Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Ice Warriors (Arco #39)

estrelas 3

Equipe: 2º Doutor, Jamie e Victoria
Espaço-tempo: Brittanicus Base, 5000

Tenho que, inevitavelmente, começar a presente crítica com uma ressalva. Apesar de adorar a cinquentenária série Doctor Who, meus conhecimentos sobre a Série Clássica empalidecem e desaparecem perante a sapiência enciclopédica de nosso co-editor-chefe, Luiz Santiago, que vem carregando nas costas todo o trabalho de criticar integralmente o vastíssimo material da mitologia whoviana. Portanto, recalibrem suas expectativas sobre meus comentários!

Feita essa importante ressalva, cabe logo lembrar aos whovians de plantão que estamos falando do 2º Doutor, ainda na 5ª temporada da longeva série. Estamos em 1967 e falando de uma obra feita para a televisão que, até hoje, em qualquer lugar do mundo, tem restrições orçamentárias enormes. Doctor Who não é diferente e os “efeitos especiais” que vemos em The Ice Warriors mais parecem feitos por crianças da 4ª série, em uma apresentação escolar. No entanto, essa trasheira nos efeitos sempre fez parte de Doctor Who e, mesmo hoje em dia, ela de certa forma se mantém e é apreciada.

No entanto, há que se tirar o chapéu para a originalidade do design de criaturas, algo que em The Ice Warriors é particularmente interessante. É a primeira aparição desses seres marcianos que, em viagem para a Terra, foram congelados durante a 1ª Era do Gelo. São seres que contam com uma armadura reptiliana, garras de Lego (em gancho) e um capacete com visores enormes que deixam visíveis a boca e parte do queixo dos extraterrestres. Além disso, eles contam com uma característica que os torna especialmente ameaçadores: uma voz sussurrada que verbaliza as palavras lentamente. Lembraram-me muito – voz e design – os Sleestaks, da saudosa série setentista Elo Perdido.

Tais criaturas são descongeladas no ano 5.000, por cientistas da base Brittanicus, em uma Terra tomada pela 2ª Era do Gelo (algo tecnicamente errado, claro, pois a Terra já passou por bem mais do que uma Era do Gelo). Levado para a base, o comandante marciano, Varga, volta à vida e sequestra Victoria para usá-la como moeda de troca contra os humanos. Na base, por outro lado, seu líder – Clent, vivido por Peter Barkworth – luta para fazer funcionar corretamente um raio ionizador que teria como objetivo derreter as geleiras. No entanto – e é esse o ponto nodal desse arco – ele e seus subordinados ficam presos aos mandamentos de um computador altamente inteligente e lógico, que acaba limitando o que a mente humana pode fazer.

No entanto, a narrativa que, na maior parte do tempo, é tripartida entre os acontecimentos na base, juntamente com o 2º Doutor; os acontecimentos na nave dos Ice Warriors, com Victoria e os acontecimentos envolvendo Jamie e Penley (Peter Sallis), um cientista renegado da base Brittanicus, se arrasta por mais tempo que deveria. A moral da história – a dependência dos humanos de máquinas para pensar em seu lugar – extremamente atual, diria, é repetida dezenas de vezes de maneira didática. Sim, sei que Doctor Who inicialmente tinha esse caráter, mas em The Ice Warriors, os diálogos são repetitivos e cansativos. Há um bom sub-texto abordando as mudanças climáticas, outro assunto tão em voga nos dias de hoje, mas ele é pouco explorado, contrastando fortemente com o exagero da outra “lição”.

Mas o arco, reconheço, tem seu valor, ainda que tudo pudesse ser resumido em, no máximo, dois episódios. Há um número grande de mortes, o que é uma surpresa, além de uma resolução literalmente explosiva, sem perdão.

The Ice Warriors diverte dentro de sua proposta educativa e impressiona pelas assustadoras – e violentas – criaturas. Se o roteiro de Brian Hayles tivesse sido aparado, com a redução significativa que momentos repetidos quase em loop, além de um conjunto mais coeso de sequências de ação, poderia ter sido um grande arco. Do jeito que ficou, é apenas interessante.

The Ice Warriors (Arco #39) – 5ª Temporada

Roteiro: Brian Hayles
Direção: Derek Martinus
Elenco principal: Patrick Troughton, Bernard Bresslaw, Wendy Gifford, Peter Sallis, Peter Barkworth, George Waring, Frazer Hines, Deborah Watling

Audiência média: 7,33 milhões

6 Episódios (exibidos entre 11 de novembro e 16 de dezembro de 1967).

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.