Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Pirate Planet (Arco #99)

Doctor Who The Pirate Planet

estrelas 5,0

Equipe: 4º Doutor, Romana, K9 II
Espaço: Planeta Zanak e Planeta Calufrax
Saga: Key to Time (2 de 6)
Tempo: c. 1978

A esta altura do campeonato eu sei bem que muita gente não gosta desse arco. Surpreendentemente, devo dizer. Porque a estreia de Douglas Adams em um material de Doctor Who é inesquecível do início ao fim, com todas as suas tiradas cômicas bem à Guia do Mochileiro das Galáxias e complexa abordagem dos elementos de ficção científica que são o cerne do show.

The Pirate Planet é o segundo arco da saga Key to Time e nele temos o Doutor, Romana e K9 II em uma busca bastante difícil, cheia de idas e voltas, além de ser muito ágil nessa procura por mais um segmento da Chave do Tempo. É necessário atenção do espectador para que não perca as explicações sobre os saltos no tempo, a identidade de alguns personagens como a rainha Xanxia mais o Capitão, e a relação dos planetas Zanak e Calufrax com a busca encomendada pelo Guardião Branco em The Ribos Operation.

O conceito de “planeta pirata” nos é revelado ainda no primeiro episódio do arco, e pouco a pouco vemos o quão abominável é esse tipo de prática feita por ordem do Capitão, aos berros, para Mr. Fibuli. A riqueza vinda da morte de milhões de pessoas e destruição de inúmeros planetas é uma óbvia crítica de Adams a certas corporações que enriquecem às custas da decadência de sociedades e vidas. De meados do primeiro episódio para frente, essa ideia fica marcada em The Pirate Planet, o que o tempo todo me fez lembrar o arco The Sun Makers, não só pelo roteiro mas também pela abordagem viciada do comandante das operações comerciais.

E as novidades não param. Mentiads com poderes paranormais, guardas e empregados da “Ponte” onde funcionava o centro de operações do planeta Zanak, ganham importante papel no desenvolvimento da história, que se passa em vários lugares e elenca inúmeras dificuldades para o Doutor, Romana e K9 II, cada um com a oportunidade de resolver uma parte do quebra cabeças que entregaria a segunda parte da Chave do Tempo para os que a procuravam.

A troca de cenários em estúdio e locações, na opinião de alguns whovians, tornou a história confusa, assim como boa parte das explicações finais sobre como este segundo segmento poderia ser um planeta inteiro. O grande problema aqui é que se não houver atenção ao que é dito pelo Doutor e retomado, ampliado ou corrigido por Romana e K9 II, nada fará muito sentido ao final. A trama é bastante coesa e funciona bem com suas explicações, mas elas não são exatamente simples e passam por um nível de aceitação para fatos dentro da ficção científica que podem ir de encontro à suportabilidade de alguns espectadores. Mas isso já é uma questão pessoal.

Tom Baker e Mary Tamm estão excelentes juntos, muito bem acompanhados por um elenco de idades variadas e com funções bem definidas. Existem momentos dessa relação que nos causam bastante estranheza, como as cenas em que os os Mentiads se unem para ouvir o Doutor e destruir o painel que segurava a porta principal e bloqueava-lhes o poder; ou mesmo a maquiagem pesada e afetação do grupo dos Mentiads. Mas considerando o tipo de seres que eram, e que não são humanos, a estranha impressão pode se dissipar um pouco mais rápido.

Divertido, fortemente crítico ao processo de geração de riquezas para algumas companhias comerciais e cientificamente exigente — é sabido que o texto de Adams aqui foi praticamente todo editorado por Anthony Read, porque era extremamente complexo, com a presença dos Time Lords e diversos paradoxos temporais –, The Pirate Planet pode ter suas estranhezas mas é um arco muito bem escrito e dirigido, cheio de surpresas, narrando com grande qualidade a segunda parte de uma longa jornada. Uma aventura inesquecível.

The Pirate Planet (Arco #99) — 16ª Temporada
Direção: Pennant Roberts
Roteiro: Douglas Adams
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, John Leeson, Bruce Purchase, Andrew Robertson, Ralph Michael, David Sibley, David Warwick, Primi Townsend, Clive Bennett, Bernard Finch, Adam Kurakin

Audiência média: 8,28 milhões

4 episódios (exibidos entre 30 de setembro e 21 de outubro de 1978)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.