Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Gunfighters (Arco #25)

The Gunfighters

estrelas 4

Equipe: 1º Doutor, Steven e Dodo
Espaço-tempo: Tombstone, Estados Unidos, 1881

Qualquer pessoa que conheça um pouco a história dos caubóis do meio-oeste estadunidense certamente já ouviu falar de personagens como Billy the Kid, Jesse James, Doc Holliday, Johnny Ringo e Wyatt Earp. Peças centrais em uma série de acontecimentos (reais e fictícios) entre o final do século XIX e início do século XX, eles se tornaram lenda e, mesmo que em alguns casos não fizessem jus aos feitos que praticavam, a história se responsabilizou em esconder a verdade (ou pelo menos deixar um grande ponto de interrogação sobre ela), abrindo espaço para que a lenda ganhasse a disputa.

E é após a disputa contra o Toymaker que o Doutor, Steven e Dodo chegam à Tombstone, Arizona, no ano de 1881. Eles mal sabiam que estavam prestes a encontrar figuras icônicas do western e presenciar o famoso tiroteio do O.K. Corral, um evento trabalhado em diversas mídias, dos quadrinhos ao cinema, e que ainda rende versões, interpretações e dramas em torno dos acontecimentos que motivaram os participantes.

O formato que Rex Tucker imprime ao arco é de plena semelhança com a mitologia do Velho Oeste. A produção de Doctor Who realizou aqui um excelente trabalho de caracterização de cenário, desde o local onde a TARDIS se materializa até o lendário O.K. Corral, onde o clímax do arco acontece. Da mesma forma, os figurinos e a trilha sonora – ou narrativa cantada – fornecem ao espectador semelhanças e homenagens diretas a esse gênero de histórias que encanta tanta gente.

O Doutor começa o arco com dor de dente e só permanece em Tombstone porque precisa se cuidar o mais rápido possível. A grande sorte parece lhe sorrir: ele rapidamente encontra um dentista na cidade, porém, esse dentista não é ninguém menos que Doc Holliday. O encontro é aparentemente banal e provavelmente terminaria ali mesmo se a confusão vinda com o título que ambos os homens usavam e o duplo sentido da palavra “Holliday” não tivessem alterado o destino do Doutor e seus companions no local.

O desenvolver dos episódios vai se tornando menos interessante na reta final, a despeito da chegada do clímax narrativo. O problema é que a canção The Ballad of the Last Chance Saloon satura a sua função narrativa. Praticamente toda a passagem de cenários é acompanhado de uma estrofe da canção, e num arco com 4 episódios, imagina-se quantas passagens narrativas podem ter, logo, não é difícil assumir que a repetição do ritmo e a mesma canção para o mesmo tipo de transição narrativa é um exemplo de pouca criatividade tanto do roteiro quanto do diretor.

Mesmo assim, não podemos dizer que essa característica deixa a história ruim. O arco é uma das aventuras históricas do Doutor, mas se diferencia das outras porque o perigo em questão ameaça mais aos que viviam naquele tempo e naquele espaço do que aos viajantes da TARDIS. Eles protagonizam todo o andamento dos fatos mas não guiam as ações porque sua participação é menor ou inserida como um engano na história. Não é algo ruim, é um recurso de roteiro, mas de todos os arcos históricos anteriores, este é provavelmente o mais “impessoal” em relação ao Doutor e seus companions.

O final da trama é acompanhado por elipses muito grandes, o que deixa o término de The Gunfighters abruto e desagradável. A passagem do tiroteio para a TARDIS e, em seguida, da entrada na nave para a observação da tela de verificação do espaço externo são feitas com grandiosos intervalos de ação entre elas, algo incômodo para o espectador mais atento. Ainda bem que o desenvolvimento da história foi chamativo o bastante para conseguir superar esses pequenos erros de concepção, finalizando o arco com um saldo bastante positivo.

The Gunfighters (Arco #25) – 3ª Temporada 

Roteiro: Donald Cotton
Direção: Rex Tucker
Elenco principal: William Hartnell, Jackie Lane, Peter Purves, Richard Beale, David Cole, David Graham, William Hurndall, Anthony Jacobs, Laurence Payne

Audiência média: 6,25 milhões

4 Episódios (exibidos entre 30 de abril e 21 de maio de 1966):

1. – A Holiday for the Doctor
2. – Don’t Shoot the Pianist
3. – Johnny Ringo
4. – The OK Corral

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.