Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Doctor Who and the Silurians (Arco #52)

estrelas 3,5

Equipe: 3º Doutor, Liz (+ UNIT e Brigadeiro Lethbridge-Stewart)
Era: UNIT — Ano 2
Espaço: Centro de Pesquisas Nucleares, Wenley Moor, Condado de Derbyshire (Inglaterra)
Tempo: Anos 70
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Doctor Who and the Silurians, segundo arco da 7ª Temporada clássica de Doctor Who e também o segundo arco estrelando o 3º Doutor, apresenta um novo vilão para a galeria da série (os Silurians do título) e traz Bessie, o calhambeque amarelo, pela primeira primeira vez. Com uma trama ameaçadora e grande exploração de questões científicas, o arco chama atenção pelo caráter cinematográfico em termos narrativos e por uma escolha que caracteriza a fase do novo Doutor, que é o uso da violência e grande número de mortes.

Diferente de Spearhead From Space, onde, apesar de uma história tenebrosa o humor se fazia presente, não há riso nessa história dos Silurians. Aliás, o genuíno alívio cômico vem apenas no início do Episódio 1, quando o Doutor está fazendo reparos em Bessie e musicalizando a primeira estrofe do poema Jaguardarte, de Lewis Carroll:

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Depois desse momento, a investigação no Centro de Pesquisas Nucleares em Wenley Moor é iniciada e toda a história vai se tornando cada vez mais séria, até chegar ao ponto em que uma epidemia criada pelos cientistas silurianos (sim, temos uma guerra biológica!) afeta os humanos e as pessoas começam a adoecer e morrer em grande quantidade. É simplesmente aterrador. Malcolm Hulke constrói a percepção de perigo constante e paranoia e não se furta em trazer discussões morais para os dois lados em conflito, ou seja, da mesma forma que existem humanos bons e ruins, também existiam silurians bons e ruins. Todavia, o término da aventura deixa claro que certas atitudes nunca mudam. Novamente, um conceito aterrador para uma série familiar cujo público-alvo eram crianças e adolescentes.

O local dos eventos é basicamente a região de Wenley Moor e a trama acontece em parte nas cavernas onde os Silurians estão e em parte na superfície. O encadeamento dos fatos é bastante modulado no início do arco, mas nos episódios 3, 4 e 5 há um número muito grande de cenas inúteis e enrolações que não beneficiam em nada a história. Talvez a necessidade de ter que fazer o enredo durar 7 episódios tenha obrigado Malcolm Hulke a fazer diversos jogos de gato e rato ou de teimosia e encontros/desencontros entre os personagens. Em parte, essas idas e vindas possuem algum charme, mas na maioria das vezes são irritantes.

No entanto, o verdadeiro ponto fraco está no desenvolvimento dos vilões, e com isso não estou trazendo à tona os itens de produção (efeitos visuais e especiais). Coisas como a quantidade de espécimes, o inútil e inexplicável dinossauro e a junção entre a “história dos silurians” e a dos humanos são a pedra no sapato do roteiro. Nesse ponto, a salvação está na potente ameaça da doença e na curiosidade que o espectador tem de descobrir o que será feito deste ou daquele personagem, ou que rumo a história irá tomar.

Há uma curiosa e interessante exploração do relacionamento entre o Doutor e o Brigadeiro Lethbridge-Stewart, algo entre a amizade e a birra que é simplesmente adorável. Também a presença de Liz ganha destaque, especialmente porque a personagem foi inserida na trama como uma espécie de Zoe, especialista em algo e não apenas acompanhante observadora do Doutor.

Apesar dos tropeços na construção dos bad guys e a já comum (porém charmosa) bizarrice dos efeitos e vilões da série clássica — a roupa dos Silurians é risível, assim como o sensor que eles possuem no alto da cabeça; mas a máscara é muito boa — o arco tem sua graça e traz bons momentos para o público, além de um final extremamente crítico e que nos faz perguntar como fica a relação entre o Doutor e o Brigadeiro depois de todas aquelas explosões nas cavernas silurianas.

NOTA 1: Em uma linha do tempo paralela, apresentada em Blood Heat, livro de Jim Mortimore, lançado pela Virgin Books em 1993, o Doutor é capturado e morto pelos Silurians antes que conseguisse encontrar um antídoto para a praga. Milhões de pessoas morreram ao redor do mundo. Esse período ficou conhecido como “o Pesadelo”.

NOTA 2: Não dê muita atenção à veracidade geológica e nem tente classificar os Silurians na linha das eras geológicas da Terra porque simplesmente irá enlouquecer. Veja o pequeno esquema abaixo:

  • O nome “Silurians” implica que eles são do Período Siluriano ou Silúrico (443 milhões a cerca de 418 milhões de anos atrás), o que é impossível, já que a única vida animal que tínhamos nesse período era, basicamente, as primeiras formas de anfíbios.
  • Em The Sea Devils, o Doutor fala que eles provavelmente deveriam ser do Período Eoceno, o que de certa forma é uma data aceitável, se bem que os primatas que surgiram no final desse período não são em nada parecidos com o que os Silurians poderiam chamar de “macacos”. Também tem o problema do dinossauro, que a esta época já estavam extintos a milhões de anos.
  • O mapa da Pangeia que os Silurians mostram nesse arco é o formato que o supercontinente tinha há 200 milhões de anos, ou seja, no Período Triássico, exatamente no meio entre o Silúrico e o Eoceno. Nada combina. Como disse, não tentem classificar essa espécie de forma correta pela Paleontologia porque não dá.

NOTA 3: Os Silurinas também são chamados na série de Eocenes (olha aí o Período Eoceno de novo!); Homo Reptilia (para serem chamados de “Homo”, eles deveriam ser, pelo menos, do Período Plioceno); Earth Reptiles (bem genérico e funcional, não?); Lizard Men e, por último e não menos complicado, Psionosauropodomorpha.

Doctor Who and the Silurians (Arco #52) — 7ª Temporada
Direção: Timothy Combe
Roteiro: Malcolm Hulke
Elenco: Jon Pertwee, Caroline John, Nicholas Courtney, Fulton Mackay, Geoffrey Palmer, Peter Miles

Audiência média: 7,71 milhões

7 episódios (exibidos entre 31 de janeiro a 14 de março de 1970)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.