Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Frontios (Arco #132)

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estrelas 4

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Turlough
Espaço: Planeta Frontios
Tempo: c. 10.000.000

O estabelecimento da colônia humana em Frontios ocorre no momento de destruição da Terra, dentro do Universo de Doctor Who. Nós já havíamos visto coisas sobre isto em The Ark, era do 1º Doutor, e o exato motivo pelo qual a nossa espécie estava procurando novos planetas para habitar. O mesmo problema se seguiu em outras histórias no Universo da série, como As Estrelas Silenciosas Passam (11º Doutor), Réquiem Infinito (7º Doutor), A Guerra Bem-Educada (4º Doutor), The One Doctor (6º Doutor) e outras.

Diante da extinção da humanidade e de planos diferentes de colonização em outros planetas, fica fácil entendermos o por quê algumas dessas colônias são marcadas pelo desespero. Não havia exatamente para quem voltar ou quem chamar. Eles estavam por eles mesmos. O roteiro de Christopher H. Bidmead aposta em uma infestação de Tractators no planeta, criando, pelos desconhecidos “bombardeios” e pelas mortes e “desaparecimentos”, um medo generalizado e baixo moral em torno dos destroços da nave humana caída, tornando tudo ainda mais difícil.

O espectador é recebido aqui com rápidas resoluções, uma excelente caracterização do 5º Doutor (como é bom ver Peter Davison interpretando um bom roteiro!) e um drama crível à primeira vista. Nessa era — e especialmente com esta equipe de companheiros –, raramente vi uma história com uma fluidez narrativa tão grande. Evidente que isso acaba tropeçando quando os Tractators ganham destaque e os detalhes sobre os seus poderes gravitacionais são adicionados como justificativa a sua presença em Frontios, mas este não é um daqueles pontos negativos que acabam estragando tudo. Os vilões, por exemplo, tem uma figuração muito boa e o guarda-roupa para os humanos da base ajudam a dar um ar sério, militarizado, como se todos ali estivessem engajados em funções oficiais e prontos para fazerem a colônia dar certo. É triste, um pouco assustador e impactante para o resultado nulo desses esforços diante da ação dos Tractators e dos meteoros que os humanos confundem com bombardeios.

Fora o Doutor, Turlough é o meu personagem favorito aqui (sim, vocês viveram para ver eu escrever isso), e Mark Strickson entrega uma interpretação intensa, mostrando o horror de ter visto as criaturas que infectaram o seu planeta (Trion) desde há muito tempo. A sequência em que ele se aproxima, em estado de choque, seguida da narração que estava bloqueada em sua memória, são ótimos momentos do ator, os melhores de toda a sua estadia na TARDIS até aqui. Mais atrás está Tegan, que não nos irrita (muito) ao longo da história. Aliás, ela só age realmente de maneira chateante quando está com o Doutor no subterrâneo, procurando os Tractators e os humanos “sequestrados”.

Ideias sobre controle de pragas, conceitos de obediência cega a ordens superiores e questões maiores de sobrevivência são colocadas em cena. É possível fazer qualquer coisa para garantir a sobrevivência de uma espécie? E, a rigor, a mesma coisa não poderia ser perguntada tendo em mente os próprios vilões desse arco?

Há um erro de continuidade bem feio aqui, ao final, que indica que só Gravis, o chefe dos Tractators, foi levado para um planeta distante. Os corpos dos outros não são mostrados, o que é terrivelmente incômodo, mas algo que, puxando uma coisa ou outra, é possível “justificar”, mesmo que saibamos ser uma postura de whovian que tem TOC de continuidade, não algo que o roteiro nos deu (mas deveria ter dado).

O cliffhanger para a aventura seguinte é bastante semelhante ao pequeno caos na sala de controle da TARDIS que motivou a própria chegada da equipe em Frontios. Mas dessa vez não se trata de um campo gravitacional. O Doutor vai se encontrar com alguns velhos inimigos.

Frontios (Arco #132) — 21ª Temporada
Direção: Ron Jones
Roteiro: Christopher H Bidmead
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Mark Strickson, Peter Gilmore, Lesley Dunlop, William Lucas, Jeff Rawle, Maurice O’Connell, Richard Ashley, John Gillett, Alison Skilbeck, Raymond Murtagh
Audiência média: 6,80 milhões
4 episódios (exibidos entre 26 de janeiro e 3 de fevereiro de 1984)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.