Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Enlightenment (Arco #127)

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estrelas 3,5

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Turlough
Espaço: TARDIS / Navio eduardiano dos Eternals, Sistema Solar
Tempo: Indeterminado

Quando chegamos ao final de Enlightenment, respiramos aliviados só em pensar que nunca mais veremos Turlough segurando um cristal dimensional nas mãos e, de forma patética, chamando o Black Guardian para ajudá-lo. Aliás, o companion tem aqui uma das maiores idas e vindas de composição dramática da série até o momento. No início, ele está jogando xadrez com Tegan, que não parece nada interessada, e apesar de sua postura desleixada com tudo em volta, se apresenta como alguém interessante. Depois, ele assume a carapuça egoísta, avarenta e covarde para, no fim, dar voz ao fato de que ele estava gostando de viajar com o Doutor. Quem bom. Menos um problema desnecessário para a série resolver.

Baseado na lenda do Holandês Voador, com referências visuais de “navios voadores” vindas de um terrível filme japonês chamado Mensagem do Espaço (1978) e óbvias citações ao conto Sunjammer ou The Wind from the Sun (1964), de Arthur C. Clarke, este arco é o único de toda a Série Clássica a ter duas mulheres nos postos técnicos principais: Barbara Clegg, como roteirista e Fiona Cumming (de Castrovalva e Snakedance) como diretora.

A mistura de tecnologia avançada e cenários ou objetos de séculos anteriores (a Era Eduardiana, ou seja, o período entre 1901 e 1910, no Reino Unido, é citada) dá um sabor Steampunk ao arco, que funciona muito bem sob esse aspecto. Quando o Doutor e seus companheiros chegam ao navio dos Eternals e vai descobrindo mais sobre aquele lugar, é quase impossível não esperar com ansiedade pelo próximo passo. Ao notarmos que o Black Guardian e o White Guardian também estão envolvidos na trama, toda a corrida acaba tendo um significado ainda maior e melhor.

Tegan está praticamente outra pessoa aqui. Seus questionamentos bobos foram enxugados ao máximo e ela demonstra mais preocupação e reações humanamente compreensíveis, como sentir enjoo ou querer ficar sozinha durante a viagem, do que qualquer outra bobagem mimada que já tenham escrito para ela antes. Penso que o fato de haver uma mulher escrevendo o roteiro fez toda a diferença, e isso também é perceptível quando observamos o tipo de vilã que a Capitã Wrack é.

Embora o trabalho de direção de arte seja muito bom, a direção se aproveita pouco dele, focando mais na perseguição e detalhes menores dentro do navio/nave dos Eternals ou mostrando o espaço com terríveis efeitos, do que colocando o Doutor, Tegan e Turlough melhor conectados com esses espaços. A situação muda quando eles vão para o navio/nave da Capitã Wrack, lugar onde o espaço é devidamente ligado à narrativa. Bem que o Doutor e principalmente Turlough poderiam usar uma roupa diferente nesse arco para se misturarem melhor e aderirem às boas mudanças de conceito!

A fotografia explora uma paleta de cores amadeiradas e funciona muito melhor nas cenas internas. Exceto pelo ponto final da corrida, o lugar onde o vencedor receberia a Iluminação, não gostei de nenhuma cena no espaço. Apenas a ideia do que estava acontecendo + um bom drama de caráter claustrofóbico funcionariam melhor. De todo modo, o que temos aqui não é um drama ruim, muito pelo contrário. O trabalho visual externo não é dos melhores, mas qualquer whovian que se preze consegue contextualizar isso rapidamente, mesmo admitindo a má qualidade de tais efeitos.

O final, com Turlough liberto e pedindo para ser levado até o seu planeta é uma boa surpresa. Sem mais cristais, sem mais cara de desespero e, enfim, detalhes sobre a terra natal desse curioso e progressivamente interessante companion dão as caras. Só que essa ida para o planeta de Turlough ainda demoraria um pouco para acontecer… não viria logo em seguida não.

Time-Flight (Arco #127) — 20ª Temporada
Direção: Fiona Cumming
Roteiro: Barbara Clegg
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Mark Strickson, Keith Barron, Valentine Dyall, Cyril Luckham, Christopher Brown, Clive Kneller, James McClure, Tony Caunter,Lynda Baron, Leee John
Audiência média: 6,83 milhões
4 episódios (exibidos entre 1º e 9 de março de 1983)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.