Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Greatest Show in the Galaxy (Arco #151)

plano critico doctor who The Greatest Show in the Galaxy plano critico

Equipe: 7º Doutor, Ace
Espaço: Psychic Circus, Planeta Segonax
Tempo: Indeterminado

Encerrando 25ª Temporada da Série ClássicaThe Greatest Show in the Galaxy é praticamente um grande show de Sylvester McCoy mostrando suas habilidades em uma história, para todos os efeitos, de terror. Escrito por Stephen Wyatt (mesmo roteirista de Paradise Towers), o arco foi concebido em três partes, sendo posteriormente ampliado em mais um episódio pelos produtores da série, uma ação curiosa vinda de um escalão que não tinha Doctor Who em alta conta desde meados da Era do 6º Doutor.

Sendo Wyatt um escritor que sempre se interessou em misturar diferentes bases dramáticas em uma mesma história, entendemos The Greatest Show in the Galaxy como uma espécie de realização pessoal para o autor, tendo como faxada uma “história de circo” em um planeta de aparência apocalíptica (na linha visual de O Menino e Seu Cachorro) e fortemente marcada por um terror oculto, em parte conseguido pelos palhaços absurdamente macabros, em parte pelo fator de ficção científica distópica e que o espectador não entende à primeira vista. Ou melhor, não entende. Ponto. Porque o roteiro não se preocupa muito em dar suporte ao mistério que cria, lançando boas ideias (e outras que poderiam ser excelentes), mas que se perdem no meio de tanta informação nova jamais concluídas.

Primeiro atravessamos a introdução deslocada do Doutor e Ace chegando ao Planeta Segonax, onde está acampado o Psychic Circus. A apresentação da dupla não é orgânica, embora não seja ruim. O Doutor faz alguns truques, Ace fala de palhaços, veste o cachecol do 4º Doutor e indica algum medo, embora não assuma. Então um robozinho marqueteiro se materializa dentro da TARDIS (não há explicação para isso, é algo que devemos aceitar) e estabelece a intriga que irá atrair o Doutor e manter Ace em um estado de medo permanente, o que de certa forma a colocará em segundo plano na trama. Pela primeira vez depois de Dragonfire temos temos a companion relativamente à margem da história, já que o roteiro resolve dar atenção maior a Mags, cuja presença, apesar de ter uma camada crítica bastante perturbadora ao falar de exploração de uma raça (nesse caso, pelo infame Explorador Galático Capitão Cook), não compensa o preço que cobra. E o pior de tudo é que a personagem é boa, a atriz Jessica Martin está bem no papel, mas fica no ar a incômoda pergunta: qual é, de fato, a importância dela na história?

Então chegamos à base vilanesca. Os Deuses do Ragnarok, chamados Raag, Nah e Rok por Rassilon em Lealdades Divididas. Alguns dos lendários Great Old Ones que exitem mesmo antes de o nosso Universo ser criado, uma lista que também comporta seres/criaturas como Consciência NesteneCelestial Toymaker e sua irmã Hecuba, a Rainha do Tempo, A Grande Inteligência, Animus e os Guardões Branco e Negro. Ou seja, aí está a mão invisível de Andrew Cartmel, o editor de roteiros, tentando instigar a consciência do espectador e colocar um pouco mais de mitologia da série na ativa, até porque o 7º Doutor sabe quem são os Deuses (representados no corpo de um Pai, uma Mãe e uma Filha). Mas o texto não usa isso a favor de nada. O Doutor passa um bloco inteiro fazendo um show de mágica para eles, ganhando tempo até que os companheiros consigam seguir o plano e criem as condições para que os tais Deuses sejam “destruídos”… e é isso. O que era para ser algo instigante — o Doutor encontrado criaturas mais velhas que o próprio Universo! — acaba sendo apenas um momento bobo de mágica (McCoy está excelente, mas a cena não está; inclusive é mal editada e dirigida de maneira pouco imaginativa, com um plano geral sem graça seguindo exatamente o mesmo padrão de movimentação para plano médio e atendendo ao ciclo visual de deuses/cenário/Doutor fazendo mágica/Deuses de novo).

A direção de arte, a maquiagem e os figurinos de The Greatest Show saem na frente em tudo, compensando alguns erros e garantindo momentos de diversão e medo ao mesmo tempo, especialmente na persona do palhaço principal e sua demonstração de alegria; fazendo um manejo com a mão, virando a cabeça, arregalando os olhos e sorrindo como um psicopata. O circo também é outro ótimo espaço, apesar de ser bem simples. Na primeira parte, quando tudo ainda é novidade, gostamos muito do ambiente e ficamos atentos a tudo o que acontece. Mas os capítulos seguintes repetem a mesma dinâmica de colocar alguém no palco, depois cantar um rap (???) e matar a pessoa para divertimento dos Deuses personificados. A única apresentação que me chamou a atenção, pela dó que senti do personagem, foi a do Whizz Kid (Gian Sammarco), jovem que representa os fãs obsessivos de Doctor Who (pergunta: que fã de Doctor Who que não é obsessivo?).

Existem alguns momentos de bom humor e sugestão de coisas excelentes nesse arco, coisas que infelizmente não se concretizam. Não sabemos a ORIGEM de todo o circo e como ou por quê eles se corromperam; não sabemos o por quê (além do próprio divertimento, mas isso não é uma boa justificativa dramática sob nenhum aspecto) os Deuses resolveram focar no Psychic Circus; e qual era exatamente a função do Olho no “poço”, uma vez que os Deuses tinham a manifestação “humana”. Não sabemos de muita coisa nessa história. E as respostas a essas perguntas fariam de The Greatest Show um arco muito melhor. Embora os bons momentos consigam superar, na leitura geral, os momentos mal aproveitados, o resultado é um “ok” bastante sofrido, daqueles que a gente não consegue deixar de perguntar: “por quê?“.

The Greatest Show in the Galaxy (Arco #151) — 25ª Temporada
Direção: Alan Wareing
Roteiro: Stephen Wyatt
Elenco: Sylvester McCoy, Sophie Aldred, T. P. McKenna, Jessica Martin, Ricco Ross, Ian Reddington, Peggy Mount, Gian Sammarco, Daniel Peacock, Christopher Guard, Deborah Manship, Chris Jury, Dee Sadler, Dean Hollingsworth, David Ashford, Janet Hargreaves, Kathryn Ludlow
Audiência média: 5,42 milhões
4 episódios (exibidos entre 14 de dezembro de 1988 a 4 de janeiro de 1989)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.