Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Fury From the Deep (Arco #42)

furyfromthedeep

estrelas 3,5

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Victoria
Espaço-tempo: Reino Unido, 1968

Esse arco carrega uma série de estranhezas de concepção consigo, principalmente em relação ao vilão da vez, uma alga marinha que se alimenta de um gás extraído do mar e se reproduz muito rapidamente gerando uma grande quantidade de espuma (até agora gostaria de entender qual é a relação entre uma coisa e outra) e ganhando uma forma mais ou menos humanoide, a ponto de atacar seres humanos e dominá-los por telepatia.

O roteiro é escrito por Victor Pemberton, que ambienta na Inglaterra de 1968 a trama de uma empresa que explora gás através de várias plataformas no Mar do Norte. O cenário não chega a ser exatamente futurista, mas com certeza apresenta máquinas e outras conquistas tecnológicas que não pertencem àquele tempo, mesmo que tenha como base invenções já existentes. Victoria e Jamie se intrigam com essa recorrência da TARDIS pousando no Planeta Terra constantemente, trazendo à lembrança as aventuras vividas nos arcos The Abominable Snowmen, The Ice Warriors, The Enemy of the World e The Web of Fear.

Essa lembrança de Victoria é quase uma pequena preparação do público para o que se delineou mais fortemente após o 3º episódio do arco. A companion começa a dar sinais de esgotamento nervoso com toda a movimentada vida ao lado do Doutor, sempre correndo riscos e sempre tendo que fugir de alguma coisa. Ela deixa claro que gostaria de estar em paz em algum lugar. Mesmo antes do episódio final já sabemos que ela decidiria ficar na Inglaterra de 1968, mas confesso que foi uma surpresa a jovem ter sido “adotada” pelo casal Harris. A partida a companion foi terna e amigável, mas o roteiro não explorou com grande eloquência o lado sentimental nem de maneira disfarçada, como foi no caso de Ian e Barbara em The Chase.

Por se tratar de uma total reconstituição, com alguns poucos momentos de vídeo original, fica difícil fazermos uma análise sólida sobre a produção do arco em termos técnicos como arte ou direção. É possível falar do ritmo interessante em que os episódios acontecem, mesmo tendo um estranho elemento em pauta durante todo o tempo. Talvez isso se dilua um pouco nos episódios 3, 4 e 5, quando o texto ganha ares mais investigativos, colocando em dúvida o papel de alguns engenheiros e técnicos da base ou, já na reta final da história, jogando com o elemento surpresa da parte do Doutor, o resgate de Victoria ou a traumática fuga a bordo do helicóptero.

Além da despedida de uma companion, tivemos aqui o uso da sonic screwdriver pela primeira vez em Doctor Who! O instrumento aparece rapidamente no início do primeiro episódio e depois não é mais usado, no entanto, essa breve aparição não deixa de nos imprimir um sorriso de cumplicidade no rosto.

Com todos os assustadores e quase sempre exagerados gritos de Victoria (que, ao final de tudo, servem para alguma coisa importante na história), fica difícil se afeiçoar à garota a ponto de sentirmos sua partida como sentimos a de Susan ou Vicki, por exemplo. Claro que se trata de uma companion adorável, mas sua teimosia às vezes irritante e seu tom completamente diferente da abordagem dada a Jamie fizeram-na mais uma tripulante que se despede com afeição mas cujo espaço seria tranquilamente preenchido física e emocionalmente em pouco tempo (em The Wheel in Space, o arco seguinte, para ser mais exato).

Fury From the Deep é um arco interessante à sua maneira. Sua história é bastante incomum e com uma estranha criatura em cena, mas o modo como as coisas se resolvem e o tom de investigação dado à sequência de eventos fazem-na ser, no todo, uma boa história do 2º Doutor.

Fury From the Deep (Arco #42) – 5ª Temporada

Direção: Hugh David
Roteiro:
Victor Pemberton
Elenco principal: Patrick Troughton, Frazer Hines, Deborah Watling, John Garvin, Victor Maddern, Richard Mayes, Hubert Rees

Audiência média: 7,20 milhões

6 Episódios (exibidos entre 16 de março e 20 de abril de 1968)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.