Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Mindwarp (Arco #143b: The Trial Of A Time Lord)

MINDWARP PLANO CRITICO DOCTOR WHO TRIAL OF A TIME LORD PERI DEPARTURE

estrelas 3

Equipe: 6º Doutor, Peri
Saga: The Trial Of A Time Lord
Espaço: Nave Espacial dos Time Lords / Planeta Thoros Beta
Tempo: 3 de Julho de 2379

Mindwarp estabelece uma traumática partida de Peri, então companion do Doutor; uma partida que posteriormente seria reticonada em várias mídias, abrindo uma série de linhas alternativas para a vida da americana, porém, sem o cuidado de retorná-la para seu destino final, como Moffat fez/propôs para Clara em Hell Bent e, por isso mesmo, diminuindo ou descaracterizando bastante o sacrifício aqui estabelecido.

Nicola Bryant havia sido comunicada que sua personagem seria retirada da série na 23ª Temporada e a atriz gostou bastante da ideia, pois temia pelo futuro de sua carreira, ficando muito tempo em um único papel e dando a impressão estereotipada de sua forma de atuar. Ao ser perguntada por JNT como ela gostaria de partir, a atriz foi bem clara: “dramaticamente. Como em uma explosão“. Nicola disse em entrevistas que estava no estúdio quando Resurrection of the Daleks foi filmado e acompanhou a partida de Tegan, achando-a bastante fraca. Segundo a atriz, “se era pra sair da série, que fosse de forma marcante“. E foi exatamente isso que o roteiro de Philip Martin lhe deu, fazendo com que ao final da história a mente do Mentor Kiv fosse transportada para o corpo de Peri, que em seguida é morta (ou morto?) pelo selvagem rei Yrcanos.

A produção do arco trouxe farpas para relação de John Nathan-Turner com o editor de roteiros Eric Saward, mas ambos acabaram se entendendo e conseguiram dar vida ao texto de Philip Martin, que trazia o sádico Mentor Sil de volta (o vilão caiu nas graças dos produtores e, por algum motivo, parece que o público também gostara dele em Vengeance on Varos), agora em seu próprio planeta. Desde o início há uma aura pesada no episódio, talvez criada pela indicação do Valeyard, prometendo uma acusação pesada sobre o Doutor; seja pela caracterização do lugar e pela quase desesperada participação de Peri no primeiro capítulo, pedindo para ir embora o tempo todo. Particularmente, vejo essa tentativa dos roteiristas em indicar uma vontade de Peri em fugir dos lugares que apresentavam perigo uma fraca deixa de que ela partiria em breve. A rigor, esses pedidos tornam a personagem chata e atrapalham a interessante relação “morde-e-assopra” que tinha com o Doutor… mudança percebida desde The Mysterious Planet.

Com menos interrupções e ainda mantendo um humor refinado na pessoa do Doutor, seus apelidos ao Valeyard e sua forma nada comum de olhar o mundo, o arco dá um passo à frente no julgamento, investindo na raiva do Time Lord especialmente no final, quando ele percebe o que acontece com Peri. O que eu particularmente achei muito estranho foi a dubiedade desnecessária nas atitudes do Doutor após os experimentos de Crozier em seu cérebro. A mentalidade do Senhor do Tempo é alterada, mas nós ficamos em dúvida se é o Doutor tentando disfarçar ou se ele realmente está agindo de maneira semelhante ao Mentor Sil. A deixa para o “não” em relação a isso vem quando Crozier propõe usar Peri como cobaia para transferir a mente de Kiv e o Doutor faz de tudo para que isso não aconteça. Mas o caminho que nos leva até aquele momento é bastante confuso e tudo fica ainda mais problemático porque pouco tempo depois o Doutor é retirado de seu tempo e sua TARDIS levada até a nave espacial onde o julgamento aconteceria.

Apesar de alguns momentos confusos, o arco traz boas referências ao clássico A Ilha do Dr. Moreau e dramas de ficção científica com cientistas loucos e suas manias de transplante de cérebro. Visualmente, tudo funciona bem, talvez com um certo exagero na representação saturada da fotografia para o planeta Thoros Beta. Já as filmagens em interiores são ótimas, dando uma visão escura, suja e com misto de tecnologia para a sociedade dos Mentors, mantendo algo que já conhecíamos dela (a busca incessante por lucro) e adicionando a mania de experimentos, nessa ocasião, para estender a vida de Kiv, então líder de seu povo.

O final da saga nos faz ver o Doutor com grande ira, prometendo o revés a quem quer que tenha alterado a Matrix e feito sua presença em Thoros Beta uma grande tragédia para Peri. Um pouco acuado e aparentemente sem muita alternativa, o Time Lord deverá apresentar sua defesa e ela virá com uma aventura de seu próprio futuro (!), já ao lado de uma nova companion, a incrível Melanie Bush.

Mindwarp: The Trial Of A Time Lord (Arco #143b) — 23ª Temporada
Direção: Ron Jones
Roteiro: Philip Martin
Elenco: Colin Baker, Nicola Bryant, Michael Jayston, Lynda Bellingham, Brian Blessed, Nabil Shaban, Christopher Ryan, Patrick Ryecart, Alibe Parsons, Trevor Laird, Thomas Branch, Gordon Warnecke, Richard Henry
Audiência média: 4,88 milhões
4 episódios (exibidos entre 4 e 25 de outubro de 1986)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.