Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Colony in Space (Arco #58)

estrelas 3

Equipe: 3º Doutor, Jo
Era: UNIT – Ano 4
Espaço: Uxarieus
Tempo: Março de 2474

Colony in Space está longe de ser o melhor arco do 3º Doutor – repleta de problemas de ritmo, a história apresenta poucos detalhes, em termos de trama, que valham de nota. Sua importância histórica dentro do universo de Doctor Who, contudo, é evidente: trata-se da primeira vez que vemos Jon Pertwee fora da Terra e, portanto, o primeiro arco de DW passado em outro planeta a cores, o que, por si só, já constitui um motivo mais que marcante para obrigar a qualquer whovian assisti-lo.

A saída do Doutor do planeta no qual foi exilado, todavia, não é fruto de seus próprios experimentos tentando consertar sua TARDIS. Preocupados com a má utilização de uma arma conhecida como doomsday device (dispositivo do fim do mundo, em tradução livre) os Time Lords enviam o Doutor para o planeta Uxarieus, onde acreditam que o Mestre irá fazer uso da dita arma de destruição em massa. Pego de surpresa por essa decisão, o Doutor e Jo acabam entrando no meio de uma disputa entre os colonizadores do planeta alienígena e uma companhia mineradora que busca exaurir até os últimos recursos do local.

Colony in Space não gasta muito de seu tempo de projeção em nos transportar para o palco onde toda a ação irá se passar. Sua duração prolongada de seis episódios, contudo, acaba gerando um evidente problema de ritmo, nos mostrando inúmeros embates entre os colonizadores e os mineradores. A repetição, para não dizer “simples enrolação”, acaba nos cansando em diversos pontos, ao passo que o arco poderia ser facilmente reduzido para apenas quatro capítulos.

Felizmente, esses problemas de ritmo são contrabalanceados por notáveis aspectos positivos. O primeiro deles é a relação entre o Doutor e o Mestre, algo que se intensifica especialmente nos episódios finais, reiterando uma possível concepção de que o Mestre quer, na verdade, chamar a atenção de seu conterrâneo. Delgado e Pertwee, como sempre, não nos cansam de impressionar e trazem nuances bastante específicas em suas atuações, conseguindo, sem muitas palavras, demonstrar o respeito e adversidade que um personagem nutre pelo outro.

As atuações, porém, se observadas com um olhar atual, podem causar algumas risadas, especialmente nas cenas de luta. Qualquer um que tenha assistido a série original de Star Trek poderá ter uma nítida ideia do que me refiro. O Doutor emprega inúmeros golpes para nocautear seus oponentes, algo que além do riso no espectador acaba gerando um certo estranhamento em relação ao roteiro de Malcolm Hulke: para um homem cuja força vem do intelecto não temos aqui uma agressividade exagerada? Tal concepção se amplia especialmente se assistirmos o arco de uma vez só, já que essas sequências estão espalhadas ao longo de seus seis capítulos.

Outro ponto negativo é a forma como Jo, novamente, é deixada de lado, não desempenhando qualquer papel narrativo de destaque a não ser a de mulher em apuros esperando para ser salva. A exceção é o exato começo e fim do arco. Primeiro temos um momento marcante na relação entre ela e o Doutor: enfim o fato de que ele é um Time Lord que viaja no tempo e espaço é comprovada – ouvimos da boca da companion, pela primeira vez, o clássico “é maior por dentro do que por fora” e, curiosamente, Jo se demonstra temerosa em relação à essa viagem, querendo imediatamente retornar à Terra. Esse ponto do exílio do Senhor do Tempo é bem trabalhado e presenciamos o quanto ele sente falta de explorar o Universo. Já no fim temos um curto, porém marcante momento no qual o Doutor revela seu gosto pela menina com um simples sorriso e algumas palavras que evidenciam o quanto ele confia em suas capacidades.

Dito isto, Colony in Space possui seus evidentes deslizes, mas não é totalmente ausente de qualidades. Sua importância histórica já é o necessário para contemplarmos esse arco, mas alguns outros detalhes são dignos de nota, se classificando como uma experiência divertida para qualquer apreciador de Doctor Who, afinal, quem não quer ver, pela primeira vez, o 3º Doutor em um planeta distante?

Colony in Space (Arco #58) – 8ª Temporada
Direção:
Michael Briant
Roteiro: Malcolm Hulke
Elenco: Jon Pertwee, Katy Manning, Nicholas Courtney, Roger Delgado, Nicholas Pennell, John Ringham, David Webb, Roy Skelton, Morris Perry

Audiência média: 8,53 milhões

6 episódios (exibidos entre 10 de Abril e 15 de Maio de 1971)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.