Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Day of the Daleks (Arco #60)

estrelas 4

Equipe: 3º Doutor, Jo (+ UNIT, Brigadeiro Lethbridge-Tewart, Capitão Yates, Sargento Benton)
Era: UNIT – Ano 5
Espaço: Inglaterra
Tempo: Anos 1970 / 2162

Este é um dos arcos da série clássica que sempre geram uma boa discussão entre whovians. O motivo é que uma parte acha que Day of the Daleks é uma versão dos eventos que se sucederam a The Dalek Invasion of Earth. Outra parte (na qual estou incluso), afirma que não se trata de uma consequência do famoso conflito resolvido pelo 1º Doutor em companhia de Susan, Ian e Barbara. Trata-se, na verdade, de uma história completamente diferente, gerada por um excelente paradoxo temporal explorado no roteiro de Louis Marks e que ganha lugar coeso e justificável tanto na linha do tempo dos Daleks, quanto na linha do tempo do 3º Doutor e do próprio cânone de Doctor Who. Vamos, então, aos fatos.

Day of the Daleks se inicia com o Doutor e Jo tentando arrumar um dispositivo da TARDIS. O Time Lord não quer depender da liberdade limitada e controlada cedida a ele pelo Alto Conselho de Gallifrey em The Daemons e por isso mesmo tenta alcançar sozinho o segredo de desmaterialização da nave, tentando burlar seu exílio. É nesse pequeno ato inicial que Marks nos dá a primeira pista de que aventura irá brincar com o tempo e, evidentemente, irá colocar em cena um paradoxo temporal. Isto posto, alguns pontos de vista devem ser levados em consideração para que o roteiro seja melhor compreendido.

O primeiro eles é o ponto de vista do espectador, para o qual a timeline do futuro é alternativa, pois sabe-se que o Doutor conseguiu resolver o problema da Conferência de Paz Mundial e as guerras entre as nações foram evitadas. Já do ponto de vista do Doutor, a timeline do futuro é real, pois ele não sabe o que acontecerá ou o que fará. E finalmente, do ponto de vista dos guerrilheiros, a timeline (para nós e para o Doutor, o futuro) foi causada por uma reunião em Auderly House e por isso eles viajam para o século 20, tentam matar Sir Reginald Styles e explodir a casa onde a reunião acontecerá. O que os guerrilheiros não sabem é que foi justamente esta ação que deu início ao cenário que permitiu o controle dos Daleks em seu tempo, o ano 2162.

A ideia funciona bem e é executada com sucesso por Paul Bernard na direção. É claro que essa atenção dada ao motor científico da trama fez que com o enredo fosse quebrado em pequenos atos nos quais a UNIT aparece deslocada ou mal aproveitada, especialmente ao final. Todavia, esse detalhe toca mais na fluidez do arco, não necessariamente em sua qualidade. Ademais, a forma como a UNIT volta a ser mostrada (no episódio 4), em uma sequência de ações em elipse narrativa, estabelece perfeitamente que enquanto não víamos seus militares, eles estavam trabalhando na busca pelo Doutor e Jo; e a imprensa, o Ministro da Defesa e o Primeiro Ministro britânicos estavam constantemente perturbando o Brigadeiro, ou seja, a ausência e a volta da UNIT acontecem em um modelo de montagem sequencial/paralela bem realizados. Nos incomodamos um pouco com a complexa fluidez da história nesse aspecto, mas, como disse antes, a qualidade geral da trama não é afetada, independente do ângulo que se olhe.

É importante destacar a boa coreografia de luta e planos de fuga do Doutor, a inventiva trilha sonora de Dudley Simpson e a forma como os Daleks são mostrados governando a Terra. O uso dos humanos e dos Ogrons (que voltaria, no futuro) e o domínio da viagem no tempo são pontos interessantes, bem como a inteligência dos vilões, que preferem extrair minérios do planeta e “consumi-lo por dentro” a fazerem, desta vez, todo um estardalhaço de dominação e chamar a atenção do Doutor ou de qualquer ‘salvador’ possível.

E ainda sobre os Daleks, importante dizer que a voz mais rouca me incomodou bastante, tornando-os menos ameaçadores e um pouco mais bizarros. Vale também citar que a arma laser, ao ser disparada, não mostra mais o esqueleto das vítimas, apenas emite uma luz negativa e em seguida, o alvo está no chão. Sinceramente senti falta de ver os esqueletos (ser mórbido faz parte da jornada da série clássica…).

O final abrupto o arco não irrita tanto o expectador se ele já está acostumado com os finais neste mesmo padrão vistos nas aventuras anteriores. A linha alternativa dos eventos aqui mostrados é apagada, mas os Daleks não são vencidos, apenas as condições de existência deles na Terra, no ano de 2162, deixaram de existir. E, assim como começou, Day of the Daleks termina: com uma pequena e nervosa brincadeira a respeito do tempo.

Day of the Daleks (Arco #60) — 9ª Temporada
Direção: Paul Bernard
Roteiro: Louis Marks
Elenco: Jon Pertwee, Nicholas Courtney, Katy Manning, Aubrey Woods, Richard Franklin, John Levene

Audiência média: 9,60 milhões

4 episódios (exibidos entre 1º e 22 de janeiro de 1972)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.