Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The King’s Demons (Arco #128)

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estrelas 4

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Turlough
Espaço: Inglaterra
Tempo: 4 e 5 de março de 1215

Que maneira simpática de [quase] terminar uma temporada! Um passo antes do histórico aniversário de 20 anos da série e do episódio especial The Five Doctors, JNT produziu esse tapa-buraco de apenas dois episódios que acabou se tornando um dos melhores seriais da temporada! Sem enrolação, apresentando o Mestre de maneira interessantíssima (uma vergonha pensar em Time-Flight depois disso) e ainda trazendo o androide metamorfo Kamelion para a série, The King’s Demons é uma divertida parada na Grã Bretanha da Idade Média e um encontro inesperado com um falso Rei João, que entrou para a história com o ótimo título de “Sem Terra”.

Existe uma grande frustração para Turlough — e devo dizer, também para o espectador — no início do arco, quando a TARDIS se materializa mais uma vez na Terra e não no planeta do companion recém-liberto do Black Guardian. Em pouco tempo, porém, a frustração dá lugar a uma curiosidade genuína de ver uma história com o Doutor em situação de ameaça palaciana e cercado de quase todos os lados em um lugar tão ordinário como neste castelo a 4 horas de Londres.

A primeira grande pergunta, e que só será respondida ao final do serial, é por quê o rei aceita os viajantes do tempo de maneira tão fácil e, pior ainda, os chama imediatamente de demônios, o que faz o título do arco ser bem mais inteligente do que parece. Convidados de emergência por um rei completamente “fora de si”, os viajantes terão pequenas doses de hostilidade, prisões na Donzela de Ferro (passa um trecho de uma música qualquer do Iron Maiden na cabeça, não passa?) e no calabouço do castelo e ações inteligentes do Mestre para mudar de maneira definitiva o curso da História da Europa impedindo que a Magna Carta fosse assinada em junho daquele mesmo ano.

Por mais que o Mestre não consiga o seu intento, as ações que vemos dele passam longe das bobagens de Kalid, em Time-Flight. Ele não usa de desculpas soltas e de qualquer conveniência para fazer o que bem entende. A TARDIS leva o Doutro para o lugar porque percebeu alguma alteração em andamento, mas nada indica um dependência do Mestre em relação ao Doutor, o que muitas vezes se fez ver na primeira encarnação conhecida desse Time Lord. Não que essa abordagem fosse ruim, vejam bem, mas é muito bom ver uma linha diferente de atitudes dessa encarnação do nêmesis do Doutor, principalmente quando apenas um elemento alien é utilizado e o cenário e os “peões” envolvidos são todos humanos. Arcos com essa linha de abordagem são necessário de tempos em tempos.

Se descontarmos o grosseiro erro de continuação e montagem no início do primeiro episódio, quando a TARDIS chega ao local de um julgamento por batalha e milagrosamente desaparece na cena seguinte, o arco funciona bem, diverte e dá até um cliffhanger orgânico para The Five Doctors, com o Doutor acertando as coordenadas para o planeta Eye of Orion.

O que jamais pode deixar de ser dito é como Tegan se mostra completamente desprezível ao rejeitar Kamelion no desfecho do segundo episódio. Eu tenho a impressão de que o roteirista Terence Dudley odiava a personagem e a fez se comportar como uma pessoa xenófoba e preconceituosa, ao olhar o androide com nojo e claramente tentar segregá-lo do grupo. Uma das cenas mais odiosas vindas de uma companion do Doutor que eu já vi na Série Clássica (aliás, não me lembro de nenhuma outra, só a partida ingrata de Dodo, mas nem se compara…). Pelo menos no restante do arco, Tegan tem uma participação ativa e razoável na Corte. Mas suas falas finais ficam negativamente grudadas na nossa cabeça. Não é de se espantar que o Doutor tenha ameaçado levá-la imediatamente para casa. Eu teria levado, definitivamente.

The King’s Demons (Arco #128) — 20ª Temporada
Direção: Tony Virgo
Roteiro: Terence Dudley
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Mark Strickson, Anthony Ainley, Gerald Flood, Frank Windsor, Isla Blair, Christopher Villiers, Michael J. Jackson, Peter Burroughs
Audiência média: 6,50 milhões
2 episódios (exibidos entre 15 e 16 de março de 1983)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.