Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Terminus (Arco #126)

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estrelas 3,5

Equipe: 5º Doutor, Nyssa, Tegan, Turlough
Espaço: Estação Espacial Terminus (Centro do Universo)
Tempo: Século 35

Qualquer um que conheça um pouco de mitologia nórdica ou tenha lido meia dúzia de quadrinhos do Thor (Marvel Comics), percebe que a base para a construção dos personagens de Terminus foi essa parte da cultura europeia e daí também vem, além dos nomes Valgard, Eirak, Sigurd, Bor e Garm, parte dos figurinos e armas utilizados em cena. A outra parte, como as vestes de Olvir e Kari (os piratas) e uma parcela da Estação Espacial inspirou-se no filme Daqui a Cem Anos (1936), com uma boa mescla de estilos, encaixando-se muito bem à trama principal.

A única coisa insuportável nesse arco é ver Turlough retirando o cristal do bolso e invocando o Black Guardian, que faz ameaça o tempo inteiro, age com força aqui e ali, mas não realiza nada notável para alguém com os seus poderes. A confusão na avaliação vem quando, por outro lado, temos cenas excelentes de Turlough (qualquer momento em que ele não está querendo matar o Doutor ou falando com o Guardião) e também uma boa interpretação de Valentine Dyall, como o Old One do corvo na cabeça. O ruim de ambos os lados não depende dos atores, mas da repetição literal do mote “mate o Doutor!“, o que acaba gerando um ciclo bizarro, com Turlough se escondendo para pegar o cristal, pedir informações para o Guardião; e o Guardião fazendo ameaças nada ameaçadoras a cada vez que aparece. É tenebrosamente insuportável.

O Doutor e seus companheiros chegam de maneira arranjada pelo Guardião (mas “por acidente”, na visão do Doutor, Tegan e Nyssa) na Estação Espacial Terminus, que possui uma importância grande para a História do Universo, algo que só descobriremos no penúltimo episódio da saga. Claro que a relação dessa estação com o Big Bang está dentre as piores invenções paradoxais do roteiro (tentar emular A Última Pergunta, minimizando a polêmica e as discussões envolvidas no conto, dá nisso), mas mesmo assim não atrapalha a história, porque é uma informação da qual os eventos não dependem. É apenas um detalhe que faz o Doutor especular coisas, mas não precisar delas para agir.

O princípio de uma colônia de leprosos no espaço também coloca algumas coisas em sério questionamento. No século 35, com tanta tecnologia disponível, o homem não conseguiu encontrar uma cura para a lepra? Parece improvável. Mas é possível abrir a concessão para o fato de o procedimento ser controlado por uma Corporação. Nós entendemos perfeitamente como as grandes Companhias funcionam e o que elas deixam permanecer ou criam para poder gerar lucro. Esse pode ser o caso aqui, mas é apenas especulação ou sugestão narrativa do espectador para imaginar o roteiro funcionando.

Nesse contexto, a partida de Nyssa se torna ainda mais bonita. A companion chega ao ponto máximo da empatia — pasme! –, tendo estado no lugar dos leprosos e desistindo de uma jornada ao lado do Doutor para ajudar as pessoas que precisavam. É uma atitude nobre e muito digna para a personagem. Uma pena que esse lado dela não tenha sido explorado desde o início, mas ao menos deram-lhe um belo final.

O espectador fica emocionado, mas teme um pouco pelo clima na TARDIS a partir de agora. Tegan está em uma versão melhor desde o seu retorno, em Arc of Infinity, mas ainda chora pitangas demais. Com a “novela mexicana” insuportável da dominação de Turlough pelo Black Guardian, tudo o que o espectador pede é que o roteirista do arco seguinte consiga equilibrar essas forças malucas e crie algo possível de se assistir sem ter que estar com os olhos na nuca, de tão revirados.

Terminus (Arco #126) — 20ª Temporada
Direção: Mary Ridge
Roteiro: Stephen Gallagher
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Janet Fielding, Mark Strickson, Valentine Dyall, Liza Goddard, Dominic Guard, Rachel Weaver, Martin Potter, Andrew Burt, Tim Munro, Peter Benson, Martin Muncaster, R.J. Bell
Audiência média: 7,05 milhões
4 episódios (exibidos entre 15 e 23 de fevereiro de 1983)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.