Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Enemy of the World (Arco #40)

The Enemy of the World

estrelas 4,5

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Victoria
Espaço-tempo: Australásia (futuro alternativo da Terra), 2017

Assim como na história dos Ice Warriors, os eventos do presente arco se passam em um mundo condenado pela superpopulação. Ao que parece, a Terra também teve aqui sua divisão geopolítica alterada e padece de uma série de desastres naturais – mesmo que causados criminosamente a mando de Ramón Salamander. A grande diferença de um arco para o outro é que desta vez não temos monstros e alienígenas malvados como vilões ou geleiras que avançam pelo planeta. O inimigo, desta vez, é um humano.

Seguindo os passos de William Hartnell, que em O Massacre da Noite de São Bartolomeu interpretou o 1º Doutor e o Abade de Amboise, Patrick Troughton encarna aqui o 2º Doutor e Salamander, o “Inimigo do Mundo”.

Durante um tempo divulgou-se a ideia de que Troughton interpretou os dois papeis porque não conseguiram encontrar um outro ator para viver Salamander, mas o fato é que isso não é verdade. O roteiro de David Whitaker era explícito ao solicitar Troughton para os dois papeis e a escolha não poderia ter sido mais interessante.

Não só por conta da dualidade intrínseca ao Doutor e suas personalidades diretas ou indiretas (destaque para o já citado Abade de Amboise e o 1º Doutor; Salamander e o 2º Doutor; O Observador e O Curador ligados ao 4º Doutor; o Meta Crise e o 10º Doutor; o Dream Lord e o 11º Doutor; o Valeyard e o Doutor após a sua 12ª regeneração) o duplo papel em O Inimigo do Mundo nos deu a oportunidade de ver um outro lado de Patrick Troughton, uma versão humana cruel e violenta do pacífico Time Lord a quem estávamos acostumados até o momento. E devo dizer que o ator não nos decepciona um único momento. Sua interpretação é segura e extremamente convincente nos dois papéis, além de mostrar que o ator estava claramente se divertindo com a farsa.

O arco carrega elementos sociopolíticos mais ou menos nos moldes de The Sensorites, The Ark, The Savages, The Macra Terror e The Ice Warriors, só para citar alguns que antecederam a este e que traziam uma organização social, terráquea ou alienígena, dominada por alguém, alguma forma ou coisa que obrigava os indivíduos a se sacrificarem em favor de um engodo cujo único beneficiado seria o próprio dominador. No presente caso, a ânsia pelo poder e uma disputa por controle total da situação colocou Salamander e Kent em lados opostos da mesma trincheira, condenando um grupo de pessoas a viverem em um abrigo subterrâneo com a desculpa de que o mundo na superfície estava destruído pela guerra e apodrecido pela radiação (algo semelhante se repetiria em The Krotons).

Os primeiros episódios são interessantes mas demoram mostrar a que vieram. A partir do 3º capítulo, no entanto, a trama ganha contornos interessantíssimos e já estabelecida uma rede de personagens com objetivos divergentes, cultiva a briga entre eles e deixa o espectador curioso pelo que vem em seguida, usando de fatores-surpresa nunca exagerados e com importante significado para a história.

Barry Letts consegue um resultado aplaudível na direção do arco. Todo mundo tem um papel importante e mesmo os atores canastrões conseguem bons momentos ao longo dos seis episódios. No caso dos companions, temos um excelente uso de cada um deles, com Victoria insossa no início mas muitíssimo bem localizada depois, assim como Jamie, que conta com toda a simpatia do jovem Frazer Hines, nem sempre atuando bem mas com uma postura que o faz ser muito bem recebido no todo da história. Sua relação com o Doutor mais uma vez é mostrada com grande afeição pelo roteiro (a sequência final, na TARDIS, é um indicativo pleno disso) o que aumenta ainda mais a simpatia do público para com o personagem.

O Inimigo do Mundo é uma história sobre um futuro distópico cuja base é uma farsa muito bem plantada. O modo de operação dos vilões, a causa de todos os problemas e o tipo de sociedade global aí estabelecidos têm reflexos em nossa própria sociedade e por esse motivo tornam o arco tão real para um espectador a décadas depois dele ter sido realizado. Com um bom encadeamento de eventos, intrigas governistas e tragédias naturais causadas artificialmente, a aventura se coloca como a única da 5ª Temporada a não ter um monstro alienígena em seu enredo e também como um dos melhores arcos, não só da era do 2º Doutor, mas de toda a série clássica de Doctor Who.

The Enemy of the World (Arco #40) – 5ª Temporada

Direção: Barry Letts
Roteiro: David Whitaker
Elenco principal: Patrick Troughton, Frazer Hines, Deborah Watling, Colin Douglas, Mary Peach, Bill Kerr

Audiência média: 7,42 milhões
6 Episódios (exibidos entre 23 de dezembro de 1967 e 27 de janeiro de 1968)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.