Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Nightmare of Eden (Arco #107)

dw-nightmare-of-eden

estrelas 1,5

Equipe: 4º Doutor, Romana II, K9 II
Espaço: Espaçonave Empress e Hecate
Tempo: Indeterminado

Nightmare of Eden foi um arco de produção extremamente complicada para Doctor Who, contando com a demissão de seu diretor, Alan Bromly, ainda durante as filmagens, com o cargo sendo assumido pelo produtor Graham Williams, que sairia ao final da décima sétima temporada em virtude dos problemas encontrados aqui. A controvérsia foi tamanha que a equipe recebeu camisetas com o escrito “I’m Relieved the Nightmare is Over” (estou aliviado que o pesadelo acabou). Ao contrário do que muito se vê no cinema, com ótimos filmes contando com conturbadas filmagens, exemplo de O Poderoso Chefão ou Apocalipse Now, as dificuldades passadas na gravação do arco evidentemente afetaram sua qualidade e alguns desses defeitos perfeitamente justificam a demissão de Bromly.

A trama gira em torno de duas naves, a Empress e a Hecate que entram em colisão e permanecem presas uma à outra, ao mesmo tempo que suspeitas de tráfico de drogas, especificamente a substância conhecida como vraxoin, começam a emergir na espaçonave. Nesse cenário o Doutor (Tom Baker), Romana (Lalla Ward) e K9 aterrissam com a Tardis, sendo compelidos não somente a desvincular as naves como de descobrir quem está por trás  do contrabando que passa a afetar membros da tripulação, incluindo, mas não limitado ao navegador da Empress, o que favoreceu o acontecimento do acidente em questão.

Um forte discurso anti-drogas permeia todo o arco, como já é deixado claro pela sinopse – o objetivo almejado, de evidenciar o mal dessas substâncias, todavia, acaba sendo pouco, mal explorado. O efeito do vraxoin é mal visto em tela, testemunhamos alucinações (algumas intermináveis) e os relatos do Doutor de como a droga destruiu inteiras civilizações, mas há uma nítida ausência de urgência na trama em relação ao composto químico – o tráfico em si é mais criticado, tornando-se o principal antagonista da obra. Este, por sua vez, é prejudicado pelos defeitos citados anteriormente.

Tais deslizes mais que claramente giram em torno da direção de Nightmare of Eden, que torna toda a projeção praticamente risível, nos é passada a forte sensação de que os atores não fazem ideia do que fazem em cena, chegando ao ponto de um deles em específico olhar repetidas vezes para a câmera logo no primeiro episódio ou de outro personagem permanecer estático, de costas, enquanto o Doutor é claramente atacado por uma imensa criatura. Mesmo Baker e Ward não se destacam dentro da bagunça que é este arco – com a companion permanecendo apagada a maior parte da projeção-, não há sinergia na equipe, cada um parece fazer o que quer, como uma orquestra sem seu maestro.

Essa forte sensação passada para o espectador afeta diretamente nossa imersão, naturalmente, especialmente levando em conta que os verdadeiros vilões da história são obviamente percebidos, diante do excesso de drama de um deles em específico. Para piorar a situação, inúmeros problemas são resolvidos da forma mais banal possível, simplesmente se atirando por aí, tirando muito do charme de Doctor Who, onde o Doutor, inúmeras vezes, precisa inventar inúmeras peripécias para escapar da morte certa. O roteiro também peca na enorme quantidade de variáveis, de subtramas que são deixadas subexploradas, esquecendo alguns de seus personagens ao longo do caminho – mesmo os tripulantes civis da Empress soam perdidos dentro da confusa trama do arco, que tenta (mas não consegue) mostrar os danos causados pelas drogas – seja o tráfico ou o consumo.

Dito isso. Nightmare of Eden perfeitamente espelha sua produção: um verdadeiro desastre, que contava, tristemente, com um enorme potencial em virtude de sua temática, tão atual quanto fora em 1979. Trata-se de uma verdadeira provação para os fãs de Doctor Who, especialmente se você for um daqueles chatos, como eu, que precisa assistir tudo. Quem merece a camiseta “I’m Relieved the Nightmare is Over” somos nós.

Nightmare of Eden (Arco #107) — 17ª Temporada
Direção: Alan Bromly, Graham Williams
Roteiro: Bob Baker
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Lewis Fiander, David Daker, Geoffrey Bateman, Jennifer Lonsdale
Audiência média: 9,32 milhões
4 episódios (exibidos entre 24 de novembro e 15 de dezembro de 1979)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.