Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Invasion of Time (Arco #97)

The Invasion of Time

estrelas 4,5

Borusa: You have access to the greatest source of knowledge in the universe.

The Doctor: Well, I do talk to myself sometimes.

Equipe: 4º Doutor, Leela, K9
Espaço: Gallifrey
Tempo: Indeterminado

Se não fossem o imperdoável abandono de personagens interessantes no meio da história e os inconcebíveis erros de montagem no último episódio de The Invasion of Time, este seria, disparado, o melhor arco da 15ª Temporada Clássica de Doctor Who. Mesmo assim, a aventura fica em segundo lugar na temporada, logo depois de The Sun Makers, outra grande saga com mescla de diversos gêneros narrativos (ação + estratégia) e com muitas reviravoltas ao longo do caminho.

Mas há uma enorme diferença no conteúdo dos dois roteiros. Enquanto em The Sun Makers tínhamos uma trama claramente política, motivada pelo impasse do roteirista Robert Holmes com o fisco britânico, este presente arco é puramente ficção científica, com uma atenção menor a críticas sociais e outros descontentamentos de política econômica e maior inserção de itens no cânone de Doctor Who, tanto para o interior da TARDIS quando para o planeta Gallifrey.

O roteiro começa com um suspense que segura o espectador vidrado na tela, tentando decifrar o que está acontecendo com o Doutor, um estágio de comportamento que permanece no personagem durante toda a narrativa — mesmo quando parece agir da maneira maluca que lhe era de praxe — e que aos poucos vai se revelando e tornando-se misterioso outra vez, até encontrar um ponto cômico e nele fixar raízes como explicação, o que funcionou perfeitamente para quebrar a atmosfera de tensão que cobriu toda a história. Após a visita do Doutor ao seu planeta natal em The Deadly Assassin, o espectador teve maior noção espacial do Panopticon, do Capitólio e outros espaços de Gallifrey, mas aqui há um verdadeiro tour pelas redondezas, tanto dentro da cidadela quanto fora dela, onde são revelados os “Outsiders“, mais uma prova de que os Time Lords não são os mocinhos bem intencionados que normalmente se pensa que eles são.

A forma como os Vardans, a serviço dos Sontarans, se apresentam nos três primeiros capítulos do arco é bizarra e desnecessária — se bem que aquela forma de energia é a estrutura da espécie Vardan, só que podia ser qualquer outra coisa menos estranha, não é mesmo? –, mas o espectador consegue entender o motivo disso à medida que o plano de conquista a Gallifrey se ergue. Após assinar um contrato, o Doutor chega ao seu planeta e clama o direito de assumir o cargo de Lorde Presidente, ação que lhe dará completo controle sobre a Matrix e a Grande Chave de Rassilon, dois artefatos de máximo interessante para os Sontarans. Nota-se que nesse momento da História os Daleks não representam uma ameaça para Gallifrey e sim para outros planetas. Por outro lado, os cabeças-de-batata parecem possuir um grande conhecimento do planeta dos Time Lords, sabendo exatamente o que querem e fazendo um jogo de usar “espécies mais fracas” para chegar ao seu objetivo final.

Ao assistirmos The Invasion of Time, não temos muita noção da dificuldade de orçamento para produzi-lo, poque a dimensão dos cenários utilizados (alguns em locação, outros em estúdio) é enorme e bastante intricada. Só a genial decoração que o Doutor pede para o seu escritório de Lorde Presidente é chamativa e bastante trabalhosa, além de fazer completo sentido para o título e ter uma aplicação perfeitamente plausível para a trama.

Como disse ao início do texto, o meu lamento é que parte dos personagens são abandonados sem muitas justificativas ao longo da história. Mesmo que alguma diretriz de ação seja dada a eles, o escanteamento não combina com a importância elevada que possuem em dado momento do arco, o que gera um desequilíbrio no andamento. Já o outro incômodo é para a edição do último capítulo, que possui erros imperdoáveis, o maior deles, quando o Doutor passa de um corredor para a porta da TARDIS em um corte seco. Nem a decência de colocar um fade e suavizar essa passagem como uma ação diegética o editor Chris Wimble teve. Todavia, estes erros acabam sendo perdoados porque não interferem com mão de ferro na composição geral de qualidade da trama.

O final da história nos traz a despedida de Leela e de K9. O Doutor não leva essa despedida para o lado emotivo — ele claramente está emocionado, mas parece que não quer pensar muito a respeito — e quebra a quarta parede olhando para a câmera com cumplicidade, após trazer uma caixa que nos indica um futuro companion, K9 Mark II. Um louvável final para uma movimentadíssima temporada.

The Invasion of Time (Arco #97) — 15ª Temporada – Season Finale
Direção: Gerald Blake
Roteiro: David Agnew
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, John Leeson, Christopher Tranchell, John Arnatt, Ray Callaghan, Hilary Ryan, Derek Deadman, Stuart Fell, Stan McGowan, Tom Kelly, Michael Harley

Audiência média: 10,52 milhões

6 episódios (exibidos entre 4 de fevereiro e 11 de março de 1978)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.