Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Awakening (Arco #131)

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estrelas 3

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Turlough
Espaço: Little Hodcombe, Inglaterra
Tempo: 1984

E mesmo tendo sido filmadas algumas cenas com Kamelion para este arco, elas foram cortadas na edição final. Mais uma vez, um possível companheiro/conselheiro, com enorme potencial de entreter o público é colocado de lado. Inacreditável. Há também os relatos de que Will Chandler, o garoto de 1643, por um momento foi considerado como um possível companion — isso fica óbvio por conta de sua relação com o Doutor e como o Time Lord pede para que o garoto o acompanhe pela vila… — mas a ideia foi abandonada. Pelo menos por um momento seria interessante ver alguém “de outro tempo” viajando TARDIS, já que Katarina nos foi negada, lá na era do 1º Doutor.

Uma das coisas que eu não conseguia tirar da cabeça enquanto assistia The Awakening é como essa história se parece, em ritmo e temática mais ou menos deslocada, com Black Orchid. Exceto pela qualidade do presente arco, que é superior à história de 1982, e também pelo elemento alienígena que não havia antes, todo o clima de estranheza e de “elefante branco” se faz presente aqui. O cenário, especialmente quando há a preparação para o lugar onde a rainha seria queimada, nos traz igualmente à memória uma outra aventura da série, The Daemons.

O fato de termos apenas dois episódios atrapalha qualquer tipo de identificação maior do público com o que acontece nesse estranho despertar do Malus, uma máquina psíquica de guerra de Hakol, lar de uma raça de invasores cruéis de quem os Terileptils de The Visitation foram aliados por um tempo. O caráter da invasão não é padrão, pois carece de um fator de liberação de energia, progressivamente conseguido pelo Malus à medida que os “jogos de guerra” da vila de Hodcombe avançavam e se tornavam mais perigosos.

Tudo parece mal encaixado e improvável demais para uma história que se passa em 1984, mas essa estranheza inicial não tem um verdadeiro peso negativo no aproveitamento do arco porque o restante é consideravelmente interessante. Exceto Tegan, que voltou a ser insuportável e Turlough, com seu comportamento relativamente egoísta e covarde (sim, eu sei que ele demonstrou o contrário algumas vezes, mas boa parte de suas ações, e não só nesse arco, são indiscutivelmente egoístas e covardes), o Doutor e os outros personagens encontram espaço mais ou menos fluído nessa “bagunça arrumada” de The Awakening.

Devo dizer que a representação do Malus saindo da parece foi simplesmente excelente. O desenho de produção e a direção de fotografia conseguiram criar um bom espaço para o vilão e mostrá-lo como uma grande máscara, com olhos em movimento e reduzida mobilidade. É assustador e ao mesmo tempo, muito bem feito. Aliás, as cenas dentro da igreja são ótimas, assim como na pequena sala onde o Doutor, Tegan e Turlough são brevemente interrogados, logo que chegam à vila.

Penso que o maior erro do roteiro foi insistir no estabelecimento geral da história em 1984. Se a intenção era explorar o anacronismo, então que houvesse de fato um choque cultural causado pelas criações do século XVII e do século XX, mas isso não acontece. No máximo, algumas roupas e certas noções de tecnologia são as estranhezas do serial, mas nada que não pudesse encontrar melhor lugar exclusivamente no passado. Também não é convincente a relação de Tegan com o avô, de modo que o caminho para a vila se torna, em retrospecto, forçoso, além do fato de que não há nada de muito relevante para o cânone da série nessa aventura, à parte a já citada relação dos Hakolians com os Terileptils. Se no cômputo geral o arco funciona positivamente, é por aquela impressão final que não sabemos bem definir, depois de ter estranhado uma sequência de coisas e concluirmos que, mesmo com as falhas, o saldo ainda está a favor da obra.

The Awakening (Arco #131) — 21ª Temporada
Direção: Michael Owen Morris
Roteiro: Eric Pringle
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Mark Strickson, Polly James, Denis Lill, Glyn Houston, Jack Galloway, Keith Jayne, Christopher Saul, Frederick Hall
Audiência média: 7,25 milhões
2 episódios (exibidos entre 19 e 20 de janeiro de 1983)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.