Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Claws of Axos (Arco #57)

theclawsofaxos

estrelas 4

Equipe: 3º Doutor, Jo (+ UNIT, Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton, Capitão Yates)
Era: UNIT — Ano 4
Espaço: Reino Unido, Nave Axos
Tempo: Anos 1970
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Enfim, entramos na TARDIS novamente! Desde o decreto do exílio do Doutor, em The War Games, o interior da nave ainda não havia sido visto. O Doutor tinha entrado nela em algumas ocasiões, desde Spearhead from Space, mas o público foi mantido na curiosidade.

Aqui, além de vermos o interior da TARDIS novamente, temos uma breve visita dela ao espaço — a bordo da nave Axos, em um loop temporal — e presenciamos o Mestre consertando a nave do velho amigo, além de, posteriormente, ajudá-lo a sair do lugar, já que o Alto Conselho bloqueara da mente do Doutor todo o conhecimento sobre a teoria da desmaterialização.

O aparecimento do Mestre aqui vem a partir de um impulso de vingança e termina com um acordo de sobrevivência (essa é definitivamente a sua temporada como vilão e vamos descobrindo que ele estava um pouco sem jeito para dar cabo de suas maldades, o que vai culminar com seu encarceramento provisório ao final de The Daemons). Em uma ação que não vemos, o renegado Time Lord é capturado pelos Axons e acaba fazendo um acordo que beneficiará essa espécie natural da borda da Via Láctea e que o ajudará a destruir o Doutor e dominar o planeta Terra. Dada essa premissa, o problema da invasão “amigável” é pontuado pela ganância humana e por questões burocráticas envolvendo o governo britânico e a UNIT, que tem no Ministro da Defesa, Horatio Chinn, o seu ponto crítico, chegando a prender o Brigadeiro e alguns oficiais da UNIT.

O arco tem uma história muito boa e uma das melhores direções de arte da era do 3º Doutor, mas, em contrapartida, concentra uma enorme quantidade de erros de montagem, exceto no episódio 1, o melhor da aventura. Michael Ferguson tem um trabalho de direção que mistura horror, suspense e ficção científica, deixando um pouco a ação em segundo plano — e não digo isso como ponto negativo. Existem momentos tensos de forte engajamento dos personagens, claro, mas eles possuem como motor e intenção outro padrão dramático que não a ação em si.

A ideia do roteiro para a nave orgânica se destaca em meio às novidades da história. Posteriormente, a TARDIS ganharia o mesmo caráter no canon da série, aparecendo como uma criatura viva que foi cultivada e não construída. No entanto, a TARDIS se diferencia muitíssimo da nave Axos. Enquanto a primeira tem uma origem orgânica, uma alma viva e uma configuração mecânico-tecnológica, a segunda tem a mesma origem, mas uma constituição ciborgue (no mais puro sentido de misturar partes anatômicas e peças cibernéticas). Juntamente com a forma/aparência dos Axons, a nave é um espetáculo à parte e sua melhor exploração e aparição acontece, como já dito, no primeiro episódio do arco.

De uma forma remota, The Claws of Axos traz novamente a realidade de The Ambassadors of Death, com a diferença de que a visita aqui não é amigável, apesar de inicialmente se apresentar assim. Com uma trilha sonora assustadora e sequências que geram certo desconforto (para não dizer medo) ao espectador, a aventura tem ótimos momentos. Embora tropece bastante na montagem, a trama consegue suprir essa falha com um bom roteiro. O final, mais uma vez impagável, coloca o Doutor e o Brigadeiro frente a frente em uma demonstração de amizade que só eles entendem, como acontece entre a maioria dos grandes amigos.

The Claws of Axos (Arco #57) — 8ª Temporada
Direção: Michael Ferguson
Roteiro: Bob Baker, Dave Martin
Elenco: Jon Pertwee, Nicholas Courtney, Roger Delgado, Katy Manning, Richard Franklin, John Levene, Peter Bathurst, Paul Grist

Audiência média: 7,38 milhões

4 episódios (exibidos entre 13 de março e 03 de abril de 1971)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.