Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Snakedance (Arco #124)

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estrelas 4

Equipe: 5º Doutor, Nyssa, Tegan
Espaço: Planeta Manussa (ou G139901KB)
Tempo: 3426 (ano de Manussa)

Quem diria que a reciclagem de um arco apenas “ok” como Kinda pudesse ter um resultado final muitíssimo positivo e criar coisas novas, além de excelentes caracterizações? Com Nyssa finalmente mudando de uniforme e mudando levemente sua expressão como personagem (eu havia sinalizado a necessidade disso em Arc of Infinity, de modo que foi muito bom ver mudanças nessa área acontecendo aqui) e Tegan muito bem utilizada na história, temos o retorno do ser gestalt Mara, habitante dos lugares sombrios da mente.

Envolvendo elementos do budismo e adaptação da “dança da serpente” do povo indígena da tribo Hopi, dos Estados Unidos, o roteiro serve como perfeita sequência para Kinda, embora fosse ainda mais interessante se o lugar visitado fosse o planeta Deva Loka. Aqui, porém, o cenário de uma espécie de reino ainda apegado às suas antigas lendas serve perfeitamente para a introdução desse “grande mal”, merecendo todo o destaque possível a equipe do desenho de produção e direção de arte, que fizeram um grande trabalho na feira livre, no interior do palácio e, em menor grau, na caverna.

Esse cenário possui uma tendência mística, um lugar onde certas histórias podem ganhar espaço, mesmo que os administradores de algumas cabanas admitam seus truques em momentos diferentes da projeção. E para ajudar, ainda temos um elenco afiadíssimo. Podemos falar isso tanto do trio regular quanto dos habitantes de Manussa, todos muito bons. Sendo um dos primeiros trabalhos de Martin Clunes (Lon) na TV, é impressionante como o ator está confortável no papel, entregando uma performance cheia de detalhes, utilizando bem a sua figura andrógina, com brinco e maquiagem um pouco mais forte para fazer de Lon um herdeiro ao cargo máximo daquela civilização, que de repente está possuído por uma das forças mais malignas do Universo.

A passagem entre os episódios é excelente e todo o cenário é utilizado a favor daquilo que é contado, perdendo pontos apenas no final, mais por uma dificuldade tecnológica de representar Tegan integrando-se com a serpente do que outra coisa. Até aquele momento, temos uma visão bastante positiva. Todavia, como o arco apresentou um bom trabalho estético, fica difícil olhar para o efeito de montagem final e não ficar insatisfeito, até porque, a representação poderia ser feita de outra forma, a fusão não precisava, de fato, ter acontecido.

Sem explicações desnecessárias no final, o arco nos deixa com uma pequena “pulga atrás da orelha”, uma pequena sensação de que Mara não morreu, apenas se deslocou no espaço-tempo, para um lugar onde a maldade, o ódio e a fúria possuem força. Esperando, até o momento de vir à tona novamente. Como é comum, com todas as grandes forças do mal.

Snakedance (Arco #124) — 20ª Temporada
Direção: Fiona Cumming
Roteiro: Christopher Bailey
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Martin Clunes, John Carson, Colette O’Neil, Johnathon Morris, Preston Lockwood, Brian Miller, Hilary Sesta, George Ballantine, Barry Smith, Brian Grellis
Audiência média: 7,10 milhões
4 episódios (exibidos entre 18 e 26 de janeiro de 1983)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.