Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Mysterious Planet (Arco #143a: The Trial Of A Time Lord)

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estrelas 3

Equipe: 6º Doutor, Peri
Saga: The Trial Of A Time Lord
Espaço: Nave Espacial dos Time Lords / Planeta Ravolox (antiga Terra)
Tempo: ~ 2.000.000

Espelhando na ficção a situação da série na vida real, o showrunner John Nathan-Turner e o editor de roteiros Eric Saward concordaram em fazer da 23ª Temporada de Doctor Who uma saga de julgamento, mantendo assim todos os arcos ligados em um único motor narrativo. Para que a temporada seguisse esse padrão, foram deixadas de lado metade das preparações prévias para o que seria o 23º ano do show. Abaixo, seguem as histórias intencionadas, submetidas ou discutidas como possibilidades para esta temporada e que foram produzidas pela Big Finish, na saga The Lost Stories. Muitas outras tramas, porém, foram submetidas para a mesma temporada, mas não adaptadas posteriormente. As principais são: Yellow Fever and How to Cure It, de Robert Holmes; The Ultimate Evil, de Wally K. Daly; e The Children of January, de Michael Feeney Callan. As adaptadas pela Big Finish anos depois foram:

  1. The Nightmare Fair (escrita por Graham Williams);
  2. Mission to Magnus (escrita por Philip Martin);
  3. The Hollows of Time (escrita por Christopher H Bidmead);
  4. Paradise 5 (escrita por PJ Hammond);
  5. Point of Entry (escrita por Barbara Clegg);
  6. Power Play (escrita por Gary Hopkins)

Ainda na preparação para a temporada, surgiu a ideia de substituição de Colin Baker como Doutor, mas JNT venceu os argumentos de Michael Grade e manteve o amigo no papel principal, convencendo o controlador da BBC One que o ator precisava de mais tempo para cair nas graças do público e que mais uma temporada faria isto. Mesmo que a previsão de Turner não tenha, de fato, se cumprido, talvez devido aos roteiros que não agradaram ao público ou ao mal trato da BBC para com a série até em termos de divulgação, uma coisa é certa: Doctor Who virou um híbrido de gêneros que praticamente rejeitava a si mesmo. Os chefões da emissora exigiam um serial menos violento e mais bem humorado (o papel de Glitz e Dibber neste arco teve como função esse lado cômico, mas estes não são exatamente personagens cômicos, não é mesmo?), enquanto os roteiristas não podiam evitar colocar cenas de tragédias e violência ao longo do julgamento do Doutor.

A mistura não surtiu efeito na construção da própria história e isso é bastante sentido ao longo de The Mysterious Planet. A despeito de trazer a primeira referência de A Christmas Carol, de Charles Dickens, para o julgamento do Doutor (que mostraria aventuras de seu passado, presente e futuro) ou sombras estéticas e dramáticas de filmes pós-holocausto (Mad Max e Planeta dos Macacos são referências assumidas tanto no roteiro quanto na direção de arte), o conceito geral parece incomodamente encaixado, com personagens às vezes agindo de forma incoerente com suas próprias personalidades ou eventos que não cabem de maneira alguma na trama, como Balazar ser coberto de comida verde após a batalha contra o esquisito robô Drathro ou a participação estendida de Humker e Tandrell na história, por exemplo.

Por outro lado, o veterano roteirista e editor de roteiros da série, Robert Holmes, inseriu bons momentos de humor, como praticamente todos os diálogos do Doutor em seu debate com o Valeyard ou as brincadeiras literárias com Moby-Dick, The Water Babies e UK Habitats of the Canadian Goose (sim, eu gargalhei quando Balazar falou o nome desse livro). A atuação de Colin Baker aqui está em alta e o ator encarna muito bem o humor negro do roteiro, brincando e fazendo piadinhas inteligentes e sacanas sempre que possível, algo que deveria ser a verdadeira “mudança de tom” da obra, não a comédia física e meio boba, como pedia os chefões da BBC.

Toda a ideia do julgamento parece saturada já em sua concepção. A rigor, se estivéssemos falando de um único arco, onde o Valeyard aparecesse, acusasse o Doutor e depois se revelasse uma versão futura e sombria do nosso querido Time Lord, a ideia até que poderia funcionar muito bem, mas não é isso o que acontece. A extensão da história e a justificativa para a farsa do julgamento se boicota rapidamente. Se não fossem as boas interpretações e alguns ótimos momentos do arco, o resultado seria ainda pior.

No fim das contas, mesmo com a enrolação e a interrupção da ação central do episódio para mostrar as discussões do julgamento (e claro, esta é uma armadilha de roteiro, não teria como ser diferente visto que a produção colocara de lado a possibilidade de um episódio só para estabelecer as prévias  do julgamento e coisas do tipo) temos, no todo, uma boa primeira parte desta reta final para o 6º Doutor. A ideia de troca de companion já havia sido estabelecida ainda na preparação para a temporada e a substituição de Peri por Mel já estava em pauta. O relacionamento entre o Doutor e a americana parece encontrar, nessas últimas aventuras, uma série de rusgas, algo que a meu ver não tinha no início, não da forma como os vejo do arco passado para este arco. Talvez esse esgotamento já fosse um prenúncio do fim, que estava próximo.

The Mysterious Planet: The Trial Of A Time Lord (Arco #143a) — 23ª Temporada
Direção: Nicholas Mallett
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Colin Baker, Nicola Bryant, Michael Jayston, Lynda Bellingham, Joan Sims, Tony Selby, Glen Murphy, Tom Chadbon, Roger Brierley, David Rodigan, Adam Blackwood, Timothy Walker, Billy McColl, Sion Tudor Owen
Audiência média: 4,35 milhões
4 episódios (exibidos entre 6 e 27 de setembro de 1986)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.