos na 76 Totter’s Lane, o local onde tudo começou, em An Unearthly Child. Outro retorno é o de Lytton, que o Doutor encontrou trabalhando para os Daleks em Resurrection of the Daleks. Esse olhar para o passado é uma forma de contextualizar melhor alguns elementos dramáticos dessa era, o que funciona parcialmente, mas a quebra da história em muitos blocos de ação (em Telos, na TARDIS, nos esgotos e Londres, na nave dos Cybermen) satura o público e acaba por dispersar alguns focos dramáticos que poderiam funcionar muito melhor se tivessem mais tempo em tela.

Ver o 6º Doutor em ação é muito bom, assim como é instigante a sua relação com Peri. Pena que essa tentativa dos Cybermen em apagar uma parte da linha do tempo e impedir a destruição de Mondas é bagunçada demais. Existem alguns pontos positivos, mas eles se perdem em meio à avalanche de personagens e desejos de cada um, principalmente com a confusa inserção dos nativos de Telos, os Cryon. A produção deveria aprender que em alguns casos, menos é mais.

Attack of the Cybermen (Arco #137) — 22ª Temporada
Direção: Matthew Robinson
Roteiro: Paula Moore
Elenco: Colin Baker, Nicola Bryant, Maurice Colbourne, Brian Glover, Terry Molloy, James Beckett, David Banks, Michael Kilgarriff, Faith Brown, Sarah Greene, Michael Attwell, Jonathan David, Brian Orrell, John Ainley, Stephen Churchett, Stephen Wale, Sarah Berger, Esther Freud
Audiência média: 8,05 milhões
2 episódios (exibidos entre 5 e 12 de janeiro de 1985)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.