Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Armageddon Factor (Arco #103)

estrelas 3

Equipe: 4º Doutor, Romana, K9 II
Espaço: Planeta Atrios, Planeta Zeos, Third Planet (ou Planet of Evil, um planeta artificial)
Saga: Key to Time (6 de 6)
Tempo e Era: Fim dos Tempos, pós 5.000.000.053  

The Armageddon Factor é a última parte da saga Key to Time, que ocupou toda a 16ª Temporada clássica de Doctor Who. Durante os seis arcos deste ano do show, o Doutor, Romana e K9 II estiveram em aventuras através do Universo e enfrentaram variados perigos para conseguir reunir as seus partes da chave e então reorganizar o caos que estava para dominar o Universo conhecido. A partir do encontro do Doutor com o White Guardian em The Ribos Operation, a chegada de Romana à série e o início da busca pela Chave do Tempo, percebemos algumas mudanças no desenvolvimento do programa, culminando com uma nova abordagem na condução dos roteiros que temos, em grau menor, neste arco, já que o cargo de Script Editor passava de Anthony Read (que trabalhava no posto desde The Sun Makers) para Douglas Adams, que embora não estivesse, de fato, como editor, já fazia parte da equipe e realizou pelo menos uma grande modificação na versão final do texto, colocando o Black Guardian na série, personagem que originalmente não apareceria.

Ambientado em um futuro distante, na era conhecida como Fim dos Tempos (para que vocês tenham uma noção de tempo, na timeline da série, estamos depois de Gridlock e The Savages), temos um cenário de guerra entre dois planetas gêmeos, Atrios e Zeos, cenário para onde a TARDIS leva seus viajantes, guiada por um rastreador temporal. O roteiro da dupla Bob Baker e Dave Martin alterna ações entre os dois planetas, coloca um representante do Black Guardian em ação (The Shadow) ao qual se junta o Marshal of Atrios, ambos como fortes obstáculos para o Doutor e a peça final, que acaba, infelizmente, tendo um uso despropositado no término do arco. O White Guardian definitivamente deveria ter aparecido para receber a chave e fazer o que ele havia dito que faria no início da saga.

A aventura de The Armageddon Factor é um pouco mais que uma simples “aventura de guerra”, mas isso não significa que ela é a melhor da temporada. Longe disso. Trata-se de um arco final um pouco acima da média e que infelizmente deve bastante para o espectador, pois promete um desfecho épico para uma tão longa busca e por fim não cumpre o prometido, apresentando-se mais como uma trama burocrática com alguns ótimos momentos do que a finalização que se esperava após histórias tão interessantes como as 4 primeiras partes da saga, a saber, The Ribos Operation,  The Pirate Planet,  The Stones of Blood e The Androids of Tara.

Mas a despeito da questionável organização da história (que de fato só fica realmente boa nos dois episódios finais), este arco nos traz coisas muito importantes dentro do cânone de Doctor Who. Primeiro, temos a despedida não declarada da atriz Mary Tamm (Romana), que decidiu deixar o papel porque não estava mais satisfeita com a personagem mas não de um modo hostil. Em entrevista concedida em 2009, a atriz declarou que voltaria para uma cena de regeneração se fosse chamada, o que desmistifica um certo mito sobre o impasse da atriz com a produção da série (que sabemos não ter sido muito humana com os atores na Série Clássica e, segundo misteriosos conflitos da era Eccleston, também no início da Nova Série) quando ela disse que estava grávida. No arco seguinte, Destiny of the Daleks, não vemos mais Mary Tamm e sim Lalla Ward (que aqui interpretou a Princesa Astra), já como Romana II, após (diversas) regenerações.

Outra adição importante é o personagem de Drax, Time Lord renegado, amigo do Doutor dos tempos da Academia (turma de 92), que ganha uma ótima interpretação do ator Barry Jackson. O antigo apelido do Doutor (Theta Sigma ou Thete) é dado e temos então pelo menos dois membros do grupo de jovens rebeldes da Prydonian Academy em Gallifrey, o The Deca, que era formado por:

A produção de The Armageddon Factor traz uma boa figuração de cenários sombrios, especialmente os ligados ao vilão The Shadow. Infelizmente não há muito critério de diferenciação para os espaços e planetas visitados pelo Doutor, Romana e K9, o que nos faz eleger apenas alguns pontos do trabalho de direção de arte e achar outros algo apenas regular, medíocre, sem muito a acrescentar à história.

O desfecho da aventura nos traz um misto de estranheza e familiaridade, o primeiro em relação à Chave do Tempo, dispersada pelo Doutor no Universo (atitude completamente maluca se considerarmos que a reunião daquelas peças tinham um motivo e o roteiro não trabalha a conclusão desse motivo ao final) e o segundo em relação ao prosseguimento da viagem com a TARDIS pelo Universo, sem saber exatamente para onde está indo. Eu poderia citar o fato de a Princesa Astra ser, ela mesma, uma peça da Chave do Tempo (escolha estranhíssima), mas não é algo que realmente fuja dos padrões observados na própria busca dos segmentos ou das transformações já vistas na série.

Aparentemente com o caos do Universo sob controle, o Doutor segue sua viagem. A missão para a busca da Chave do Tempo foi longa e com momentos excelentes no início e no meio da empreitada, mas que infelizmente deixou a desejar nos dois últimos arcos, The Power of Kroll (que é regular, quase ruim) e este The Armageddon Factor (que é bom, mas decepciona porque deveria ser melhor).

Aqui, chegamos ao fim de mais uma temporada, de mais uma saga, de mais uma companion (ou atriz que interpretava a companion). E como sempre, a cada grande final que a série nos traz, damos início a uma renovada esperança de viver novas aventuras na temporada seguinte. A Síndrome de Whovian que não se pode negar volta a atacar mais uma vez.

The Armageddon Factor (Arco #103) — 16ª Temporada – Season Finale
Direção: Michael Hayes
Roteiro: Bob Baker, Dave Martin
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, John Leeson, Lalla Ward, Valentine Dyall, Barry Jackson, John Woodvine, William Squire, Davyd Harries, Ian Saynor

Audiência média: 8,48 milhões

6 episódios (exibidos entre 20 de janeiro e 24 de fevereiro de 1979)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.