Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Evil of the Daleks (Arco #36)

estrelas 4

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Victoria
Espaço: Londres e Skaro
Tempo: 1866 (2 e 3 de junho), 1966 (20 de julho), 2966 (?)

Consta que em idos de 1967, Terry Nation, criador dos Daleks, estava em processo de negociação com os Estados Unidos para vender os direitos sobre o uso dessas criaturas, o que fazia do arco The Evil of the Daleks supostamente a última aventura do Doutor contra eles. Todo o enredo foi pensado como uma despedida dos saleiros de Skaro, mas David Whitaker deixou uma abertura ao final, o que se mostrou uma atitude bastante sábia do autor, uma vez que os Daleks voltariam à série 5 anos depois, em Day of the Daleks, um arco da 9ª Temporada, já na era do 3º Doutor.

Os primeiros capítulos deste arco são maravilhosamente bem escritos e mostram uma interação anacrônica tão interessante, que é impossível não admirar a imagem de “viagem no tempo” que o roteirista aplicou ao texto. Os Daleks aparecem na Era Vitoriana e contam com a ajuda primordial do cientista Theodore Maxtible (interpretado pelo famoso ator britânico Marius Goring), a quem prometem revelar o segredo que perturbou muitos pesquisadores através dos séculos: a vitória da alquimia, a possibilidade de converter metal comum em ouro.

A partir desse ponto vamos conhecendo a história aos pedaços, sendo que a cada episódio um elemento novo se adiciona. De início, tudo parece terrivelmente confuso porque o ponto de partida para o Doutor e Jamie é a busca pela TARDIS, que havia sido roubada. Talvez por isso o espectador ainda esteja ligado aos eventos de The Faceless Ones, quando a nave foi rebocada da pista de pouso do aeroporto de Gatwick e de lá, levada por um caminhão para um lugar desconhecido.

A princípio pensamos ser apenas um engano, mas quando vemos que a nave realmente foi roubada, vem a pergunta: quem estaria por trás disso? A última vez que me lembro de ter visto algo assim na série clássica, até esse momento, foi em Marco Polo, mas o roubo, na ocasião, foi mais uma “apropriação”, porque Marco Polo queria barganhar a nave com Kubla Khan e conseguir a autorização para deixar a China. Porém, durante todo o tempo, o Doutor esteve por perto, o que não acontece aqui em Evil of the Daleks.

Um fato a ser destacado é a enorme quantidade de cenários onde a trama se passa. Primeiro temos a Londres contemporânea, depois a viagem no tempo para 100 anos antes e a viagem ao Planeta Skaro. Durante todo esse tempo, espaços diversos da casa do cientista são explorados. Ali, temos como ambiente principal o laboratório de Theodore Maxtible e Edward Waterfield, além do cativeiro de Victoria Waterfield, que ao término do arco se junta ao Doutor e a Jamie na TARDIS, tornando-se companion.

A carga de humor explorada por Whitaker é sensacional. Os vilões obrigam o Doutor a fazer um “Fator Humano” a fim de melhorar o desempenho estratégico dos Daleks. O Doutor fabrica uma espécie de “cérebro de virtudes” e o implanta em uns Daleks não ativos. Quando esses novos espécimes são ligados, a atitude é como a de uma criança. Eles brincam com o Doutor, giram como um carrossel e ainda soltam a piadinha “dizzy Doctor”, algo que jamais esperaríamos de um Dalek. O Doutor ainda fez modificações na espécie durante sua passagem pelo Planeta Skaro, o que resultou no Imperador Dalek sendo questionado e numa abertura para uma espécie de Guerra Civil. Curioso é que em sua 12ª encarnação, o Doutor também estaria envolvido em histórias com Daleks modificados geneticamente, a primeira em Into the Dalek e a segunda em The Witch’s Familiar.

Apesar de não ter um cliffhanger, o término do arco não é ruim. Os problemas se concentram mais na quantidade de cenas dispensáveis (temos a impressão de que o departamento de montagem não tinha muito senso do que era essencial) e justamente por isso, uma queda no ritmo da história antes do clímax. Todavia esta é uma aventura importante e interessante de se ver, trazendo uma nova companion e mais um cientista maluco como um dos motores para o conflito que se estenderia pelos anos afora.

The Evil of the Daleks (Arco #36) – 4ª Temporada – Season Finale

Direção: Derek Martinus
Roteiro: David Whitaker
Elenco principal: Patrick Troughton, Frazer Hines, Griffith Davies, Alec Ross, John Bailey, Marius Goring, Deborah Watling

Audiência média: 6,43 milhões

7 Episódios (exibidos entre 20 de maio e 01 de julho de 1967)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.