Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Mawdryn Undead (Arco #125)

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estrelas 4

Equipe: 5º Doutor, Nyssa, Tegan
Espaço: Brendon Public School, Reino Unido / Nave de Mawdryn
Tempo: 1977 e 1983

Bebendo diretamente do famoso livro de John Le Carré, Tinker Tailor Soldier Spy (1974) e da lenda do Holandês Voador, Mawdryn Undead apresenta um novo companion para o Doutor, alguém que o espectador percebe que não é da Terra, mas sobre o qual não são dadas explicações de origem, planeta e o que estava fazendo no nosso planeta azul. Além da estreia de Turlough, como um vilão e em seguida como um companion — ainda sem confiança de Tegan e Nyssa –, temos o retorno do Brigadeiro Lethbridge-Stewart e do Black Guardian, em uma versão diferente daquela que conhecemos em The Armageddon Factor.

O drama de Mawdryn, líder de um grupo de cientistas que resolveu pesquisar e aplicar neles mesmos o processo de regeneração dos Time Lords, é quase um McGuffin em todo o enredo, caminho que foi ficando cada vez mais forte na série desde meados da 19ª Temporada. Desta vez, contudo, o “drama-isca” é bem utilizado e serve como um perfeito motivador narrativo, inclusive para o estabelecimento do paradoxo dos dois Brigadeiros (vemos sequências aqui em dois anos diferentes, 1977 e 1983), mesmo que infelizmente tudo se torne conveniente demais no final, embora não retire do restante do arco a sua boa construção.

Um ponto curioso a se notar é que esta 20ª Temporada enfim começou a apresentar sinais de ligação orgânica entre as aventuras. Em Arc of Infinity isso ainda estava bastante frágil, mas a partir de Snakedance uma boa quantidade de elos com o passado foi estabelecida, servindo não apenas para tornar a temporada sólida, em termos de argumento, mas favorecendo, respeitando e reavivando o cânone da série, como percebemos aqui nas referências visuais aos vilões e a outras encarnações do Doutor, fazendo o Brigadeiro lembra-se dos Yeti em The Web of Fear; de um Cyberman e do 2º Doutor em The Invasion; do 3º Doutor em Spearhead from Space e dos vilões Axos e Dalek; da regeneração do 3º para o 4º Doutor em Planet of the Spiders; do interior da TARDIS e do 1º Doutor em The Three Doctors; e por fim, dos eventos de Robot e Terror of the Zygons.

Essa ponte com o passado e a hibridez do roteiro de Peter Grimwade (falo de “hibridez” aqui no bom sentido, como uma mistura de gêneros e eras diferentes da série) servem para tornar a aventura interessante, parcialmente ligada a eventos da Terra (no passado e no presente) e parcialmente ligada a eventos extraplanetários, sob as mesmas condições. A boa interação de Tegan, ainda um pouco atormentada pelo que ocorrera em Snakedace, e Nyssa, a antipatia em relação a Turlough e o mistério envolvendo o personagem e os viajantes na TARDIS daqui para frente são bons ingredientes para a criação de um “plano maior”, apenas estragado pelos excessos que o texto ganha no final.

A identidade de Turlough junto ao Black Guardian serão peças de um quebra-cabeça até o final desta temporada, em uma pequena jornada sobre acordos questionáveis e luta entre quesitos morais. Pena que os chamados de Turlough pelo Guardião Negro, erguendo o cristal e resistindo (ou não tendo sucesso) em matar o Doutor será uma chatice em muitos momentos do futuro.

É de se lamentar que o Doutor e o Brigadeiro não tenham tido mais tempo juntos e que seus diálogos tenham sido exclusivamente ligados à resolução dos problemas presentes, exceto um pequeno espaço onde o Time Lord pergunta sobre Liz, Jo e Sarah. A direção de arte volta a ganhar destaque na construção do interior da nave de Mawdryn e a direção de fotografia, enfim, consegue realizar algo notável na era John Nathan-Turner. As sementes para a metade final desta 20ª Temporada são lançadas aqui. Vamos ver como cada um dos frutos irão se revelar ao final.

Mawdryn Undead (Arco #125) — 20ª Temporada
Direção: Peter Moffatt
Roteiro: Peter Grimwade
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Janet Fielding, Mark Strickson, Nicholas Courtney, Valentine Dyall, Angus MacKay, Stephen Garlick, Roger Hammond, Sheila Gill, David Collings, Peter Walmsley, Brian Darnley
Audiência média: 7,28 milhões
4 episódios (exibidos entre 1º e 09 de fevereiro de 1983)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.