Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Faceless Ones (Arco #35)

estrelas 4

Equipe: 2º Doutor, Ben, Polly, Jamie
Espaço-tempo: Londres, 1966

Arco final de Ben e Polly como companheiros do Doutor, The Faceless Ones se apresenta como uma das histórias mais James Bond da série até o momento e justamento por isso, mais as locações e modo como o Doutor resolve o problema com os Camaleões (autointitulados a raça mais inteligente do Universo), lembra-nos muito o tipo que aventura que iria caracterizar a Era do 3º Doutor, preso na Terra e trabalhando ao lado da UNIT.

Os Camaleões tiveram seu mundo destruído por uma grande explosão e eles perderam seu rosto e sua identidade. Nos parece que todo o corpo dos Camaleões originais é queimado ou algo parecido. O fato é que um ser humanoide sem rosto não é ago agradável de se ver e isso já dá um pouco da aparência grotesca que marca os vilões desse arco.

Os cientistas dessa raça alienígena desenvolvem um processo de transferência de corpos, mantendo, pelo que entendemos, todas as capacidades intelectuais do antigo dono mais a memória do Camaleão hospedeiro, o que é genial, deve-se assumir. A Nova Série trabalhou algo mais ou menos parecido em três episódios diferentes. O primeiro, o roubo da identidade humana pela figura na TV em The Idiot’s Lantern (2ª Temporada); o segundo, o roubo da gordura humana para gerar outros seres, os fofíssimos Adiposes (Partners in Crime, 4ª Temporada); e o Mr. Clever, que, comandado pelo Cyber-Planner, queria roubar a mente do 11º Doutor em Nightmare in Silver (7ª Temporada).

Toda a trama de The Faceless Ones se passa em um aeroporto (o lugar das “bestas voadoras”, segundo definição de Jamie), e o roteiro é bastante intricado, cheio de revelações e composto por um jogo de gato e rato típico dos filmes de ação, algo muito bom de se ver aplicado a uma série como Doctor Who.

Como se trata da despedida de Ben e Polly, é de se lamentar muitíssimo que a dupla desapareça a maior parte do arco, exatamente como fizeram com Dodo Chaplet em The War Machines, cuja partida foi a mais ingrata que eu já vi na série. Ainda bem que isso não se repete aqui, o que, de certo modo, acaba compensando a ausência de Ben e Polly ao longo da história. A despedida dos dois é fraterna, lembrando bastante a outra dupla que partira já a bastante tempo da TARDIS: Ian e Barbara.

Todavia, Anneke Wills e Michael Craze não tiveram uma partida tão tranquila quanto sua “versão mais velha”, alguns anos antes. A BBC pisou feio na bola com eles, especialmente com Anneke Wills, cuja personagem, Polly, seria substituída da maneira mais traiçoeira possível por Samantha Briggs, a passageira à procura de seu irmão que Jamie encontra no aeroporto e acaba beijando, no final. No entanto, a atriz Pauline Collins recusou o papel e aceitou uma outra oferta de trabalho. Ela voltou à série em 2006, interpretando a Rainha Victoria em Tooth and Claw, episódio da Nova Série em que vemos a criação de Torchwood.

Com um enredo curioso, alienígenas inteligentes e perigosos, mais uma despedida no desfecho da história, The Faceless Ones é um dos arcos inesquecíveis da série, com uma produção louvável, trilha sonora perfeitamente conectada à trama e ótimas atuações. Uma história no melhor “estilo James Bond”.

The Faceless Ones (Arco #35) – 4ª Temporada

Roteiro: David Ellis, Malcolm Hulke
Direção: Gerry Mill
Elenco principal: Patrick Troughton, Michael Craze, Anneke Wills, Frazer Hines, Colin Gordon, Wanda Ventham, Donald Pickering, Pauline Collins OBE

Audiência média: 7,38 milhões

6 Episódios (exibidos entre 08 de abril e 13 de maio de 1967)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.