Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Ark In Space (Arco #76)

estrelas 4,5

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane, Harry
Espaço: Estação Espacial “Arca” Nerva
Tempo: 16.087

Após o Doutor, Sarah e Harry embarcarem na TARDIS, nos momentos finais de Robot, eles estiveram em uma série de aventuras que não vemos televisionadas. No início dessas viagens, algo acontece na timeline do Doutor que apaga alguns eventos vividos previamente. Ao final To Kill a Nandi Bear, Harry bagunça os controles da nave tentando abrir a porta e o trio se materializa na Estação Espacial “Arca” Nerva, no ano 16.087. Nesse futuro, a Terra foi consumida pelo fogo e uma nova civilização deve começar a partir dos humanos escolhidos e adormecidos em estado criogênico na Estação Nerva. Tudo foi programado à prova de falhas. Mas nenhum humano havia pensado na possibilidade da estação ser invadida por um Wirrn, cuja espécie não tem muito amor pelos terráqueos.

Estabelecendo esse cenário “diluviano” desde o início, The Ark In Space, que é a segunda aventura do 4º Doutor na TV, mostra o tom do que seria toda a era desse Doutor. Começa aqui o reinado de Philip Hinchcliffe na produção, que duraria até The Talons of Weng-Chiang; um período que traria para Doctor Who uma sequência de histórias mais sombrias e com forte influência de elementos góticos, místicos e históricos, atmosfera vista já no último arco do 3º Doutor, Planet of the Spiders.

Mas a produção de Ark In Space não foi tranquila. Os roteiristas Christopher Langley e John Lucarotti (Marco Polo, The Aztecs, The Massacre) foram contratados, mas não conseguiram ficar até o final da produção. As ideias principais de Lucarotti, no entanto, agradaram a produção e permaneceram como estrutura para o roteiro do próximo contratado, Robert Holmes, cuja última contribuição para a série havia sido em The Time Warrior. E por incrível que pareça, Holmes conseguiu driblar as possíveis armadilhas de uma trama preestabelecida e criou um dos arcos mais dinâmicos e interessantes desse início de jornada do 4º Doutor.

O texto, que se assemelha muito ao mote de Alien – O Oitavo Passageiro, funciona em todos os níveis narrativos possíveis. Da inicial relação do Doutor e Harry para encontrar Sarah até o aparecimento dos humanos adormecidos na base, o cenário de medo e ameaça chama a atenção do espectador. A fase inicial dos Wirrn faz rir um pouco, mas isso é parte do charme dos “efeitos B” nas primeiras eras de Doctor Who; porém, que se diga honestamente, os efeitos aqui não são ruins não. Talvez pela boa direção (primeiro trabalho de Rodney Bennett na série) ou pela força da história, o público foca mais no desfecho dos acontecimentos do que no aparato tecnológico, cujo verdadeiro objeto de destaque, a base, seus painéis e inúmeras salas possuem uma excelente direção de arte. O local agradou tanto ao público e foi tão bem concebido, que voltaria no desfecho da temporada, em Revenge of the Cybermen.

O que mais agrada na resolução do problema em pauta é a ausência de um Deus ex machina colocado no último episódio e o aproveitamento do tempo a favor da narrativa, não apenas no final, mas em todo o arco. Se a sequência da falta de oxigênio no começo é um tantinho mais longa do que deveria, esse problema não volta a aparecer, a não ser que o espectador não goste dos vilões, pois nesse caso, ficará fácil escolher as “piores partes” da história e, evidentemente, a mudança de sua qualidade. Para mim, no entanto, The Ark In Space (que me trouxe boas lembranças de The Ark, da era do 1º Doutor) é uma das histórias mais desenvoltas, objetivas e bem dirigidas até este momento da série clássica. E ela já carrega muitos indícios da nova abordagem da produção de Doctor Who, tanto no tema quanto na representação dele, questões que, na minha opinião, alcançariam o seu clímax ainda nesta temporada, em Genesis of the Daleks.

The Ark In Space (Arco #76) — 12ª Temporada
Direção: Rodney Bennett
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Ian Marter, Wendy Williams, Kenton Moore

Audiência média: 11,10 milhões

4 episódios (exibidos entre 25 de janeiro e 15 de fevereiro de 1975)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.