Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Frontier in Space (Arco #67)

estrelas 4,5

Equipe: 3º Doutor, Jo
Espaço: Terra, Draconia, planeta dos Ogrons
Tempo: Século XXVI

Frontier in Space é uma triste história para aqueles que conhecem seu pano de fundo – ela marca a aparição final de Roger Delgado como o Mestre. O ator que viveu o clássico arqui-inimigo do Doutor desde Terror of the Autons faleceu em um acidente de carro, poucos meses após a estreia do arco e apareceria em mais um arco da série clássica, The Final Game. Além disso, um importante elemento é introduzido no cânone de Doctor Who, uma primeira aliança entre o Mestre e os Daleks, que atua como o twist final no último capítulo do arco.

Tais episódios, contudo, não devem ser lembrados apenas pela sua importância histórica dentro do seriado, como também pela qualidade de sua narrativa, ainda que ela somente se encerre plenamente em Planet of the Daleks. Nela, uma guerra intergalática está prestes a explodir – de um lado a raça humana – com sua capital em Brasília (não necessariamente, mas o Planalto Central é retratado como o prédio sede do governo da Terra) – e do outro o Império Draconiano. Instigando os fogos da guerra está o Mestre (Roger Delgado) aliado dos Ogrons, que utilizam um dispositivo telepático que faz cada um dos lados acreditar que um ataca o outro. Naturalmente, cabe ao Doutor (Jon Pertwee) e Jo Grant (Katy Manning) impedir a eclosão do conflito.

Apesar de contar com seis episódios, o que muitas vezes significa que veremos uma narrativa inchada, Frontier in Space conta com um ritmo adequado, que sabe intercalar momentos mais acelerados com uma maior calmaria. De fato inúmeros acontecimentos ocorrem ao longo do arco, evitando uma simples repetição de eventos a fim de garantir a duração estendida. Deslizes, porém, ocorrem no desfecho, quando uma maior pressa se instaura, deixando inúmeras pontas soltas e ainda sofrendo com um problema de montagem, que parece simplesmente cortar planos fora sem se preocupar com a continuidade. Felizmente tais problemas se limitam a um trecho do sexto capítulo, não influenciando o restante da produção

O roteiro de Malcolm Hulke procura, incessantemente, evidenciar que os humanos e os draconianos são, em sua essência, muito similares, tornando clara a não necessidade da guerra que beira o horizonte. Em alguns pontos essas constantes tentativas de paralelismo acabam soando exageradas, mas nada que efetivamente canse o espectador. Como de costume, Pertwee e Delgado roubam o show, com suas memoráveis encarnações dos personagens. Muitas vezes o humor é garantido justamente pela personalidade do Mestre, em especial quando em cena com seus estúpidos aliados, os Ogrons. Não há como não lembrar de Dick Vigarista e Muttley, principalmente quando algo foge dos planos do vilão e um grande extravaso de ira ocorre.

Algo a se notar, também, que já se estabelecera em arcos anteriores, como Carnival of Monsters, é a maior presença de Jo dentro da narrativa, ao passo que a personagem, de fato, desempenha um papel maior dentro da resolução das problemáticas estabelecidas. Como não destacar o momento no qual ela e o Doutor estão presos e Jo precisa manter um gigantesco monólogo a fim de distrair o Mestre? São momentos como esse que constroem a personalidade da personagem, além, é claro, de equilibrar a constante sensação de urgência estabelecida desde o início da história com um pouco de comédia.

 No fim, Frontier in Space é uma ótima despedida para o talentoso Roger Delgado, ainda que sua retratação do Mestre merecesse ocupar as telinhas por anos e anos a fio. O arco conta com uma narrativa coesa e bem conduzida, que consegue nos prender de seus minutos iniciais até seu cliffhanger finaldeixando-nos positivamente curiosos para o que está por vir em Planet of the Daleks, uma verdadeira pena que o Time Lord renegado não estará lá para preencher o rosto dos espectadores com sorrisos.

Frontier in Space (Arco #67) – 10ª Temporada
Direção:
 Paul Bernard
Roteiro: Malcolm Hulke
Elenco: Jon Pertwee, Katy Manning, Roger Delgado, Vera Fusek, Michael Hawkins, Peter Birrel, Lawrence Davidson

Audiência média: 8,01 milhões

6 episódios (exibidos entre 24 de Fevereiro e 31 de Março de 1973)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.