Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Resurrection of the Daleks (Arco #133)

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estrelas 4

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Turlough
Espaço: Londres, Inglaterra
Tempo: 1984 / 4590

Aleluia! Tegan foi embora! Aleluia! Aleluia! 

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Eric Saward é conhecido em DW por suas histórias com grande teor de ação, que ligavam o Doutor a momentos próximos de um “ponto de virada” na História da Terra. Foi assim em The Visitation, em Earthshock, e aqui em Resurrection of the Daleks, que além de marcar a partida de Tegan [todos festejando comigo, pequem o chapeuzinho e os balões para a nossa coreografia da felicidade!] e o retorno dos Daleks desde Destiny of the Daleks (4º Doutor) — e estes eventos se passam, de fato, 90 anos depois do encontro com os Movellans naquela ocasião, curiosamente, o mesmo tempo que Davros passou em estase –, traz uma intensa luta do Senhor do Tempo para se livrar dos vilões e sair vivo. É uma história mais ágil que o comum, fazendo o 5º Doutor até empunhar uma arma e resolver que ia matar Davros. Bastante tenso e inesperado, principalmente em se tratando dessa encarnação do Doutor (se fosse na era Pertwee, isso seria apenas mais um dia de trabalho).

Essa fase de arcos apresentando o criador dos Daleks, que além do já citado Destiny of the Daleks e da presente história, teria Revelation of the Daleks (#142) e Remembrance of the Daleks (#148), elenca igualmente maior violência, maior espaço para o lado vilão ganhar território e a conquista de vitórias amargas para os mocinhos. Convenhamos que em Doctor Who a “vitória fofa” é algo raro. Na maioria esmagadora das vezes, o final consegue o “menor mal”, mas algumas vidas são tomadas no processo, o que, em parte, impulsionou Tegan a querer deixar o Doutor. Ela também se machuca e fica encostada por um tempo (patética solução do autor para afastar a companion, que merecia um último arco mais respeitoso com seu tempo ao lado do Doutor) e talvez tenha ficado com medo de ser novamente vítima pessoal das aventuras através do tempo e do espaço. O último encontro com Mara foi mesmo um divisor de águas para Tegan e a última gota ocorre aqui.

Algumas pessoas reclamam do arco pela exposição dos Daleks a um tipo de “fraqueza” diante de Davros, o que acho uma besteira. Pelo menos aqui, o princípio de necessidade, que nem é tão grande assim, é mais orgânico que aquele visto em Destiny. Confesso que acho frágil a linha de relação entre Davros e suas criaturas, mas vejo essa sequência de seriais como uma “nova visão” do cientista de Skaro para com essas máquinas de guerra. Sabendo fingir bastante — até a lição de compaixão que o Doutor ensinou para ele em The Magician’s Apprentice o infame transformou em um caminho para enganar — e mantendo uma relação de ódio e amor pelo seu trabalho, é natural que ele queira retomar as rédias, refazer os Daleks. Evoluí-los, enfim.

Claro que esse propósito, por mais compreendido que seja na estrutura do arco, se perde um pouco ao tratar criador e criatura em locais separados e com intenções que simplesmente não combinam. Em dado momento, temos a impressão que se tratam de duas historias que de alguma forma irão se juntar, mas não. Em tese, é uma coisa só, com blocos narrativos diferentes. A meu ver, o cômputo geral dessa jornada é bastante positivo, mas jamais livre de problemas.

Tegan se porta de maneira blasé ou inconsequente a maior parte do enredo, de modo que sua partida vem como uma bênção. Turlough não está muito diferente do que já conhecemos dele, por isso mantemos a versão de “funciona bem aqui versus funciona mal acolá”. Sua participação no último episódio é uma das mais ativas de sua jornada na TARDIS, mas ele não deixa de lado essa covardia às vezes velada, além de uma tremenda falta de empatia para com os outros, especialmente em situações de perigo.

Ao lado de Turlough, o Doutor segue viagem, inicialmente sem acreditar que Tegan realmente estava escolhendo seguir uma vida mais tranquila. Pelo menos a citação da tia Vanessa sobre “pular fora quando não está mais divertido” é uma das grandes verdades da vida e me fez ter um lapso de afeto por Tegan. Embora sem uma real preparação para a saída (vocês sabem que eu não gosto de Tegan, mas eu sou chato com construção de dramas e personagens, portanto, acredito que toda introdução e despedida de alguém em uma saga deve ter o máximo de significado e cuidado possível), os eventos dessa história acabaram servindo de motivador suficiente para ela e essa justificativa moral e também emotiva vem fechar com chave de bronze a porta para a companion, que voltaria, é claro, mas no Universo expandido.

Isso, porém, já é outra história…

Resurrection of the Daleks (Arco #133) — 21ª Temporada
Direção: Matthew Robinson
Roteiro: Eric Saward
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Mark Strickson, Terry Molloy, Rodney Bewes, Maurice Colbourne, Rula Lenska, Del Henney, Chloe Ashcroft, Philip McGough, Jim Findley, Sneh Gupta, Roger Davenport
Audiência média: 7,65 milhões
2 episódios de 45 min. (exibidos entre 8 e 15 de fevereiro de 1984)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.