Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Mind of Evil (Arco #56)

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estrelas 4

Equipe: 3º Doutor, Jo (+ UNIT, Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton, Capitão Yates)
Era: UNIT — Ano 3
Espaço: Stangmoor Prison, Reino Unido
Tempo: Anos 1970
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Se em Terror of the Autons tivemos uma apresentação mais ou menos rápida para o grande nêmesis do Doutor, além de pouca exploração de sua personalidade, aqui em The Mind of Evil, isso acontece de forma ampla e muito interessante. E tudo começa da maneira mais improvável possível.

O roteiro de Don Houghton coloca o Doutor e Jo na prisão de Stangmoor, onde um experimento científico está sendo realizado. Uma máquina criada pelo professor Emil Keller (o Mestre, disfarçado), tem a capacidade de extrair toda a maldade da mente humana e armazená-la em um recipiente. Nessa realidade do planeta Terra, o Reino Unido deixou de executar seus prisioneiros. Ao invés disso, os criminosos são submetidos à Keller Machine e suas mentes resetadas de todo o mal (lembrou de Laranja Mecânica?). O grane problema disso tudo é que com o passar do tempo, a criatura dentro da máquina começa a ganhar força e a fazer coisas que nem o Mestre poeria imaginar.

O roteiro não dá muitos detalhes sobre o parasita mental que havia dentro da máquina e também não se importa muito em terminar o arco de forma coesa — todo aquele cuidado para ter Barnham como um “neutralizador humano” se torna balela na sequência com o míssil, ao final do 6º episódio, a mais fraca de todo o arco –, todavia, temos nesse dispositivo um bom acessório para a presença do Mestre, especialmente porque ele se mostra aqui em sua mais pura essência: ao mesmo tempo que tem um apreço, respeito e reconhecimento pelo Doutor, ele o odeia a ponto de querer matá-lo, de preferência, depois de fazê-lo sofrer muito.

Desde o arco anterior a relação de “amor e ódio” entre o Doutor e o Mestre ficou evidente para o público, ganhando aqui novas cores e novo peso. Nessa linha de visão também temos as outras relações afetivas e de trabalho sendo expandidas, desde a parceria do Doutor com Jo até a relação do Brigadeiro com Benton e Yates e, claro, sua sempre conflitante, hilária e afetiva relação com o Doutor, embora nenhum dos dois lados demonstre esse afeto.

Com um cenário típico de filmes de ação — a produção do arco é boa e o resultado final, em termos de efeitos especiais, é muito interessante –, The Mind of Evil adiciona ao seu conteúdo ingredientes de ficção científica e horror, este último, representado pelo Castelo de Dover, onde a maior parte do arco foi filmado. Jo cita Drácula quando eles chegam perto da construção e o Doutor, ao entrar pelos portões, cita um verso do Inferno, da Divina Comédia de Dante: Deixai toda a esperança, vós que entrais.

Jon Pertwee tem uma excelente figuração no arco, acompanhado de perto pelos brilhantes Roger Delgado (Mestre) e Nicholas Courtney (Brigadeiro). O trio é o grande destaque do elenco, cada um ganhando elementos novos para trabalhar e, no caso dos Time Lords, acrescentando itens para o canon da série. Aqui vemos o Doutor falar hokkien e cantonês (dialetos chineses) e descobrimos que quando seu metabolismo não está muito bem, uma aspirina pode ser um veneno.

Dramatizando o momento histórico em que vivia, Don Houghton misturou características da Crise dos Mísseis da década anterior com a política internacional do Reino Unido no início dos anos 70 para criar uma ameaça mundial. Percebemos que não apenas o fator alien mas o fator humano também tem uma tremenda força nessa era da UNIT, o que coloca os acontecimentos dessa época muito próximos do espectador.

Salvo as incoerências relacionadas à Keller Machine ao final e alguns momentos do desenvolvimento da aventura (especialmente nos episódios 3 e 4), The Mind of Evil é uma excelente história. Há crítica social (com destaque para o sistema prisional, a pena de morte e as ações comportamentais que propõem condicionar as pessoas contra sua vontade), há tiroteios, míssil nuclear, detalhes da biologia dos Time Lords e exploração das relações pessoais em praticamente todos os personagens recorrentes. É como se, nas entrelinhas, Houghton estivesse investigando a mente de cada um, revelando alguns detalhes e colocando os seus sentimentos à flor da pele. O resultado disso não poderia deixar de ser maravilhoso e, sob direção de Timothy Combe, se mostra uma aventura à la James Bond pra ninguém botar defeito.

The Mind of Evil (Arco #56) — 8ª Temporada
Direção: Timothy Combe
Roteiro: Don Houghton
Elenco: Jon Pertwee, Nicholas Courtney, Roger Delgado, Katy Manning, Richard Franklin, Pik-Sen Lim, John Levene, Raymond Westwell, Michael Sheard, Kristopher Kum

Audiência média: 7,45 milhões

6 episódios (exibidos entre 30 de janeiro e 06 de março de 1971)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.