Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Black Orchid (Arco #120)

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estrelas 2,5

Equipe: 5º Doutor, Adric, Nyssa, Tegan
Espaço: Cranleigh, Inglaterra
Tempo: 11 de Junho de 1925

Black Orchid está entre os arcos mais estranhos da 19ª Temporada da Série Clássica, porque não tem absolutamente nada a ver com nada que já tinha sido trabalhado. Não há continuação; o cliffhanger é nulo e os eventos apresentados não possuem impacto algum para a história do Doutor e seus companheiros. À parte algumas referências sobre críquete — o Doutor joga uma série de partidas no início do primeiro episódio, algo totalmente aleatório — ou citações amenas no Universo Expandido, é algo simplesmente inútil nesta temporada.

Mas é um arco ruim? Bom, não chega a ser ruim não. Mas é bastante medíocre. Engraçado que as bases do roteirista Terence Dudley para escrever a história foram O Corcunda de Notre Dame, a história do Homem Elefante (Joseph Carey Merrick) e um pouco de Agatha Christie, mas o resultado final é uma miscelânea quase cômica dessas referências, contendo, de itens ficcionais, apenas o Doutor, a TARDIS e os não-terráqueos Nyssa e Adric, sendo a primeira história desde The Highlanders (2º Doutor) com esse padrão.

O encadeamento do roteiro é uma das coisas mais estranhas do serial. Os viajantes chegam em uma estação de trem. O Doutor é abordado e levado para uma propriedade, onde joga críquete (?). Ele e os companions são convidados para ficar. Então há uma festa a fantasia (?), um índio brasileiro, um homem deformado e uma pseudo-influência de uma orquídea negra nesse processo todo. Sem contar que o espectador crê piamente que vai haver uma explicação razoável para Nyssa e Ann serem extremamente parecidas (Sarah Sutton interpreta os dois papeis), mas não há. É frustrante e ao mesmo tempo engraçado que a coisa toda termine em uma pura coincidência. Então nos perguntamos: para quê, santo Rassilon? Por quê?

É inegável, porém, que haja bons momentos na história. Aliás, a sequência com o assassinato e os mistérios envolvendo o Doutor são ótimos, geram uma boa expectativa, acendem um mistério que se resolve razoavelmente bem, não fosse a forma espalhada que o roteiro se organiza até chegar a ela. A festa, por mais “elefante branco” que seja, também é divertida e gera boas risadas, com um Adric esfomeado e Nyssa e Ann confundindo os presentes, vestindo a mesma fantasia. A trama paralela, com o Doutor tendo que resolver problemas mais graves, é um bom contraste, mas novamente, não há unidade narrativa alguma.

Os figurinos aqui são muito bons, a música é boa e, pela primeira vez desde que o trio Adric, Tegan, Nyssa passou a viajar juntos, tivemos todos eles bem em cena, suportáveis, com diálogos que não nos deixam revirando os olhos e com comportamento de pessoas normais. Em outras palavras, é o único momento, até aqui, em que o trio chatice não é chato. Depois que a TARDIS parte e tudo termina, o público fica um bom tempo olhando para os créditos, procurando entender o lugar que Black Orchid tem em Doctor Who, sem chegar a resposta alguma. Só as Pítias de Gallifrey sabem.

Black Orchid (Arco #120) — 19ª Temporada
Direção: Ron Jones
Roteiro: Terence Dudley
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Janet Fielding, Matthew Waterhouse, Barbara Murray, Moray Watson, Michael Cochrane, Gareth Milner
Audiência média: 10 milhões
2 episódios (exibidos entre 1º e 2 de março de 1982)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.