Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Revenge of the Cybermen (Arco #79)

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane Smith, Harry Sullivan
Espaço: Farol Nerva
Tempo: 2875 (dia 3, semana 47)

Revenge of the Cybermen finaliza a 12ª Temporada clássica de Doctor Who que, juntamente com os arcos Robot (#75), The Ark in Space (#76), The Sontaran Experiment (#77) e Genesis of the Daleks (#78) formam uma temporada inteiramente ligada a uma única linha de viagem, trazendo-nos a primeira vez da série clássica em que uma temporada inteira foi interligada e pensada para se estruturar sob a mesma base. Na era do 3º Doutor, especialmente os arcos com o Mestre, havia uma colocação mais sutil dessa fórmula, porém nunca tal uso de cliffhanger foi utilizado como motor de andamento para os episódios e nunca uma temporada inteira se mostrou tão bem costurada como esta 12ª.

A saída do Doutor, Sarah e  Harry de Skaro os levou novamente para Nerva, mas não no tempo que eles pensavam e sim 13.212 anos antes. Um “pequeno erro” nos moldes da TARDIS. Nessa época, a Terra ainda não estava ameaçada por explosões solares e Nerva servia de farol espacial para as naves que circulavam o planeta Júpiter e proximidades. Das pesquisas feitas pelos terráqueos na região descobre-se Voga, que antes fora um planeta habitado mas que neste momento parece um asteroide estéril, porém, rico em ouro. O que não se sabe é que no subterrâneo do planeta, a civilização vogan permanece existindo.

A estrutura do roteiro aqui é simples e ao mesmo tempo bastante intricada na narrativa. Do segundo para o terceiro episódio há uma bifurcação na montagem, que passa a ser paralela, a fim de mostrar os acontecimentos em Voga e na Estação Espacial Nerva, sob controle dos Cybermen, após facilitações de um duplo agente, o professor Kellman. É estabelecido que Júpiter tem 12 satélites — era o que se sabia na época. Com com a descoberta de novas Luas, isso foi “atualizado” pelo 8º Doutor em To the Slaughter (2005), ao dizer que os outros satélites foram demolidos para melhorar o feng shui do Universo — e que essa versão dos Cybermen pode ser envenenada por ouro. Pela primeira vez, vemos o capacete preto dessa espécie, assim como o título de Cyber-Leader na série.

A direção de Michael E Briant consegue nos fazer acreditar em ambos os focos do texto, guiando as histórias com um nível de ação e interesse que não se arrefece à medida que os capítulos avançam. O fato de termos apenas 4 episódios também ajuda bastante a marcação da história com algumas fronteiras de construção textual, como fazemos, basicamente, nas redações: apresentação do tema na primeira parte, desenvolvimento nas duas partes do meio e conclusão na última. Percebam que mesmo os Cybermen não tendo aparecido na série desde The Invasion, nós não ficamos nos perguntando como sua presença se justifica aqui. O roteiro é hábil o bastante para colocar a ideia de sobrevivência na malha do espaço-tempo e dá prosseguimento à história sem maiores dificuldades. É claro que esses blocos narrativos não são inteiramente perfeitos (algumas mortes, diálogos e o motim entre os vogans são coisas dispensáveis), mas no todo, eles funcionam bem.

Filmado em parte nas Wookey Hole Caves, na Inglaterra, o arco teve sérios problemas de produção, com pessoas machucadas e hospitalizadas. A equipe de produção chegou a dizer que o lugar era amaldiçoado e que “a bruxa” estava fazendo as coisas darem erradas. Independente disso, o resultado final foi simplesmente fantástico. O aproveitamento do espaço geográfico a favor da trama foi perfeito e a direção de arte, os figurinos (lembrando que a roupa de Kellman emula a que vemos em Com 007 Viva e Deixe Morrer) e a maquiagem e constituição do povo vogan é admirável. Não existe um único “vilão barato” nessa temporada e isso é impressionante para a Doctor Who clássica até este momento.

Com referência a Descartes (Penso, logo existo), Shakespeare (uma frase de Macbeth) e Planeta dos Macacos (se você não se lembra ou não pescou essa referência, deixarei uma imagem no toggle abaixo) Revenge of the Cybermen fechou bem a 12ª Temporada da série, a primeira com o 4º Doutor. Na verdade, este não era para ser o último arco. Quem deveria ter finalizado este ano era Terror of the Zygons, mas por problemas de agenda e conflitos entre produção e diretoria da BBC, a história dos borrachudos metamorfos ficou para o ano seguinte. Em tempo:

  • 1) O símbolo que vemos na cidade dos vogans e em suas roupas é apenas o “símbolo dos vogans” nesse arco. Em The Deadly Assassin ele ficaria conhecido como “selo de Rassilon”, símbolo dos Time Lords.
  • 2) Durante a exibição desse arco o ator William Hartnell, que interpretou o 1º Doutor, veio a falecer, aos 67 anos. O que chamou a atenção é que o 1º Doutor também partiu, por esgotamento de seu corpo, após enfrentar os Cybermen em The Tenth Planet.

Referência ao filme Planeta dos Macacos

Revenge of the Cybermen_Doctor Who

Revenge of the Cybermen (Arco #79) — 12ª Temporada — Season Finale
Direção: Michael E Briant
Roteiro: Gerry Davis
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Ian Marter, Jeremy Wilkin, Ronald Leigh-Hunt, David Collings

Audiência média: 9,03 milhões

4 episódios (exibidos entre 19 de abril e 10 de maio de 1975)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.