Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Androids of Tara (Arco #101)

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estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Romana, K9 II
Espaço: Planeta Tara
Saga: Key to Time (4 de 6)
Tempo: c. 2378

Claramente baseado no livro e no filme O Prisioneiro de ZendaThe Androids of Tara é um arco bastante divertido escrito por David Fisher, que começa e termina com destaque na dupla Doutor & K9 e que quase chega ao posto de um dos melhores arcos da temporada, algo que não consegue alcançar pela forma um tanto despreocupada com que termina, por alguns momentos bastante embaraçosos da direção de atores (especialmente Madame Lamia) e pequenas confusões desnecessárias entre os episódios 3 e 4.

Aproveitando-se das locações no Castelo de Leeds e de excelentes cenários de internas, o diretor Michael Hayes conseguiu, a despeito de alguns tropeços, uma grande aventura com nuances de Júlio César e Ricardo III, elencando intrigas palacianas, androides e duplicações que nos lembram The Android Invasion e uma das aparições mais rápidas do segmento da chave do tempo até o momento, que apesar de ser revelado ainda no início do primeiro episódio, demorará o arco inteiro para ser enfim recuperado.

A organicidade com que a história é construída nos dois primeiros episódios — ambos com excelentes cliffhangers — mostram o esforço do produtor Graham Williams em solicitar aventuras com um tom macabro e um pouco bizarro (ou seja, dentro da essência de quase a totalidade da série clássica de Doctor Who). Desta vez, porém, uma camada política bastante forte é colocada e, mesmo que nos pareça melhor explorada sob o âmbito da vingança ou cobiça de um Lord, há no episódio uma grande ironia para com o caráter geral das formas de governo, que apesar de parecerem bem construídas para quem faz parte dela, aos olhos de outros ou dos mais críticos aos sistemas em questão tendem a parecer mal feitas, corruptas, arbitrárias e injustas. Perceba que toda a ação de The Androids of Tara acaba ganhando mais espaço em seu caráter político do que na própria busca pelo segmento solicitado pelo Guardião Branco em The Ribos Operation.

Mas enquanto nós temos dois perfeitos episódios iniciais, precisamos lidar com os dois últimos, que mesmo sendo bons no todo, são manchados por exageros de alguns atores e por diálogos que nos fazem questionar se foram escritos pelo mesmo roteirista dos primeiros capítulos. Isso não quer dizer que a ação perde fôlego ou a história de repente fica ruim. Mantém-se a curiosidade do público para descobrir o destino político de Tara e como o Doutor, Romana e K9 irão sair da situação complexa em que se encontram. O fato de termos em cena androides e humanos cobra ainda mais a nossa atenção, principalmente para as quatro personagens interpretadas pela atriz Mary Tamm (Romana, Princesa Strella e o dublê androide de cada uma delas). Embora em menor grau, o mesmo se dá com o Príncipe Reynart, que recebe ótima representação do ator Neville Jason.

Os figurinos de Romana e dos habitantes de Tara são os primeiros destaques visuais do arco, seguidos de perto pelo desenho de produção para o interior dos dois castelos da história. Um fato curioso é vermos aqui um tipo de espada que certamente foi inspirada nos Sabres de Luz de Star Wars: Uma Nova Esperança, que havia estreado no ano anterior. A trilha sonora, mista de aventura e suspense, dá o toque final na criação de uma atmosfera exótica a esta ex-colônia da Terra que infelizmente manteve muitas coisas da velha ordem social e política de seus ancestrais colonizadores.

Ao final de The Androids of Tara não vemos o Doutor saindo do Planeta, mas ele e Romana já estão com o segmento da chave do tempo e fica claro que estão prontos para partir. Três coisas, no entanto, nos deixam pensativos, curiosos ou interessados em saber mais a respeito: a Grande Besta de Tara que aparece no início e assusta Romana: o que foi aquilo?; como K9 foi resgatado?; e… e aquele Zodíaco com 16 casas?

The Androids of Tara (Arco #101) — 16ª Temporada
Direção: Michael Hayes
Roteiro: David Fisher
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, John Leeson, Neville Jason, Peter Jeffrey, Simon Lack, Paul Lavers, Lois Baxter, Martin Matthews, Declan Mulholland, Cyril Shaps

Audiência média: 9,12 milhões

4 episódios (exibidos entre 25 de novembro e 16 de dezembro de 1978)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.