Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Masque of Mandragora (Arco #86)

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane Smith
Espaço: Mandragora Helix  / San Martino, Itália
Tempo: Indeterminado / 1492

Abrindo a importante 14ª Temporada da Série ClássicaThe Masque of Mandragora é o primeiro arco histórico (ou pseudo-histórico, dada a influência sci-fi) desde The Gunfighters e um tipo de história que nos lembra inúmeras outras aventuras do Doutor chegando a momentos icônicos da História da Terra e enfrentando forças alienígenas interpretadas pelo locais de origem como forças místicas, malignas ou divinas.

Pela primeira vez vemos uma drástica mudança na sala de controle da TARDIS e é bastante curioso que aqui a nave não é “cozinhada” ou tem seu template apenas trocado. Vemos Sarah sendo guiada pelo Doutor através dos inúmeros corredores da nave até que chegam à “antiga sala de navegação”. É também estabelecido pela primeira vez o motivo pelo qual os personagens falam inglês e não as línguas nativas das espécies ou lugares que visitam. Esses elementos canônicos inicialmente seriam remodulados na Era do 9º Doutor e, em outro momento, Sarah Jane voltaria a encontrar pessoas relacionadas ao culto que ela enfrenta neste arco, nos episódios Fatal Consequences e Dreamland da série da Big Finish Sarah Jane Smith.

Mergulhado em um clima sombrio vindo da inspiração cinematográfica para a trama, o filme Agonia da Morte (1964), a história possui nuances shakespearianas, especialmente de Hamlet e mostra como é possível atrelar os muitos medos e conhecimentos de uma época história em favor de uma história bem escrita sobre formas de vida completamente diferentes. É interessante que, apesar de se passar praticamente inteiro na Terra, não estamos no Reino Unido, então um sentido de estranheza marca o espectador, acostumado aos cenários da UNIT e outras localidades da terra da rainha que foram a base da era do 3º Doutor e início da era do 4º Doutor.

A política local e o tratamento familiar complexo, como já comentei, é shakespeariano, mas o arco não se deixa apenas levar por essa trama simples. Vemos a colocação da astrologia e conhecimentos similares sendo colocados em dúvida da mesma forma que — novamente! — fanáticos religiosos, muito semelhantes aos que dominariam Veneza no futuro fazem contato com a Mandragora Helix e ameaçam a vida na Terra.

As fugas do Doutor, a ótima colocação da personagem de Elisabeth Sladen em cena — nunca deixando-se levar por ordens que denotam sua suposta fraqueza ou que a impeçam de agir quando necessário — e o bom relacionamento dos viajantes com o Duque Giuliano, um jovem ligado à ciência e com um companheiro, Marco, que claramente era seu par amoroso, o primeiro óbvio casal gay de Doctor Who e um dos mais interessantes também, pela naturalidade com que são tratados e pela mescla de fidelidade, ciúme (por parte de Marco, o que chega a ser um pouco engraçado) e parceria. Um belo par e com participação muito boa dentro da história.

Os cenários são ainda mais detalhados e melhor aproveitados do que em The Time Warrior — só para citar um exemplo de outra aventura medieval ocorrida na fase de Sarah Jane como companion –, tanto nos figurinos quanto na decoração dos interiores do castelo, o detalhe das armas, a pequena vila com sua feira e os ambientes mais afastados, com florestas e templos. O único impasse nesse ponto são as cenas dentro do mosteiro dos adoradores de Demnos, que começa de forma interessante mas vai perdendo o interesse porque a ação da Mandragora Helix às vezes parece perdida ou mal aproveitada ali. Todavia, o resultado final do arco é ótimo. Uma aventura do Doutor em um período histórico onde a mentalidade supersticiosa estava caindo e uma nova forma de ver o mundo, pelo menos em parte, surgia.

The Masque of Mandragora (Arco #86) — 14ª Temporada – Season Premiere
Direção: Rodney Bennett
Roteiro: Louis Marks
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Norman Jones, Jon Laurimore, Gareth Armstrong, Tim Pigott-Smith, Antony Carrick

Audiência média: 9,47 milhões

4 episódios (exibidos entre 4 e 25 de setembro de 1976)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.