Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Deadly Assassin (Arco #88)

estrelas 3,5

Equipe: 4º Doutor
Espaço: Gallifrey / Matrix
Tempo: Indeterminado

Após receber um chamado de Gallifrey e deixar Sarah Jane “em casa” em The Hand of Fear, o Doutor volta ao seu planeta natal para encontrar um cenário que nos remete ao assassinato de JFK, ao caso Watergate, e aos ótimos filmes Sob o Domínio do Mal (1962) e A Trama (1974). Introduzindo conceitos de organização da sociedade dos Time Lords e personagens icônicos para a série e para o Doutor, como Rassilon e Borusa, The Deadly Assassin funciona como um primeiro capítulo da História de Gallifrey na Série Clássica e, apesar dos erros, é definitivamente um dos arcos mais importantes de Doctor Who.

É interessante ver pela primeira vez o Doutor sem nenhum companion — mas não sozinho — um feito único na Clássica e que só aconteceu porque Tom Baker havia garantido para o produtor Philip Hinchcliffe que conseguiria segurar o programa “sozinho”. É claro que o ator tinha razão, mas talvez com medo de que a ausência de um acompanhante fizesse falta, o produtor guiou o roteirista Robert Holmes para adicionar camadas e camadas de ação — boa parte delas desnecessária — para preencher o lugar que caberia à participação de alguém ao lado do Doutor.

O pior exemplo disso é o episódio 3, quando o Doutor entra na Matrix para tentar localizar o Mestre (aqui, com um “corpo cadáver”). Absolutamente tudo nesse episódio é desnecessário e fora da proposta geral do arco. Holmes perdeu a oportunidade de ouro de explorar ainda mais Gallifrey e sua sociedade e, no lugar disso, nos entregou uma caçada que levava o nada a lugar nenhum e que é simplesmente esquecida no desfecho da história justamente porque não serviu para nada.

Mas apesar de um episódio deslocado — e a minha reclamação maior está para a inserção desse capítulo no arco, não em sua qualidade interna –, The Deadly Assassin não decepciona de todo.  Só o episódio de abertura nos deixa bastante satisfeitos com a ideia geral da história que, até aquele momento, era perfeitamente guiada pela surpresa da intriga, pelo tsunami de informações sobre as Casas de Gallifrey, o dia da Renúncia do Presidente, os cargos administrativos, a tecnologia e a geografia do planeta. É bastante informação para processar e o espectador precisa ter bastante atenção para ter certeza de que não perdeu nada. Infelizmente, a qualidade e relevância que vemos no texto desse primeiro capítulo jamais irá se repetir nos outros três que se seguem.

O arco causou alguns problemas frente ao público mais velho, que reclamou da violência e cinismo na forma como a sociedade dos Senhores do Tempo foi representada (“nós temos que ajustar a verdade!“) e viam nisso uma má influência para as crianças, posto que Doctor Who era um show familiar. O curioso é que esta temporada foi diminuindo um pouco as incursões mais sombrias e em tese até mais violentas vista nos arcos da 12ª e 13ª Temporadas. Não que isso tenha desaparecido da série, mas nuances mais familiares e não repetição de temas abertamente agressivos passaram a ser cada vez mais frequentes a partir desta 14ª Temporada; pelo menos como mote principal dos arcos.

Mesmo depois de um enfrentamento insosso entre o Doutor e o Mestre no último episódio, fica-nos a curiosidade pela sobrevivência do vilão, que entra em sua TARDIS disfarçada de relógio e também parte do planeta, assim como o Doutor. O Universo, como bem observou Castellan, não era grande o bastante para os dois renegados. E o futuro deixaria isso bem claro para nós.

The Deadly Assassin (Arco #88) — 14ª Temporada
Direção: David Maloney
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Tom Baker, Peter Pratt, Angus MacKay, George Pravda, Bernard Horsfall, Derek Seaton, Hugh Walters, Erik Chitty, Maurice Quick

Audiência média: 12,18 milhões

4 episódios (exibidos entre 30 de outubro e 20 de novembro de 1976)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.